Julgamento de Moraes ocorrerá em ambiente mais favorável
Por Leopoldo Vieira — Brasil 247
A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que decidirá, a partir desta terça-feira, se o ministro Alexandre de Moraes será investigado por suas relações com Daniel Vorcaro, do Banco Master, ocorrerá em ambiente mais favorável ao magistrado que prendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro e oficiais de alta patente das Forças Armadas por tentativa de golpe de Estado.
Segundo pesquisa Datafolha, 37% defendem o afastamento do ministro André Mendonça, vinculado ao senador Flávio Bolsonaro, e 34%, o de Moraes, cuja imagem é associada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para 86% e 85%, respectivamente, as suspeitas envolvendo Mendonça e Moraes não alteram a intenção de voto.
Esses números sugerem a mitigação do custo eleitoral de Moraes, uma vez que os efeitos da crise foram limitados, tanto negativamente para o presidente Lula quanto positivamente para o senador Bolsonaro. Em simulação de segundo turno, o petista manteve a dianteira sobre o bolsonarista por 46% a 44%. A pesquisa BTG/Nexus confirmou a tendência de retomada da vantagem do incumbente: 46% a 45%. Na Quaest/Globo, ambos oscilaram 1 ponto percentual para cima e para baixo, ficando o senador com 42% e o presidente da República com 40%.
Como previmos em 2.9, a iniciativa de Mendonça ofuscou a bateria de notícias contra o filho e a assessoria de Lula e aumentou as pressões para que as denúncias contra Flávio, por sua ligação com Vorcaro, tivessem consequências.
Foi revelado ao eleitorado, por exemplo, que o senador Bolsonaro é investigado pelo STF por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Há indícios de que as atividades consideradas antinacionais do ex-deputado Eduardo Bolsonaro foram mesmo financiadas por Vorcaro e de que a estrutura que viabilizou a Dark Horse pode ter recursos de grupos terroristas, segundo classificação dos Estados Unidos.
Nesta semana, o ex-deputado Bolsonaro promete ir a Washington articular a retomada da lei Magnitsky contra Moraes. A iniciativa tem o potencial de beneficiar o ministro em pleno processo de julgamento, fortalecer a defesa da bandeira nacional por Lula e recolocar no radar consequências econômicas adversas para o sistema financeiro brasileiro.
Para a sessão do STF, são atribuídas três possibilidades, todas potencialmente favoráveis a Moraes: prolongar a chegada ao mérito devido aos embates preliminares; adiar a decisão por acordo político ou pedido de vista; e receber votos antecipados de outros ministros como resposta à opinião pública. As duas primeiras possuem o condão de conceder tempo para o fortalecimento de sua defesa, a negociação de um pacto interno mais benevolente, a medição da reação social e o surgimento de novos desgastes para Mendonça. Na última hipótese, porém, pode-se sinalizar a correlação de forças na Corte. Se a maioria sinalizada for pró-Moraes, considerando a reação polarizada à crise do STF, poderá comprometer a capacidade de resistência de Mendonça.
Para interlocutores da Corte, é improvável que uma investigação seja autorizada contra Moraes e não contra Mendonça. Em paralelo, o fato de o julgamento dele estar marcado para depois do de Moraes, em 23.9, portanto mais próximo do primeiro turno, tende a desfavorecer a oposição.
No mercado preditivo Polymarket, apenas 30% das apostas apontam para a saída do ministro. Ainda que menos poderoso, “Xandão”, algoz de Bolsonaro e inimigo da Casa Branca, está de volta ao jogo para escrutinar e ser escrutinado.
Fonte: Brasil 247