Fux e Nunes Marques foram removidos de proposta de delação de Vorcaro
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – As menções aos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques foram retiradas da versão final da proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF). Nas primeiras versões do documento, o empresário citava relações do banco com pessoas próximas aos dois magistrados, mas não apontava a prática de crimes por parte dos ministros.
A informação foi publicada pelo UOL, em reportagem de Natália Portinari, Fabio Serapião e Cézar Feitoza. O portal afirma ter tido acesso às três versões da proposta de colaboração enviada por Vorcaro às autoridades. Todas foram rejeitadas.
Vorcaro mencionava, no caso de Nunes Marques, um contrato do Banco Master com a Consult Inteligência Tributária, empresa que tem entre seus sócios Kevin Nunes Marques, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-banqueiro teria afirmado que se interessou pelo negócio também para “criar proximidade” com o magistrado.
Apesar disso, de acordo com o material revelado, Vorcaro não relatou nenhum envolvimento direto de Kassio Nunes Marques nos fatos, nem indicou qualquer ato do ministro em favor do Banco Master. O empresário disse apenas ter encontrado o magistrado “em algumas ocasiões” e desenvolvido uma “relação de amizade” com ele.
Dados financeiros do Banco Master citados pelo UOL apontam que a Consult Inteligência recebeu R$ 6,6 milhões do banco. Em diálogos extraídos do celular de Vorcaro, o ex-banqueiro mencionava pagamentos mensais de R$ 500 mil a Kevin Nunes Marques por meio da consultoria. Esses valores, porém, não constavam nas propostas de delação.
No caso de Luiz Fux, o capítulo retirado da versão final não fazia referência a pagamentos. Vorcaro relatava ter encontrado o ministro apenas uma vez, durante um evento em Nova York. O texto da proposta de colaboração não homologada dizia: “Como o advogado do colaborador, Ciro Soares, tem relação próxima com Marianna Fux, filha do ministro, em algumas ocasiões pediu para que Ciro Soares utilizasse da boa relação para tratar com o ministro Luiz Fux sobre precatórios”.
Segundo Vorcaro, a tentativa não avançou. Depois, ele afirmou ter conhecido Rodrigo Fux, filho do ministro, com quem teria desenvolvido uma “relação pessoal”. O ex-banqueiro também relatou tratativas para contratar o escritório de Rodrigo Fux para atuar em causas do Banco Master relacionadas a precatórios do Instituto do Açúcar e do Álcool. O contrato, no entanto, não teria sido concretizado.
De acordo com o UOL, mensagens obtidas pela reportagem mostram que Vorcaro trocou diálogos com Rodrigo Fux por mais de um ano.
Fux, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli integram a Segunda Turma do STF, colegiado responsável por analisar o caso do Banco Master e que manteve a prisão preventiva de Vorcaro. Fux preside a turma desde agosto.
Na última versão da proposta de colaboração, apenas Dias Toffoli permaneceu com um capítulo separado. O texto detalhava uma negociação de R$ 35 milhões para, supostamente, comprar uma participação em um resort ligado à família do ministro.
A delação de Vorcaro acabou rejeitada. A Polícia Federal deixou a negociação em duas ocasiões, e a PGR recusou o acordo por entender que os relatos apresentados não estavam acompanhados de provas suficientes. Investigadores e a própria Procuradoria avaliaram que não havia irregularidade nos fatos narrados pelo ex-banqueiro nem elementos que comprovassem favorecimento do Banco Master por parte dos ministros mencionados.
O vazamento dos diálogos ocorreu às vésperas de uma sessão em que o STF decide se abre investigação sobre Alexandre de Moraes por sua relação com Daniel Vorcaro. O pedido de apuração partiu do ministro André Mendonça, relator do caso Master, com base em relatório da Polícia Federal que aponta 187 interações entre Moraes e o ex-banqueiro.
Segundo a reportagem, os diálogos do celular de Vorcaro vieram à tona depois que o conteúdo do aparelho foi enviado aos gabinetes de ministros do Supremo.
Fonte: Brasil 247