48h em Zurique, a cidade não-óbvia para um verão europeu à beira lago

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Por Maria Eduarda NogueiraSeu Dinheiro

A Suíça não é o país das grandes metrópoles efervescentes. Você não encontrará nem perto do frenesi de Nova York ou de Tóquio e, felizmente, nem a horda de turistas de Barcelona e de Paris. É justificável, afinal, é um país diminuto cuja pérola do turismo são as paisagens naturais estonteantes.

Para se ter uma noção de dimensões, a Suíça inteira tem 9 milhões de habitantes, o que é só um pouco a mais do que a população da cidade de Nova York.

Mas nem todos precisam de uma Big Apple, ainda mais quando se tem lagos turquesa emoldurados pelos Alpes. É justamente por ter ganhado essa “loteria geográfica” que a Suíça fez sua fama e continua atraindo milhões de turistas todos os anos. De acordo com dados do escritório de turismo, o país registrou quase 44 milhões de pernoites em hotéis em 2025.

Ainda assim, você consegue viver uma experiência urbana sem abrir mão da extraordinária natureza suíça, em um destino com conexão aérea direta com o Brasil (são sete voos semanais da Swiss) e fácil de acessar de trem a partir de Paris e de Milão.

Zurique, na Suíça
Zurique, na Suíça

O eurosummer que fala baixo

Zurique não é a escolha óbvia para passar um verão na Suíça, embora seja o primeiro destino dos brasileiros quando vão ao país, de acordo com o escritório de turismo nacional.

E verdade seja dita, também não é o destino mais bucólico e cênico para quem quer uma viagem de desconexão total.

No entanto, mesmo sendo uma das maiores cidades do país, Zurique tem três trunfos a seu favor. Primeiro, trata-se de uma cidade muito bem estruturada para quem passar um verão à beira de seu extenso lago. Além disso, é silenciosa (mesmo no burburinho do centro histórico). E, sobretudo, ela é bem conectada com o resto da Suíça e com outros países na Europa, para quem planeja um eurosummer multidestinos.

Não é difícil entender por que ela está há anos nas melhores posições do ranking de cidades mais habitáveis do mundo, segundo o Global Liveability Index, da The Economist.

Para conhecê-la, 48 horas são o suficiente, ainda mais se forem bem planejadas.

  • Em tempo: acredite em tudo que já ouviu sobre a pontualidade suíça. Os ônibus, trams e trens chegam exatamente no horário que anunciam, o que facilita bastante o planejamento.

O que fazer no seu primeiro dia de verão em Zurique?

Diferentemente, no verão europeu, o infame “calor do meio-dia” na verdade começa às 15h. Isso faz com que a manhã seja melhor turistar ou o fim de tarde. No meio da tarde, a dica é aproveitar o lago.

Pegue o primeiro horário do dia para o Landesmuseum, ou Museu Nacional de Zurique (que fica na Museumstrasse 2). A instituição é quase como o Louvre da cidade, por sua imensa coleção. O edifício por si só vale a visita. São dois prédios, sendo um deles o castelo neomedieval original do final do século 19, e o outro, o anexo moderno dos anos 2010.

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Durante o verão, o pátio do museu torna-se o local do festival da rádio Rundfunk.fm, um evento democrático, autêntico e frequentado pelos locais. A entrada é gratuita.

Em seguida, aproveite o sol mais fraco para subir até o Mirante Lindenhof, um dos pontos de observação mais bonitos do centro da cidade, que dá vista direta para o rio Limmat, também indicado para banho.

  • Nas proximidades, no Stadthausquai, está a piscina Frauenbad: uma área de banho feita só para mulheres, em pleno coração de Zurique. A versão só para homens é no Schanzengraben, nos arredores do Jardim Botânico.

Zurique embaixo d’água

O mais interessante, no entanto, é banhar-se no próprio lago Zurique. Existem duas opções de ir até os pontos banháveis mais agradáveis: locomover-se por dentro da cidade até a altura desejada, ou fazer o cruzeiro de barco e descer no ponto que mais te agradar. O cruzeiro, cuja saída é na estação central Bürkliplatz, tem diferentes durações a depender do seu ingresso. A versão de 1h30 já é suficiente para as paradas estratégicas.

As regiões de banho de Strandbad Tiefenbrunnen, Seebad Enge e Strandbad Mythenquai são todas facilmente acessíveis através deste cruzeiro.

Você pode tomar banho diretamente no lago ou acessar as piscinas fechadas, que contam com mais estrutura. O preço geralmente gira em torno de 8 francos por pessoa (R$ 51).

À noite, conheça o Frau Gerolds Garten (que fica na Geroldstrasse 23), um espaço de restauração a céu aberto, com tradicionais comidas suíças e uma atmosfera descontraída.

Verão em Zurique: aproveitando o segundo dia

No segundo dia, repita a mesma fórmula: passeios turísticos de manhã ou no final da tarde; meio do dia, lago. Se quiser ir ao Museu da Lindt, que fica mais afastado do centro, aproveite um desses períodos. 

O passeio no centro histórico de Zurique se faz a pé obrigatoriamente. Grande parte das ruas são exclusivas para pedestres.

Suba na torre da igreja Grossmünster para outra vista do alto da cidade. Permita-se ficar um pouco perdido no centro para descobrir boutiques e restaurantes. São tantas vielas e curvas que usar o Google Maps é quase tão confuso quanto andar sem roteiro.

Independentemente do seu budget, dê uma volta na rua principal, a Bahnhofstrasse. Trata-se de uma rua de lojas de luxo com um dos metros quadrados mais caros do mundo. Além de todas as grandes maisons francesas e italianas, você verá muitas joalherias e relojoarias. Afinal, é a Suíça.

Zurique
Zurique

Uma tarde sem pressa

O almoço no centenário Zunfthaus zur Waag (na Münsterhof 8), também no centro, vai te permitir provar culinária suíça de alto nível. Os pratos giram em torno de 50 francos (R$ 320). Faça a reserva antes.

Deixe a sobremesa para a tradicional confeitaria Sprüngli (na Bahnhofstrasse 21) e seus mini macarons. No verão, macaron com sorvete é uma versão mais sofisticada e diferenciada para substituir o picolé.

Para mais um dia de lago, vá para a região do Seefeld Quai e escolha uma faixa de grama para chamar de sua. Uma das vantagens, principalmente em ondas de calor, é que há bastante árvores fazendo sombra por ali.

Para nadar numa área de piscina na região, vá até a Seebad Utoquai. Você também pode fazer aulas de stand up paddle.

Nas proximidades, o café da revista Monocle (na Dufourstrasse 90) é uma mistura de boutique com banca de jornal high end. Em outras palavras: lugar ideal para ler com calma e ainda acessar uma curadoria irretocável de produtos de marcas mundiais (tem até sandália brasileira diferente de Havaianas).

Café Monocle em Zurique
Café Monocle em Zurique

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Fonte: Seu Dinheiro

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