11 de setembro de 1973 ou de 2026?, por Urariano Mota

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Por Urariano MotaGGN

11 de setembro de 1973 ou de 2026? *

por Urariano Mota

A pergunta do título não é retórica. A questão é a continuidade histórica entre o golpe fascista de Pinochet  no Chile em 1973 e os dias de hoje. Se não, vejamos.

Há um golpe de Estado contra a democracia e o Presidente Lula neste momento em marcha.  A expressão mais evidente desse fascismo vivo se encontra com o ministro do stf  andré mendonça. E tão pequeno ele é, que só mesmo em minúsculas, porque o golpista apequena tudo em que mete as mãos. Com apoio da mídia do capital e de esquerdistas sectários dos mais míopes, ele parte para implodir o STF. Mas já antes, ele mostrava quem é. Quando ministro da justiça, ele produzir um dossiê contra mais de 570 servidores federais e estaduais de segurança, identificados como membros do “movimento antifascismo”. Olhem só a natureza do crime dos servidores. Desse ministro não se pode dizer que erra os adversários. andré mendonça teve seus dossiês quando ministrinho da justiça, durante o governo de jair bolsonaro, considerados inconstitucionais pelo STF em 2022. A relatora do processo, ministra Cármen Lúcia, chegou a nivelar a produção do dossiê do ministrinho às atividades realizadas durante a ditadura militar brasileira.

Tampouco se pode falar dele que não seja ousado nem possua doses cavalares de cinismo.  Isso jamais do ministrinho poderá ser falado, pois é seu um tamanho mérito. Há pouco, ordenou que suspeitos de desvios no INSS fossem soltos. Agora, tenta alterar a correlação de forças dentro da Corte para abrir caminho a uma anistia que beneficie envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e na tentativa de golpe de Estado! Notem que desse modo ele avança contra provas documentadas de crimes tentados contra as mais altas autoridades.

Ele tenta destruir, por exemplo, uma investigação da Polícia Federal que descobriu cinco indivíduos presos (quatro militares e um policial federal) em conversa de 2022 em um aplicativo de mensagens para matar o presidente Lula. E mais o vice, Geraldo Alckmin  e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Todos seriam assassinados juntos, ou em diferentes oportunidades no mesmo dia, como era feito na ditadura militar. Lula seria envenenado com  “utilização de envenenamento ou uso de [produtos] químicos”. No caso de Moraes, seria usado artefato explosivo. Para matar o presidente Lula, consideraram  a sua vulnerabilidade de saúde e ida frequente a hospitais, com a possibilidade de utilização de envenenamento ou uso de químicos para causar um colapso orgânico.

Agora, andré mendonça tenta matar de outra maneira. Os fascistas mudam a máscara, mas não o objetivo.  Eles são formados, para os quartéis e fora,  todos os dias nas escolas militares até hoje. Aqui, numa imagem tão bem criada pelo gênio do cartunista Ral:

As escolas militares doutrinam, fazem uma verdadeira Escola com Partido à direita, enquanto escondem a história trágica e o papel destruidor de vidas pela Ordem da ditadura militar. Os colégios militares continuam independentes da democracia do Brasil, como se fossem ilhas inexpugnáveis à civilização.

Daí que voltamos à pergunta do título: 11 de setembro de 1973 ou de 2026? Em 11 de setembro de 1973, livros eram queimados por soldados do exército nas ruas do Chile. Em um país de grandes poetas e tradição humanista, a foto do horror escapou do paradoxo, porque ela se fez coerente com o assassinato do poeta Pablo Neruda pela ditadura. E depois, a imagem de livros no fogo era tão simples e pornográfica, ao mesmo tempo de tamanho didatismo sobre a ideologia fascista no seu carbono Pinochet, que um comentário passaria pelo já visto, ao lembrar e repetir ações de Hitler a Franco, todos ótimos queimadores de escritores, livros e inteligência. 

Agora, as tentativas de andré mendonça para mudar o curso das eleições do Brasil. Esta é a razão pela qual os escritores, jornalistas, professores, intelectuais e militantes socialistas devemos esclarecer o que foi, o que é a ditadura, como história, em continuidade histórica e sua ameaça. Todos temos um trabalho de Sísifo, todos os dias levantando a pedra da memória até o alto, e vê-la cair de novo até o chão. E recomeçar, outra vez e sempre, o trabalho e luta contra o fascismo.

*Vermelho 11 de setembro de 1973 ou de 2026? – Vermelho

Urariano Mota – Escritor, jornalista. Autor de “A mais longa duração da juventude”, “O filho renegado de Deus” e “Soledad no Recife”. Também publicou o “Dicionário Amoroso do Recife”.

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Fonte: GGN

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