Maranhão foge da polarização nacional com Braide na liderança e base governista dividida
Por Maria Eduarda Portela — JOTA
A eleição para o governo do Maranhão tem se afastado da polarização que marca a corrida ao Palácio do Planalto, protagonizada pelo presidente Lula (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto a antiga aliança que governa o estado chega dividida à disputa, Eduardo Braide (PSD), ex-prefeito de São Luís, mantém-se neutro na corrida nacional e lidera as pesquisas de intenção de voto.
A pesquisa Quaest, divulgada em 24 de agosto, mostra Braide com 44% das intenções de voto, seguido por Orleans Brandão (MDB), sobrinho do atual governador Carlos Brandão (MDB), com 25%. Felipe Camarão (PT), vice-governador, aparece com 6%, enquanto Roberto Rocha (PRTB) tem 3%.
A divisão entre Orleans e Camarão expõe o racha na aliança que governa o Maranhão desde a eleição de Flávio Dino, então no PSB e hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ao governo do estado em 2014.
Brandão foi vice-governador de Dino durante dois mandatos e assumiu o Palácio dos Leões em 2022, quando o então governador deixou o cargo para concorrer ao Senado. As divergências dentro do grupo, porém, já haviam ficado evidentes nas eleições municipais de 2020 e se aprofundaram durante a gestão de Brandão até culminarem no racha da sucessão estadual de 2026.
Na disputa pela Prefeitura de São Luís em 2020, o grupo já chegou dividido. Brandão, na época no PSB, apoiou Duarte Jr., candidato pelo Republicanos, enquanto o senador Weverton Rocha (PDT), aliado de Dino, ficou com Neto Evangelista, do DEM. Rubens Pereira Jr., na época no PCdoB, então secretário das Cidades e Desenvolvimento, também concorreu. Eduardo Braide, que era filiado ao Podemos, venceu a eleição.
O acordo costurado inicialmente para a eleição deste ano previa que Brandão deixaria o governo para concorrer ao Senado, abrindo espaço para Felipe Camarão assumir o Palácio dos Leões. O governador decidiu permanecer no cargo e lançou o sobrinho, Orleans, para sucedê-lo.
O racha deixa Lula com dois palanques no estado: Orleans que declarou apoio a reeleição do petista e Felipe Camarão, candidato do PT ao governo maranhense.
Aposta na neutralidade
Embora seu partido tenha Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, como candidato à Presidência, Eduardo Braide prefere se manter neutro na disputa nacional.
Na chapa para o Senado, o ex-prefeito de São Luís tem dois candidatos que divergem na disputa nacional: André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo).
Ao justificar a neutralidade, Braide afirma que o Maranhão tem problemas maiores que a disputa entre direita e esquerda. “E, como governador, eu terei a obrigação de me relacionar bem com o presidente que o povo brasileiro escolher para tirar o Maranhão do atraso”, argumenta.
A neutralidade ocorre em um estado onde a maioria do eleitorado prefere um governador alinhado a Lula. Segundo a Quaest, divulgada em 24 de agosto, 54% dos entrevistados preferem que o governador eleito seja aliado de Lula, enquanto 16% optam por um aliado de Flávio Bolsonaro. Outros 25% querem um governador independente.
Direita busca espaço
Sem candidato próprio ao governo, o PL apoia Roberto Rocha, que tem 3% na Quaest. Flávio Bolsonaro conta ainda com Cidônio Gonçalves (PL), candidato ao Senado, e com Lahesio Bonfim (Novo), cuja força política está principalmente no interior e em regiões ligadas ao avanço do agronegócio, como Imperatriz e Balsas.
As dificuldades de Flávio Bolsonaro vão além do palanque político no Maranhão. A pesquisa Quaest mostra que 43% dizem que o apoio do senador do PL reduz a chance de votar em um candidato, contra 21% no caso de Lula.
O Maranhão concentra 5,18 milhões de eleitores aptos a votar em 2026, o quarto maior colégio eleitoral do Nordeste, atrás de Bahia, Pernambuco e Ceará. O estado tem 11,9% dos 43,5 milhões de eleitores da região.
Fonte: JOTA