Mapa inédito identifica mais de 140 financiadores para impulsionar climatechs no Brasil
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O ecossistema de inovação voltado à sustentabilidade e ao combate às mudanças climáticas vive um momento de expansão no Brasil, com mais de 700 soluções verdes já mapeadas e ao menos 254 deeptechs climáticas fundadas na última década. Ainda assim, o acesso a capital segue como um dos principais gargalos para o crescimento e a escala dessas empresas.
Para organizar esse mercado e aproximar empreendedores das fontes de recursos, o Fórum Brasileiro das Climatechs — organização sem fins lucrativos que reúne atualmente 46 climatechs licenciadas, com atuação que inclui a aplicação de tecnologia ao agronegócio —, em parceria com o Instituto Itaúsa, lançou o estudo “Mapa de Financiamento para Climatechs no Brasil”. O levantamento mapeou mais de 220 organizações e selecionou 141 instituições com perfil diretamente aderente ao setor.
O Fórum atua em três frentes principais: geração de conhecimento sobre o mercado de climatechs, advocacy e articulação com agentes públicos e políticos, e destravamento de capital — contribuindo para tornar mais acessíveis mecanismos como o Fundo Clima e o Ecoinvest.
Segundo Ana Capelhuchnik, diretora executiva do Fórum Brasileiro das Climatechs, o novo estudo nasce de uma dor identificada em um levantamento feito pela organização no ano passado. A pesquisa já apontava que as startups climáticas enfrentam grande dificuldade em acompanhar os ciclos longos de desenvolvimento de produto, típicos de soluções que envolvem tecnologia aplicada ao meio ambiente e ao agro, e que essa dificuldade é agravada por uma assimetria de informação: falta às climatechs conhecimento claro sobre onde e como buscar capital.
Um exemplo citado por Capelhuchnik é o próprio Fundo Clima, mecanismo público de financiamento que, na prática, é de difícil acesso para startups em estágio inicial. O mapeamento de financiadores busca justamente reduzir essa lacuna, funcionando como uma ferramenta prática para que os empreendedores identifiquem em quais editais, fundos ou investidores seus projetos podem se encaixar.
O levantamento organiza os potenciais investidores e doadores em duas listas estratégicas — Capital Não Reembolsável e Capital de Risco —, classificando cada instituição por um ranking de alinhamento (de 1 a 4) e detalhando o ticket médio, os estágios de maturidade exigidos da startup e o histórico de atuação no setor.
Capital Não Reembolsável: 29 Instituições Filantrópicas e de Fomento
Voltada a climatechs em fases iniciais — pesquisa aplicada, validação tecnológica e desenvolvimento —, essa categoria reúne 29 organizações filantrópicas, fundações e institutos que oferecem recursos sem exigir contrapartida financeira ou participação societária. Os aportes incluem grants diretos via editais, venture philanthropy, prêmios corporativos e apoio técnico.
Entre as instituições com pontuação máxima de alinhamento (Ranking 4) — por apresentarem tese explícita em clima ou histórico comprovado de apoio a startups climáticas —, destacam-se:
Nacionais: Instituto Itaúsa, Fundo Vale, Fundo JBS pela Amazônia e Instituto Clima e Sociedade (iCS).
Globais e regionais: Bezos Earth Fund, BID Lab, Bloomberg Philanthropies, ClimateWorks Foundation, Generation Foundation e Alana Foundation (via XPrize).
Com alto potencial de alinhamento (Ranking 3), o estudo também destaca a Fundação Grupo Boticário, o Instituto Arapyaú, o Instituto Humanize, a Ford Foundation e a Rockefeller Foundation.
Capital de Risco: 111 Opções de Investimento em Equity
Voltada a empresas com modelos já validados que buscam tração ou expansão acelerada, essa frente reúne 111 instituições e veículos de capital de risco, divididos entre Venture Capital (VC), Private Equity (PE), Corporate Venture Capital (CVC), investidores-anjo e plataformas de equity crowdfunding (reguladas pela CVM).
A lista também classifica as organizações pelos estágios de maturidade que costumam atender: ideação, validação, operação/early-stage, tração/growth stage e escala.
Entre as instituições com Ranking 4 em Capital de Risco, destacam-se:
Fundos de VC e PE: Barn Investimentos, KPTL, Vox Capital, Positive Ventures, SP Ventures, fama re.capital, Indicator Capital, Mov Investimentos, Rise Ventures, Kaeté Investimentos e Canary.
Fundos internacionais especializados: Breakthrough Energy Ventures, Lowercarbon, Just Climate, Lightrock, Valor Capital Group e Energy Impact Partners.
Corporate Venture Capital (CVCs): Petrobras Ventures, Vale Ventures, Natura Ventures, Suzano Ventures, SLC Ventures, Irani Ventures, Iberdrola PERSEO (Neoenergia) e Microsoft Climate Innovation Fund.
Investimento-anjo: redes organizadas com foco no setor, como a Climate Angels BR.
A construção das listas combinou dados de bases estruturadas — como Crunchbase, CB Insights e Endeavor — e cobertura jornalística do ecossistema, aplicando critérios como atividade comprovada nos últimos 24 meses e compatibilidade geográfica e de estágio. Apesar disso, Capelhuchnik explica que ele não está completo e segue aberto para instituições não catalogadas entrarem na lista.
O estudo reforça que o sucesso na captação exige um diagnóstico prévio por parte do empreendedor. Antes de abordar investidores ou fundações, a climatech deve ter clareza sobre três pontos: o estágio real de maturidade da solução, a necessidade imediata da empresa (validação técnica ou capital de giro/expansão) e o que pode oferecer em troca (participação societária, métricas de impacto ou garantia futura).
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Fonte: umsoplaneta