União Industrial Argentina denuncia que, com Milei, setor perdeu 90 mil empregos
Por Hora do Povo — Hora do Povo
O presidente da União Industrial Argentina (UIA), Martín Rappallini, durante um evento realizado em uma fábrica do Laboratório Elea, apresentou um diagnóstico crítico da situação da atividade industrial no país com a perda de 90 mil empregos assalariados registrados desde agosto de 2023, e exigiu políticas que apóiem as empresas no atual contexto econômico.
Na reunião ocorrida numa das principais empresas farmacêuticas da Argentina, fundada em 1939, com forte atuação em pesquisa, desenvolvimento e fabricação de medicamentos, Rappallini observou que a produção industrial está atualmente 10% abaixo dos níveis registrados em 2022, enquanto alguns setores apresentam quedas entre 25% e 30%.
Em junho, a indústria argentina operava com cerca de 40% de capacidade ociosa. A produção manufatureira caiu 5% entre junho e julho, o maior recuo em 16 meses, segundo dados oficiais divulgados na terça-feira (8).
Agravando a situação, mais de 700 empresas argentinas fecharam nesses meses devido à crise econômica, elevando o total para 31.342 empresas — principalmente pequenas e médias — que cessaram suas atividades desde que Javier Milei assumiu o cargo em dezembro de 2023.
Uma análise do jornal La Nación, com base em dados ajustados sazonalmente do Sistema Integrado de Pensões da Argentina (SIPA), compilados pelo Ministério do Trabalho, confirmou que o número de empregados formais no setor privado caiu em 241.176 entre novembro de 2023 e maio de 2026. Desse declínio, 85.561 vagas foram perdidas no setor industrial, representando 35,5% — mais de um terço. A construção civil foi o segundo setor mais afetado, com 62.747 trabalhadores a menos no mesmo período. Juntos, esses dois setores foram responsáveis por 61,5% da redução total de empregados formais no setor privado desde novembro de 2023.
AS SETE EXIGÊNCIAS DOS INDUSTRIAIS
A associação empresarial apresentou uma agenda com sete áreas-chave que considera prioritárias para a recuperação das atividades que foram atingidas:
• Maior acesso ao crédito para investimento, capital de giro e consumo.
• Redução gradual da carga tributária sobre a produção.
• Medidas contra a concorrência desleal, importações descontroladas, e a economia informal.
• Soluções para o aumento dos custos de energia.
• Instrumentos para lidar com a inadimplência e renegociar dívidas.
• Investimentos em infraestrutura.
• Modernização do trabalho e atualização dos acordos coletivos de trabalho.
A UIA também exigiu que as condições especiais concedidas a grandes projetos de investimento sejam progressivamente estendidas a outros setores produtivos.
Rappallini lembrou que a indústria representa aproximadamente 18% do Produto Interno Bruto, gera cerca de 20% do emprego e contribui com cerca de 30% da receita tributária nacional.
“O debate industrial não é setorial. O que estamos discutindo é que tipo de país queremos construir para as próximas décadas”, concluiu.
Entre as principais preocupações levantadas pelos industriais está o aumento dos custos de energia.
Segundo Rappallini, muitas empresas, especialmente as pequenas e médias, registraram aumentos significativos em suas contas de gás e eletricidade no último ano.
Ele também alertou para o crescimento do que considera concorrência desleal, observando que, em alguns setores, produtos que entram no mercado por canais irregulares, muitos do exterior, já representam entre 30% e 50% do mercado.
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Fonte: Hora do Povo