Pela primeira vez em 8 anos, número de eleitores com nome social diminui no ES

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Publicado em 11 de Setembro de 2026 às 13:48

Larissa Cors

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Em outubro deste ano, pela primeira vez na vida, a educadora e comunicadora Jade da Vitória, de 22 anos, vai exercer seu papel de eleitora sendo chamada pelo nome que ela mesma escolheu e que a faz se sentir confortável:  o nome social .

A experiência de Jade, que é travesti, retrata um c enário mais amplo no Espírito Santo: ao todo, nas Eleições 2026, 572 pessoas vão votar usando o nome social, o que representa 0,02% do eleitorado capixaba de 2.990.490 pessoas. 

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O número é menor do que o registrado nas eleições municipais de 2024, quando 705 votaram com nome social, e também inferior ao das eleições gerais de 2022, quando 641 pessoas utilizaram o recurso. 

A diminuição é inédita: esta é a primeira vez que o número cai desde 2018, ano em que pessoas trans e travestis passaram a poder incluir o nome social no cadastro eleitoral.  Até 2024, o número crescia de uma eleição para outra, tendo mais do que quintuplicado no período de seis anos.

Veja a evolução do uso do nome social ao longo das últimas eleições:

2018: 133

2020: 167

2022: 641

2024: 705

2026: 572

O que é nome social?

É o nome pelo qual pessoas travestis e trans se reconhecem e escolhem ser chamadas no dia a dia. É diferente do nome que consta no registro civil de nascimento e garante dignidade e respeito à identidade de gênero em diferentes espaços.

“É um sentimento de pertencimento”

Jade da Vitória usa o nome social desde o início de 2025. Foi a própria mãe dela quem, sem saber, deu à filha o nome pelo qual ela se reconhece. Um apelido de casa, usado ainda na infância, que anos depois seria adotado como nome social. 

Foi o nome que ficou de afeto para mim, e eu gostei muito dele. Foi praticamente minha mãe quem me deu esse nome. Eu me sinto muito confortável. É um sentimento de pertencimento

Jade da Vitória, educadora e comunicadora

Para Jade, o uso do nome social na hora de votar é o único meio de evitar constrangimentos. A inclusão no título de eleitor foi feita há pouco tempo, depois de descobrir o direito “por acaso”.

“Eu não sabia. Descobri recentemente, por um post de uma amiga no Instagram, que falou sobre como incluir o nome social no cadastro do eleitor para votar com ele”, explicou. Ela acredita ainda que muitas pessoas trans acabam não tomando conhecimento dessa opção.

Segundo o TSE, o processo para incluir o nome social no cadastro eleitoral é rápido e feito totalmente pela internet, por meio do site Autoatendimento Eleitoral. Além disso, não é preciso apresentar documentos anteriores retificados, apenas a autodeclaração.

Jade acredita que a escolha individual de utilizar o nome social está ligada a uma reivindicaçã o maior. Para ela, quando o Estado não reconhece a identidade de uma pessoa, ele transmite a mensagem de que aquele indivíduo não é um cidadão. 

Quando isso não é feito, a gente acaba acreditando justamente nisto: de que, como cidadãos não reconhecidos, não vale a pena nos incluir. Ter esse direito na hora de votar não é pedir muito. A democracia é construída pela participação, para que todas as pessoas possam votar, sendo reconhecidas e respeitadas

Jade da Vitória, educadora e comunicadora.

Um dos fatores que podem explicar a queda é a possibilidade de retificar o nome (e o gênero, se for o caso) diretamente no registro civil, sem precisar envolver a Justiça.  A partir de uma resolução de 2018, cartórios de todo o país podem fazer essa alteração por via administrativa. 

Segundo dados do Sindicato dos Notários e Registradores do Estado do Espírito Santo (Sinoreg-ES), nos últimos oito anos foram realizadas 187 retificações de nome e gênero em território capixaba, das quais 109 ocorerram a partir de 2024.

Para Fabiana Aurich, vice-presidente do Sinoreg-ES, a partir do momento em que as pessoas passam a ter mais facilidade para retificar o nome fora da esfera judicial e o procedimento torna-se mais conhecido, é natural que o uso do nome social diminua ao longo do tempo.

Pedro Barbabela, doutor em Ciência Política, explica que, a partir da mudança, a Justiça Eleitoral também passa a considerar apenas o nome retificado. “E aí, então, essas pessoas não precisam mais utilizar o campo de nome social (para votar)”.

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