Tira Moraes e contém Mendonça: equivalência nas reprimendas de Fachin?

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Por Jacqueline MunizBrasil 247

Fachin retirou Moraes da relatoria do inquérito das Fake News, mas manteve Mendonça na relatoria do caso Master, embora tenha suspendido as decisões de afastamento do diretor-geral da Polícia Federal e do diretor de Inteligência.

A impressão é de uma equivalência disciplinar onde não existe equivalência substantiva: atos distintos em natureza, atribuição, legalidade e consequências para a vida política do país aparecem tratados como excessos individuais comparáveis.

Com isso, graves conflitos distintos sobre responsabilidade, uso do poder e respeito às competências institucionais que pairam sobre os ministros repreendidos são convertidos em um problema comum de excessos recíprocos.

Assim, a apreciação das responsabilidades cede lugar à administração pontual da crise.

A aparente simetria parece servir a uma suposta pacificação interna e à autopreservação corporativa da Corte sob desconforto público.

Mas corre o risco de jogar uma pá de cal na transparência e na responsabilização públicas, empalidecendo os critérios político-institucionais e jurídicos que permitem distinguir quem fez o quê, para quê, com que fundamento e com quais efeitos.

Essa equidistância não é necessariamente imparcialidade: quando atos desiguais são tratados como iguais, criam-se incertezas sobre os critérios de competência, controle e responsabilização e sobre a produção de uma justiça justa, responsável e transparente.

Pavimenta-se uma avenida de suspeitas.

Abre-se espaço para insegurança jurídica quanto às decisões vindas da Corte e para a instabilidade institucional.

Isso, além de comprometer o processo democrático, alimenta a desconfiança pública de que o STF estaria partidarizado: teria ou não Fachin desarmado Moraes e mantido Mendonça com suas armas político-institucionais intactas?

Em plena eleição presidencial, a ação, a inação e o tempo de decidir como agir ou não agir impactam o processo eleitoral.

STF e Polícia Federal podem afetar as percepções dos eleitores, mas não podem tutelar nossas escolhas nem decidir antecipadamente o resultado da eleição, com sustos dia sim, dia não.

Os embates e contragolpes internos têm sido escancarados sob a perplexidade pública.

Então, está na hora de o STF e a PF saírem da autoproteção oferecida pelo juridiquês e pelo policialês e prestarem contas, em bom português, do que fazem no caso Master, para que todos nós possamos compreender o que se passa, sem que suas disputas internas se convertam em manobras eleitorais, e fazer o caminho até as urnas sem medo.

Fonte: Brasil 247

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