Produtor de “Dark Horse” nos EUA barra envio de dados de filme sobre Bolsonaro à PF
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – O sócio majoritário nos EStados da produtora Go Up Entertainment LLC, responsável por “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL), orientou a empresa a não entregar diretamente à Polícia Federal documentos solicitados na investigação sobre o financiamento da produção. Michael Brian Davis sustenta que dados mantidos sob jurisdição dos Estados Unidos devem permanecer no país até que o pedido brasileiro percorra os canais formais de cooperação jurídica internacional.
Segundo o SBT News, a orientação consta em um e-mail enviado por Davis em 2 de setembro à produtora Karina Ferreira da Gama. A mensagem foi encaminhada depois que a empresa recebeu um ofício da PF requisitando informações sobre os recursos empregados na produção do longa-metragem.
Segundo a reportagem, Davis se apresentou como sócio majoritário da Go Up Entertainment LLC e informou ter consultado advogados nos Estados Unidos antes de orientar a companhia sobre a solicitação brasileira.
No e-mail, o empresário afirmou que não autorizava o envio direto às autoridades brasileiras ou a terceiros de documentos societários, contábeis, fiscais, bancários e contratuais.
“Eventuais requisições de autoridades brasileiras que envolvam documentos ou dados sob jurisdição americana devem ser formalizadas exclusivamente pelos canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional competentes”, afirmou Davis.
O sócio da Go Up também declarou que a produção, exibição ou entrega dos documentos deveria ocorrer somente depois de uma ordem expedida por autoridade judicial estadunidense, com garantia do direito de defesa da empresa.
PF deu prazo de dez dias
A Polícia Federal havia encaminhado o ofício à produtora em 19 de agosto e estabelecido prazo de dez dias para o fornecimento das informações.
Os investigadores querem reconstruir o caminho percorrido pelos recursos utilizados na produção de “Dark Horse”. Para isso, requisitaram contratos, comprovantes de pagamento, instrumentos de câmbio, notas fiscais, documentos societários, registros bancários e informações referentes ao financiamento do filme.
A posição apresentada por Davis cria um impasse sobre o procedimento necessário para que as autoridades brasileiras obtenham documentos mantidos nos Estados Unidos. O sócio da Go Up argumenta que o material não deve ser repassado diretamente à PF e que a requisição precisa tramitar pelos mecanismos oficiais de cooperação jurídica internacional.
Investigação rastreia dinheiro do filme
A apuração da Polícia Federal está relacionada a transferências atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e à possível utilização de estruturas como a empresa Entre Investimentos e o fundo Havengate.
A PF tenta verificar se os valores utilizados na produção de “Dark Horse” correspondem aos pagamentos registrados nos documentos financeiros e nas mensagens analisadas durante a investigação.
Os investigadores também procuram esclarecer a função do fundo Havengate, a participação da Go Up Entertainment LLC e uma eventual relação entre transferências internacionais sob apuração e o financiamento do longa-metragem.
Contratos, comprovantes, registros bancários e instrumentos de câmbio requisitados pela PF podem ajudar os investigadores a confrontar as movimentações financeiras identificadas na apuração com os pagamentos relacionados à produção do filme.
Fonte: Brasil 247