Produtora de “Dark Horse” pagou hotel e cartão de crédito do deputado bolsonarista Mário Frias

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Por Hora do PovoHora do Povo

Projetos de fachada irrigavam produtora do filme. Flávio Bolsonaro, que pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, do banco Master, é investigado por lavagem de dinheiro e evasão

Novas revelações envolvendo deputados bolsonaristas com a produção do filme autobiográfico de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”, apontam favorecimentos pessoais com base no dispêndio de verbas públicas.

Depois da confirmação por parte da Polícia Federal, em relatório, de que parlamentares bolsonaristas enviaram dinheiro público para projetos de fachada que abasteciam a produção do filme, vem à tona a informação que a Go Up Entertainment, a produtora, pagou faturas de cerca de R$ 136,8 mil de cartão de crédito e R$ 11,2 mil de hospedagens para o deputado federal Mário Frias (PL-SP) em 2025.

Frias foi o roteirista de “Dark Horse” e Karina Gama, sócia da Go Up, foram alvos de ação da Polícia Federal na última quinta-feira (10). A operação mira um suposto esquema de desvio recursos públicos de emendas parlamentares no financiamento do filme.

As gravações de “Dark Horse” aconteceram entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025. As faturas de Frias foram pagas entre 22 de agosto e 19 de novembro de 2025. As informações constam nos documentos das investigações que tiveram sigilo derrubado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, na sexta-feira (11), depois de instado pelo presidente da Corte, Edson Fachin.

Entre os pagamentos, constam, com as respectivas datas:

22/08/2025: R$ 32.604,39 de cartão de crédito;

25/09/2025: R$ 34.164,08 de cartão de crédito;

21/10/2025: R$ 33.242,21 de cartão de crédito;

28/10 a 31/10/2025: R$ 3.675,00 de hospedagem;

31/10 a 04/11/2025: R$ 4.666,30 de hospedagem;

04/11 a 10/11/2025: R$ 7.560,00 de hospedagem;

19/11/2025: R$ 36.857,35 de cartão de crédito.

O parlamentar transferiu R$ 645 mil para a Go Up, repasses considerados “incompatíveis” com a renda do parlamentar, segundo a investigação. “Essa circunstância faz com que ele transcenda a condição de mero autor de emendas parlamentares posteriormente desviadas por terceiros, e coloca o parlamentar como participante ativo da engrenagem financeira sob investigação”, afirma a Polícia Federal.

O deputado foi procurado, mas não respondeu até a publicação da reportagem. O espaço está aberto a manifestações. Após a operação, o parlamentar publicou um vídeo em que se refere à ação da PF como “cortina de fumaça” às vésperas das eleições. “Vou colaborar com tudo que for pedido. Vou entregar cada documento. E vou seguir na rua, mantendo minha agenda, representando São Paulo e apoiando meu presidente Flávio Bolsonaro”, afirmou.

A PF também investiga Flávio Bolsonaro por lavagem de dinheiro no caso em que pediu R$ 134 milhões para Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a produção do filme. A suspeita dos investigadores é que todo esse dinheiro era desviado, e não utilizado na filmagem de “Dark Horse”.

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Fonte: Hora do Povo

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