Cepal apresenta relatório e propõe estratégia para a América Latina

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Por Brasil 247Brasil 247

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) apresentou, nesta terça-feira (15), no Rio de Janeiro, o relatório Rupturas e oportunidades: propostas para que a América Latina e o Caribe prosperem na nova era geopolítica. O documento foi debatido em seminário internacional coorganizado pela Cepal e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Após a apresentação, participaram de um diálogo sobre as oportunidades da região o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante; a ex-presidenta do Chile Michelle Bachelet; e o secretário-executivo da Cepal, José Manuel Salazar-Xirinachs. A mediação foi feita pela diretora do escritório da Cepal no Brasil, Camila Gramkow.

Mercadante, integrante da comissão que elaborou o relatório e copresidida por Bachelet, afirmou que a América Latina e o Caribe têm potencial em áreas como agricultura, mineração, energia e biodiversidade. Segundo ele, a recomendação não é apenas ampliar a extração e a exportação de recursos, mas criar valor agregado, desenvolver fornecedores, fortalecer o processamento local e avançar na industrialização.

Quatro mensagens centrais

O relatório está organizado em quatro pontos. O primeiro sustenta que a globalização e o multilateralismo estão sob pressão e que ativos regionais — como energia, alimentos, minerais críticos, biodiversidade, capacidades produtivas e talentos — ganharam importância estratégica.

O segundo defende que a transformação desses ativos em desenvolvimento e maior presença internacional depende de estratégias definidas, instituições fortes e governança efetiva. O terceiro propõe cooperação e coordenação pragmáticas entre os países, sem exigir unanimidade em todos os temas. O quarto recomenda ampliar opções de inserção internacional, evitar alinhamentos rígidos, diversificar parcerias e reforçar a capacidade de análise e ação geopolítica.

Bachelet destacou a diversidade dos integrantes da comissão e afirmou que o grupo conseguiu construir um roteiro comum apesar de diferentes trajetórias culturais, profissionais e ideológicas. A apresentação do documento, assinada por ela e pelo outro copresidente da comissão, o ex-presidente colombiano Iván Duque, defende o diálogo e a busca por convergências em um cenário de rivalidade geopolítica e polarização.

Salazar-Xirinachs afirmou que os países precisam desenvolver estratégias para atuar em um ambiente internacional mais complexo. Para ele, a nova era geopolítica exige ação coordenada e planejamento.

O relatório aponta que o Brasil reúne ativos estratégicos por sua economia, recursos naturais, capacidades produtivas e tecnológicas e sistema de financiamento ao desenvolvimento. Entre os exemplos citados estão os minerais críticos: o documento informa que o país tem a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás da China, mas responde por menos de 1% da produção global.

Segundo a comissão, esse contraste evidencia o desafio de converter a disponibilidade de recursos em capacidades produtivas, tecnológicas e de agregação de valor. O texto também cita iniciativas recentes do BNDES e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) voltadas ao processamento de minerais estratégicos, ao desenvolvimento tecnológico e à produção local de materiais e manufaturados ligados à transição energética e à descarbonização.

Com informações da BNDES

Fonte: Brasil 247

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