Evair de Melo defende afastamento imediato de Moraes e transparência sobre caso Master
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Publicado em 14 de Setembro de 2026 às 12:13
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Candidato ao Senado pelo Republicanos, o deputado federal Evair de Melo (Republicanos) disse que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) foi causada por um avanço dessa Corte sobre o Poder Legislativo e pelas decisões “obscuras lideradas pelo ministro Alexandre de Moraes”. Para ele, não há dúvidas do envolvimento do magistrado com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Com base nisso, Evair disse que, caso seja eleito para o Senado nas Eleições 2026, defenderá o impeachment do ministro do STF.
“Se eu for senador, eu votaria sim pelo afastamento imediato do ministro Moraes. Espero que Fachin [Edson Fachin, presidente do Supremo] possa tirar as prerrogativas de decisão de Moraes e tenho cobrado muito para que Alcolumbre [Davi Alcolumbre, presidente do Senado] instale logo o processo de investigação para que toda verdade possa transparecer. […] Moraes precisa, sim, ser afastado, pelo bem da República”, destacou.
A afirmação de Evair de Melo foi feita durante a série de sabatinas de A Gazeta e CBN Vitória com os candidatos ao Senado na manhã desta segunda-feira (14), na sede da Rede Gazeta.
O deputado federal ainda classificou Vorcaro como um mafioso e afirmou que Moraes está comprovadamente envolvido com essa “máfia” liderada pelo ex-banqueiro. O parlamentar disse que há uma omissão histórica do Senado em exercer papel fiscalizador e regulador dos outros Poderes, o que teria permitido o “avanço” do STF.
“Tenho sido crítico ao STF desde 2019. Já tinha alertado que o STF estava avançando sobre os outros Poderes e tinha decisões obscuras, lideradas pelo ministro Moraes. Agora, temos provas contundentes e inquestionáveis do envolvimento de Moraes com a máfia, porque Vorcaro tem ares de máfia. Então, fica insustentável sua continuidade”, declarou.
Ainda sobre o envolvimento de autoridades com Vorcaro, o candidato foi questionado sobre o caso do filme “Dark Horse”, que trata da história do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo investigações da Polícia Federal, o senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro e candidato do PL à Presidência da República, teria pedido dinheiro ao ex-banqueiro para bancar a produção cinematográfica.
Sobre este cenário, Evair defendeu a transparência, dizendo que “nem todas as ações do Banco Master foram criminosas”. “O que vai revelar isso serão a boa investigação e a transparência dos fatos. Só com a abertura de tudo vamos separar o joio do trigo e saber o que é crime e o que não é crime.”
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Evair acrescentou que Flávio Bolsonaro não teve nenhuma relação pública com Vorcaro que mobilizasse seu cargo como senador. Para ele, a relação evidenciada a partir de troca de mensagens entre os dois representa apenas uma ligação privada.
“Nem todo mundo que teve operações com o Banco Master vai ser criminalizado. Investigação e a verdade precisam aparecer”, disse o deputado.
Sobre o tema da segurança pública e o combate ao crime, Evair de Melo disse ser necessário e vitar a entrada dos jovens no mundo do crime, com a adoção de políticas públicas voltadas a esse público e investimentos em escolas e atividades culturais.
“É necessário oferecer política pública: treinamento, qualificação, escola em tempo integral, escolas técnicas, para que o jovem, além da formação de conteúdo, também possa ter decisão profissional”, afirmou. Para Evair, quanto mais cedo o jovem é levado para a vida profissional, menos risco ele corre de ir para o mundo do crime.
O deputado também afirmou ser a favor da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. “Aqueles que fazem a opção de ir para o mundo do crime precisam ser punidos com mais dureza e exemplarmente, logo no começo. Se eu não cuidar no início, depois eu vou perder o controle.”
Evair também se posicionou contra a “saidinha” dos presidiários. Segundo ele, essa prática autorizada tem sido utilizada para o cometimento de novos crimes. Para o deputado, também é preciso garantir o cumprimento integral e efetivo das penas.
Conforme o parlamentar, a falta de uma punição dura e exemplar dá ao criminoso a perspectiva de que pode perpertuar a execução de atos ilícitos. “Então, é preciso aumentar o rigor, reduzir a entrada, ter punição severa, e, principalmente para crimes hediondos, ter efetivamente o cumprimento de pena na sua totalidade.”
Quanto à ideia de classificar as organizações criminosas como terroristas, Evair afirmou que é favorável sob o argumento de que, no Brasil, há territórios tomados pelas facções que, segundo ele, utilizam as mesmas estratégias de outras organizações terroristas do mundo, como Hamas e Hezbollah, que também, segundo ele, baseiam conflitos em disputas econômicas.
“Eu sou favorável a reconhecer o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas porque, efetivamente, eles operam assim”, defendeu.
Além disso, ele afirmou que, como as facções brasileiras atuam nas fronteiras, a discussão sobre o tema deve ser internacional. Para ele, isto seria necessário para evitar o fluxo financeiro dos grupos.
O candidato ainda aproveitou o tema para afirmar que o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) tem relação com os grupos criminosos. Para ele, o movimento “vende uma bandeira ideológica”, mas “desestabiliza a República, não respeita a propriedade privada e tem conexão com as farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) colombianas”.
Evair defendeu, então, que o MST também seja classificado como organização terrorista, principalmente por uma suposta relação com a Venezuela. O deputado acusou o movimento, sem apresentar provas, de oferecer milícia armada para lutar no país vizinho, em favor do ditador Nicolás Maduro
Apesar de ter votado pelo fim da escala 6×1, o deputado fez críticas ao texto que reduz a jornada de trabalho. Segundo ele, ainda há dúvidas e necessidade de aperfeiçoamento para garantir, por exemplo, “que as empresas possam continuar competitivas, gerando novos empregos”.
Para Evair, também não basta “dar uma folga ao trabalhador”, se ele perder renda e precisar de trabalhos informais sem proteção legal. “Vou trabalhar no Senado para aperfeiçoar esse texto, reduzindo sim a escala, mantendo a perspectiva de renda e crescimento da renda”, afirmou.
O candidato também defendeu a permissão de livre negociação entre trabalhadores e empresas para ampliação da jornada de trabalho, para que os funcionários possam “abrir mão da folga” para “complementar a renda”.
Para ele, a implementação das premissas básicas para essa negociação podem requerer a atuação dos sindicatos, mas “em questões pontuais”, o pacto seria firmado entre empregador e empregado diretamente.
Questionado sobre o debate em torno da destinação de recursos por meio de emendas parlamentares impositivas, Evair de Melo afirmou que o Espírito Santo foi beneficiado pela modalidade. Antes, segundo ele, o Estado ficava “em segundo plano em relação ao orçamento”.
“Esse modelo que prestigia as emendas de bancada e permite que os deputados tenham suas emendas impositivas é muito mais democrático e republicano. Permite que estados pequenos como o nosso sejam contemplados”.
Ao mesmo tempo, entretanto, o candidato disse que é necessária uma maior fiscalização e transparência para garantir a manutenção das emendas e também pontuou que os responsáveis pela execução das emendas não são os parlamentares, mas as prefeituras e governos estaduais.
Sobre os efeitos extremos das mudanças climáticas, o concorrente ao Senado afirmou que tem uma relação muito próxima com a sustentabilidade e é defensor “da ciência, do acompanhamento, da boa informação e práticas sustentáveis”.
Ao se referir ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que negou a influência de ações humanas nas mudanças climáticas, Evair disse que “talvez ele não tenha o conhecimento técnico tão aprofundado do tema quanto eu tenho”.
“No meu caso, como senador, eu vou trabalhar sempre pela defesa incondicional de práticas sustentáveis”, disse relembrando a trajetória como diretor-presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).
Por fim, ao ser questionado sobre a ifluência humana no meio ambiente, ele disse que “não há ação do homem sobre a Terra que não gere impacto. Por isso a ciência e a informação para que possamos mitigar esses impactos”, afirmou.
As entrevistas com os candidatos ao Senado nas Eleições 2026 começaram nesta segunda-feira (14) e prosseguem até sexta-feira (18), com duração de 40 minutos e transmissão ao vivo pela CBN Vitória, no site, no YouTube e nas redes sociais oficiais de A Gazeta.
Conforme as regras registradas no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), participam os postulantes que obtiveram pelo menos 5% das intenções de voto na última pesquisa estimulada do Instituto Quaest, contratada pela Rede Gazeta e divulgada no dia 27 de agosto.
CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DOS PRÓXIMOS DIAS
Terça-feira (15), às 10h – Sérgio Meneguelli (PSD)
Quarta-feira (16), às 10h – Fabiano Contarato (PT)
Quinta-feira (17), às 10h – Rose de Freitas (MDB)
Sexta-feira (18), às 10h – Maguinha Malta (PL)
O bate-papo é conduzido pela âncora da CBN Vitória, Fernanda Queiroz, acompanhada, todos os dias, pelos colunistas de política Letícia Gonçalves e Vitor Vogas. Os demais colunistas do site — Abdo Filho, Leonel Ximenes e Vilmara Fernandes — se revezam ao longo da semana.
A ordem das sabatinas também foi definida a partir do levantamento Quaest. O primeiro colocado no cenário estimulado foi o primeiro entrevistado nesta segunda-feira; o segundo, participará na terça-feira; e assim sucessivamente. Ainda seguindo as regras, como há mais de cinco candidatos com 5% ou mais de intenção de voto, o sexto colocado, no caso Evair, também foi sabatinado na segunda-feira.
Os candidatos que não atingiram o percentual mínimo previsto nas regras serão contemplados com uma entrevista gravada, de três minutos, que também será veiculada em A Gazeta e na CBN Vitória após o encerramento das sabatinas.
São eles: Marcos do Val (Avante), que alcançou 4% na pesquisa; Rodney Miranda (PRTB) e Professor Fabian (PSol), ambos com 2%; Leonardo Monjardim (Novo) e Wellington Callegari (DC), que obtiveram 1%.
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