Marina do MST e Anielle Franco assinam carta de compromisso em defesa dos povos de terreiro no Rio

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – A candidata à reeleição para deputada estadual Marina do MST (PT) e a candidata a deputada federal Anielle Franco (PT) assinaram, na quinta-feira (10), uma carta de compromisso voltada à garantia de direitos e à proteção dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana. O ato político e cultural foi realizado no Quilombo da Gamboa, emblemática iniciativa de moradia popular localizada na Região Portuária do Rio de Janeiro.

O encontro reuniu cerca de 100 participantes, entre lideranças religiosas, políticas e integrantes de movimentos da sociedade civil. Entre as presenças de destaque no evento estiveram a vereadora Maíra do MST (PT), além de autoridades religiosas como o Pai Anderson de Bamboxê e a Mãe Roberta. O documento assinado pelas candidatas visa consolidar propostas voltadas à reparação histórica, à justiça racial, ao enfrentamento do racismo estrutural e religioso e à salvaguarda dos territórios tradicionais.

Durante a cerimônia, Marina do MST enfatizou a relevância de o documento ter sido elaborado de forma participativa pelas próprias comunidades, destacando que as diretrizes do texto devem servir como um guia estratégico para a formulação de mandatos e proposições legislativas no estado.

“Essa carta-compromisso que vocês estão entregando, que vocês elaboraram coletivamente, pode ser considerado o programa dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana do Estado do Rio de Janeiro. Esse documento tem que servir para orientar a nossa luta nos territórios, na busca por direitos e na construção de políticas públicas”, declarou a candidata à reeleição.

Anielle Franco, ex-ministra da Igualdade Racial, reforçou a necessidade de converter as diretrizes pactuadas em medidas práticas e institucionais. Em sua intervenção, ela vinculou a proteção às casas de religião de matriz africana à manutenção do próprio regime democrático brasileiro.

“Eu espero que a gente consiga estar juntos e juntas, não só lutando por cada ponto da carta, mas fazendo com que as pessoas respeitem os terreiros desse país. Porque o que está em disputa aqui não é só a nossa liberdade e o combate à intolerância e ao racismo religioso. É a nossa soberania e democracia”, ressaltou Anielle.

A mobilização no estado ganha relevância diante do perfil demográfico local. O Rio de Janeiro abriga uma das maiores populações de praticantes de religiões de origem africana em todo o território nacional. De acordo com os dados do Censo de 2022, cerca de 2,59% dos residentes fluminenses com 10 anos ou mais de idade se declaram adeptos do Candomblé ou da Umbanda — índice que coloca o estado na segunda posição nacional proporcionalmente.

Ao abordar a dimensão social e comunitária dessas tradições, a vereadora Maíra do MST sublinhou a importância da articulação entre a atuação no Poder Legislativo e as pautas históricas dos terreiros, incluindo o combate às desigualdades básicas.

“É muito importante que legislativamente a gente faça esse reconhecimento, mas principalmente que a gente fortaleça essa união e essa construção em prol do que a gente quer construir para o nosso país. Os terreiros, as cozinhas de terreiro representam essa pulsão da luta do combate à fome, da luta da nossa ancestralidade”, finalizou a vereadora.

Fonte: Brasil 247

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