Especialistas veem 75% de chance de El Niño de intensidade histórica

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Por Aquiles LinsBrasil 247

247 – A possibilidade de formação de um El Niño de intensidade excepcional aumentou e já é estimada em 75%, reforçando os alertas sobre impactos climáticos capazes de atingir diferentes regiões do planeta com secas, chuvas intensas e temperaturas extremas.

As informações foram divulgadas pela Agência France Presse e publicadas pelo UOL nesta quinta-feira (10). Há apenas um mês, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) calculava em 69% a probabilidade de ocorrência do fenômeno.

O El Niño é uma oscilação natural do sistema climático associada ao aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, especialmente em suas porções central e oriental. O fenômeno costuma ocorrer em intervalos que variam de dois a sete anos.

A elevação da temperatura do oceano interfere na circulação atmosférica e pode modificar os padrões de vento, pressão e precipitação em diferentes continentes nos meses seguintes.

Alerta para intensidade fora do padrão

A preocupação dos especialistas não se limita à formação do El Niño, mas também à possibilidade de que o episódio alcance intensidade excepcional.

No início de setembro, a secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, advertiu que o fenômeno em desenvolvimento “poderia ser mais potente que todo o observado desde que começamos nosso monitoramento”.

Uma ocorrência dessa magnitude pode aumentar o risco de eventos extremos e alterar padrões climáticos em escala global, embora os efeitos variem de acordo com cada região.

Secas, incêndios e chuvas intensas

Experiências recentes ajudam a dimensionar os possíveis impactos. No ano passado, o El Niño contribuiu para provocar ou agravar condições de seca e incêndios em partes da Amazônia, da América Central, da Indonésia e da Austrália.

O fenômeno também esteve associado a mudanças no regime das monções na Índia e a episódios de chuvas torrenciais no leste da África.

Esses efeitos não ocorrem de forma uniforme. Enquanto algumas áreas podem enfrentar escassez de chuvas e calor intenso, outras ficam mais sujeitas a enchentes e precipitações acima da média.

Mudança climática amplia extremos

O quadro preocupa ainda mais porque os efeitos naturais do El Niño se combinam com o aquecimento global provocado pelas atividades humanas.

As mudanças climáticas aumentam a temperatura média do planeta e podem intensificar eventos extremos, fazendo com que episódios associados a fenômenos naturais ocorram em um ambiente já mais quente e sujeito a alterações severas.

A combinação entre um El Niño possivelmente muito intenso e o avanço da crise climática amplia, portanto, a atenção de autoridades meteorológicas para os próximos meses.

Fonte: Brasil 247

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