60% dos PJs não recebem benefícios; veja o que deve mudar nas contratações em 2027

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Por Allan RavagnaniCarta Capital

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Levantamento da HUG revela lacuna de benefícios entre profissionais PJ e aponta cinco mudanças que devem marcar as equipes no próximo ano

Seis em cada dez profissionais que atuam como pessoa jurídica não recebem nenhum benefício além do valor combinado com a empresa contratante. O dado aparece em levantamento com 73 profissionais PJ e ajuda a explicar por que as contratações por projeto entram em uma nova fase a partir de 2027.

Até aqui, a flexibilidade no mercado de trabalho avançou pelo trabalho remoto, pelos contratos por projeto e pela entrada de profissionais independentes. O próximo passo, segundo especialistas, é a consolidação de estruturas mais fluidas, em que especialistas entram e saem das equipes conforme os ciclos do negócio.

Essa lógica já tem nome: Open Talent Economy. No modelo, as empresas ampliam as fronteiras da contratação e combinam profissionais permanentes com freelancers e talentos acionados por projeto, sem concentrar todo o conhecimento em uma estrutura fixa.

A HUG, gestora de talentos do setor de comunicação, mapeou cinco mudanças que devem marcar as contratações em 2027. Segundo a empresa, o avanço dos modelos flexíveis só se sustenta se vier acompanhado de mais clareza sobre benefícios, segurança e continuidade da relação de trabalho.

“Estamos entrando em uma fase em que a discussão deixa de ser simplesmente CLT versus PJ. O que as empresas precisam entender é como construir relações de trabalho que façam sentido para diferentes formatos de contratação”, afirma Gustavo Loureiro, CEO da HUG.

Manter um especialista na estrutura da empresa o ano inteiro deixa de ser a única saída para acessar uma competência específica. Em 2027, a expectativa é de mais empresas acionando profissionais conforme o projeto ou a demanda do momento.

Áreas como tecnologia, produto, dados, marketing e design já usam esse formato, sobretudo quando falta uma competência por um período determinado, mas não existe motivo para abrir uma vaga permanente.

Para Loureiro, essa mudança altera também a montagem das equipes. “Existem momentos em que uma empresa precisa de um especialista muito específico por três ou seis meses para resolver um problema, estruturar uma área ou acelerar um projeto. A capacidade de identificar rapidamente esse profissional e incorporá-lo ao time passa a ser uma vantagem competitiva”, explica.

Enquanto os formatos de contratação mudaram, a estrutura de benefícios nem sempre acompanhou o movimento. É o que mostra o número de 60,3% de PJs sem nenhum benefício, revelado pela pesquisa da HUG.

Segundo a empresa, a resposta não passa por copiar o pacote da CLT, e sim por criar alternativas compatíveis com relações independentes, com iniciativas de saúde, bem-estar, desenvolvimento profissional ou proteção financeira.

“Existe uma diferença entre oferecer flexibilidade e deixar o profissional completamente desassistido. Quando 60,3% dos PJs dizem que não recebem nenhum benefício, aparece uma lacuna do mercado”, avalia Loureiro.

Por muito tempo, reter talentos foi tarefa associada aos funcionários com carteira assinada. Com a expansão dos formatos flexíveis, esse conceito passa a valer também para quem trabalha por projeto.

Mesmo depois de encerrado um contrato, a empresa pode querer manter aquele profissional disponível para demandas futuras. Por isso, a experiência durante a contratação, o relacionamento com gestores e o cumprimento dos acordos passam a pesar na decisão do especialista de aceitar voltar.

“Um bom profissional independente tem escolhas. Ele pode decidir com quais empresas quer trabalhar novamente. Pagamento em dia, escopo claro, boa liderança, respeito ao contrato e organização parecem pontos básicos, mas influenciam diretamente a decisão de permanecer ou retornar”, diz Loureiro.

Quanto mais flexível o mercado fica, maior tende a ser a procura por previsibilidade. Empresas que contratam por projeto ou por período precisarão definir com clareza escopo, duração, condições de pagamento e possibilidade de continuidade.

A transparência começa no recrutamento. Informações sobre remuneração, modelo contratual, benefícios e prazo de duração ajudam o profissional a decidir se aquela oportunidade faz sentido para ele.

“Flexibilidade não pode significar falta de previsibilidade. O profissional precisa saber o que está aceitando, por quanto tempo, quais são as entregas esperadas e quais condições terá durante aquele período”, reforça Loureiro.

Com equipes montadas cada vez mais por projeto, o tempo para encontrar o profissional certo passa a valer tanto quanto a escolha em si. Uma demanda pode exigir uma competência que a empresa não tem internamente, e um processo seletivo longo pode custar parte da oportunidade de negócio.

Por isso, a aposta para 2027 é combinar velocidade e precisão, usando tecnologia, dados e redes de profissionais para reduzir o intervalo entre identificar a necessidade e colocar o especialista no projeto.

Na operação da HUG, essa lógica já funciona na prática. Com um banco de mais de 15 mil profissionais cadastrados, a empresa já fechou contratações de especialistas em marketing e comunicação em dois dias. Em média, os processos são concluídos entre 18 e 25 dias, com índice de retenção de 96% entre os contratados.

“Velocidade não significa contratar de qualquer maneira. O desafio é diminuir o tempo gasto procurando e aumentar o tempo dedicado a avaliar quem tem aderência técnica e comportamental”, explica Loureiro.

Ainda segundo o CEO da HUG, as contratações de 2027 devem ser vistas como um conjunto que envolve remuneração, benefícios, segurança, transparência e possibilidade de continuidade, independentemente do vínculo firmado com o profissional.


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Fonte: Carta Capital

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