Preços do petróleo sobem quase 3% após ataques à Arábia Saudita e tensão no Estreito de Ormuz

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – Os preços do petróleo registraram forte alta de cerca de 3% nesta segunda-feira (14), impulsionados pela escalada de novos ataques contra infraestruturas energéticas e civis na Arábia Saudita, além de investidas iranianas contra embarcações no Golfo Pérsico. O cenário agravou significativamente as preocupações do mercado internacional com a oferta global do produto, sobretudo após o fechamento forçado de um dos principais oleodutos sauditas, informa a agência Reuters.

Na cotação dos contratos futuros, o petróleo Brent avançava US$ 2,93, representando um ganho de 2,8%, atingindo a marca de US$ 107,54 por barril. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI) apresentava valorização de US$ 2,88, uma alta de 2,9%, negociado a US$ 102,93 por barril. As altas dão continuidade ao movimento da semana passada, quando a commodity disparou 8% devido às interrupções no fornecimento, superando a barreira dos US$ 100 pela primeira vez desde julho.

Em análise divulgada ao mercado, estrategistas de commodities do banco ING destacaram a gravidade da situação atual. “Isso ocorre após uma intensificação dos ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita, incluindo o oleoduto Leste-Oeste, de crucial importância”, afirmaram os especialistas. Eles ressaltaram, contudo, que ainda não há clareza total sobre a dimensão dos danos causados ou sobre o período exato em que a estrutura precisará permanecer fora de operação.

O oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita teve suas atividades temporariamente suspensas após ser alvo de um ataque realizado com drones, conforme confirmado por autoridades do reino saudita. A paralisação da estrutura é considerada crítica porque o duto permite à Arábia Saudita contornar o Estreito de Ormuz para redirecionar suas exportações de combustível. O bloqueio temporário dessa rota coloca sob ameaça direta até 4% de todo o abastecimento global de petróleo.

Com a interrupção do fluxo pelo oleoduto, o porto de Yanbu, localizado no Mar Vermelho, opera com capacidade limitada. De acordo com informações prestadas por três fontes do setor produtivo familiarizadas com a logística de exportação saudita, o local possui estoque suficiente para cobrir apenas entre cinco e sete dias de exportações.

A tensão na região do Oriente Médio também se desdobra em frentes militares e marítimas. A mídia estatal saudita divulgou imagens em vídeo que mostram os estragos provocados a residências e a uma mesquita na província de Jazan, no sul do país, atribuindo as investidas aos rebeldes houthis. Por sua vez, o grupo houthi confirmou ter atacado também uma base militar saudita situada em uma província vizinha.

Paralelamente, a segurança no tráfego marítimo internacional sofreu novos abalos. A agência britânica de segurança marítima (UKMTO) informou que uma embarcação que navegava pelo Estreito de Ormuz foi atingida por um projétil, provocando um incêndio a bordo e forçando a imediata evacuação de toda a tripulação. No mesmo contexto de hostilidades, autoridades do Irã comunicaram que uma pessoa morreu e quatro tripulantes ficaram feridos após um navio comercial iraniano ser atingido na costa do país.

Mais ao sul, os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, avançaram para a ilha de Perim com o objetivo de reforçar o controle sobre o estreito de Bab el-Mandeb. A região consiste em outra rota marítima vital para o comércio de energia, sendo responsável pelo trânsito de 4% a 5% de todo o suprimento global de petróleo nos últimos meses.

Diante do agravamento da crise, as tentativas de interlocução diplomática sofrem atrasos. O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, confirmou que uma reunião entre os países do Golfo e o Irã, agendada para discutir a segurança no Estreito de Ormuz, acabou sendo adia. O impasse político permanece travado, sem que nenhuma negociação de paz tenha sido realizada em relação à guerra iniciada há seis meses pelos Estados Unidos e por Israel, desde que o acordo provisório firmado em junho fracassou.

Fonte: Brasil 247

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