Diretores do BC receberam pagamentos de Vorcaro e tentaram ajudar na venda do Letsbank, diz PF

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Por Carolina Maingué PiresJOTA

Um dos relatórios da Polícia Federal (PF) que ficaram públicos na noite de quarta-feira (10/9) expõe detalhes de como os servidores afastados Paulo Sergio Neves de Souza e Belline Santana, do Banco Central (BC), receberam pagamentos de Daniel Vorcaro, de acordo com a PF, para facilitar operações do Conglomerado Master junto à autarquia, incluindo a tentativa de venda do Letsbank — que depois foi liquidado — para o Nubank.

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Conforme a corporação, Neves de Souza, chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), atuou como consultor de Vorcaro dentro do BC, atribuindo, em uma troca de mensagens, “prioridade absoluta” para a atuação em favor dos interesses de empresário.

O servidor também tentou encontrar um comprador para o Letsbank, do conglomerado Master. Ele indicou, primeiro, Daniel Wainstein, ex-sócio do Goldman Sachs. “Me ligue quando puder. Tenho um comprador para o Letsbank”, diz, referindo-se a Wainstein. Posteriormente, o servidor pede para Vorcaro lhe telefonar outra vez, pois “tem gente interessada no Lets novamente”. Ele diz se tratar do Nubank.

Nenhuma das tentativas de venda do Letsbank foi pra frente. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição, por extensão à liquidação extrajudicial do Banco Master.

Neves de Souza também teria alertado Vorcaro de que o diretor de fiscalização do BC, Ailton Aquino, deveria questionar o empresário sobre relações com a gestora Reag Capital.

Belline, chefe do departamento do Desup, teria seguido o mesmo modus operandi, segundo a PF. Em uma troca de mensagens de WhatsApp, por exemplo, ele pergunta se Vorcaro “conseguiu dar uma entrada nos documentos do aumento K do BRB” e responde que “está preocupado com esse passo, pois é fundamental para os demais”.

Fluxo de Pagamentos

Belline teria assinado um contrato simulado de prestação de serviços referente a um “projeto de inclusão de jovens no mercado financeiro”. Tal contrato é encaminhado a Vorcaro por Fabiano Zettel, advogado casado com a irmã de Vorcaro – e doador de R$ 3 milhões à campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022.

Conforme os prints de WhatsApp, após receber a mensagem com o contrato, Vorcaro responde “que circo”, e Zettel ri. Um relatório assinado pelo diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, indica que o contrato previa remuneração total de R$ 2 milhões.

A PF diz inferir, “com pouca margem para dúvidas, que Zettel e Vorcaro adotaram expediente fraudulento, simulando prestação de serviços, para pagamento de propina a servidor público”. O relatório da corporação traz registros de outras mensagens que tratam de pagamentos. O intermediador seria Leonardo Palhares, sócio da empresa Varajo Concultoria Empresarial. Outra pessoa citada como envolvida é a empresária Ana Claudia Queiroz de Paiva.

Em relação a Neves de Souza, o relatório menciona um contrato de venda de imóvel de cerca R$ 4.800.000,00 e pagamento de viagens internacionais.

“O servidor do Banco Central presta serviço de consultoria a Daniel Vorcaro, a quem deveria fiscalizar; o mesmo servidor vende imóvel, em transação milionária, à empresa do cunhado de Daniel Vorcaro; a transação imobiliária é articulada de ordenada pessoalmente por Vorcaro, que adota, inclusive em outras ocasiões, o modus operandi de utilizar seu cunhado para pagamentos ‘suspeitos’; o comprador, segundo a própria versão de Paulo Sérgio, não teria usufruído do imóvel adquirido. Quem continuou a tirar proveito do terreno, mediante lavoura cafeeira, seria o irmão do servidor do Banco Central”, relata a PF.

Em nota, a defesa Belline Santana diz que ele “sempre exerceu suas funções como servidor de carreira do BCB dentro dos estritos limites de suas atribuições, e confia que a análise integral de todos os elementos os quais se retirou o sigilo sejam apreciados com a necessária objetividade, sem conclusões baseadas em recortes ou interpretações descontextualizadas e, em especial, contrariando os próprios desdobramentos da Pet 15504, o que aparentemente é orientado por finalidades escusas”.

O JOTA procurou o Banco Central e tenta contato com a defesa de Neves de Souza. O espaço segue aberto.

Fonte: JOTA

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