EUA redirecionam US$ 52 milhões em ajuda militar para América Latina
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – Washington decidiu transferir US$ 52 milhões em ajuda militar anteriormente reservada a países europeus e do Oriente Médio para Panamá, Peru, Equador e Colômbia. A mudança reforça a prioridade concedida pelo governo de Donald Trump ao Hemisfério Ocidental, especialmente no combate ao narcotráfico, à imigração ilegal e na segurança do Canal do Panamá, segundo informações da Associated Press (AP).
O Departamento de Estado notificou o Congresso norte-americano nesta terça-feira (15) sobre o redirecionamento dos recursos. A verba será retirada de programas destinados à Eslováquia, Macedônia do Norte, Tunísia e Iraque, embora esses quatro países continuem recebendo financiamento militar dos Estados Unidos.
Os valores que permanecerão disponíveis para cada um deles não foram informados. Segundo o Departamento de Estado, a distribuição atual dos recursos “não está alinhada com a priorização do Hemisfério Ocidental pelo governo”.
América Latina ganha espaço na política externa
A decisão foi comunicada depois de uma viagem do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, à Colômbia, ao Equador e ao Peru. Durante a passagem pela região, ele prometeu ampliar o apoio dos Estados Unidos aos três países.
A política externa do governo Trump tem concentrado maior atenção nas Américas e aprofundado relações com governos conservadores da região. A orientação acompanha a defesa feita pelo presidente norte-americano de uma retomada da Doutrina Monroe, formulada no século XIX para consolidar a influência de Washington sobre o continente.
O governo justificou a transferência pela necessidade de “combater o narcoterrorismo em nosso quintal e ajudar a continuar protegendo o Canal do Panamá”. O Departamento de Estado também alegou que o Hemisfério Ocidental foi historicamente negligenciado na distribuição da assistência militar dos Estados Unidos.
“Esses recursos impedirão que adversários estabeleçam posições estratégicas em nosso hemisfério”, declarou o órgão.
De acordo com a AP, a referência a adversários representa uma crítica indireta à China, que busca ampliar sua presença econômica e política na América Latina.
Recursos financiam equipamentos norte-americanos
O Financiamento Militar Estrangeiro, programa envolvido na mudança, disponibiliza dinheiro dos contribuintes norte-americanos para que os países beneficiados comprem equipamentos de empresas de defesa dos Estados Unidos.
A redistribuição não significa o encerramento integral do financiamento destinado à Tunísia, ao Iraque, à Macedônia do Norte e à Eslováquia. O governo norte-americano, no entanto, não detalhou quanto cada país perderá nem qual será o montante restante em seus respectivos programas.
Pressão sobre aliados europeus
A medida também integra uma sequência de decisões que reduziram recursos ou contingentes militares norte-americanos na Europa. Trump cobra reiteradamente que os integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte ampliem os próprios orçamentos de defesa.
Eslováquia e Macedônia do Norte fazem parte da Otan. Mesmo assim, ambas estão entre os países atingidos pelo redirecionamento anunciado pelo Departamento de Estado.
Ao deslocar os US$ 52 milhões, Washington combina a pressão financeira sobre parceiros europeus com o reforço da atuação norte-americana nas Américas. O novo destino dos recursos evidencia o peso atribuído pelo governo Trump ao combate ao narcotráfico, à proteção do Canal do Panamá e à disputa por influência estratégica na região.
Fonte: Brasil 247