Implosão de Flávio à vista: podres poderes republicanos no bolso da bancocracia
Por César Fonseca — Brasil 247
Finalmente, na próxima terça-feira (15), o plenário do STF, convocado pelo seu presidente, ministro Edson Fachin, debaterá a questão central que está por trás da crise do Poder Judiciário: suas relações com o sistema financeiro, que também envolvem os poderes Legislativo e Executivo, no caso das fraudes do ex-banco Master, capitaneadas pelo seu dono, ora encarcerado na Papuda, Daniel Vorcaro.
Podres poderes manipulados pela bancocracia especulativa corrupta.
Emerge o fulcro da questão: as manobras financeiras de um banqueiro corrupto comprovam que a superestrutura jurídica do país se submeteu à infraestrutura econômica, atualmente dominada pela financeirização econômica, impulsionada pelo modelo neoliberal, que permite a multiplicação dos Vorcaros da vida.
A economia, provam mais uma vez os fatos objetivos, sobrepõe-se à política, pois, afinal, o que está acontecendo no meio jurídico não se relaciona à tecnicalidade jurisdicional, mas, tão somente, aos interesses políticos subjugados aos interesses econômicos, comandados pela corrupção financeira.
A ação dos poderes republicanos, ao fim e ao cabo, é, essencialmente, político-ideológica, enraizada na luta de classes que caracteriza o capitalismo.
Nesse sentido, não apenas o Judiciário, mas, igualmente, o Legislativo e o Executivo, no formato semiparlamentarista, semipresidencialista inconstitucional, imposto pela maioria conservadora, de viés fascista, no Congresso, foram envolvidos pelo sistema financeiro no processo de governabilidade nacional, colocada a serviço do dinheiro, responsável por detonar o presidencialismo constitucional previsto na Constituição de 1988.
Demonstram toda a sua podridão, nesse contexto, os partidos políticos conservadores que dominam o Congresso, irmanados em torno do Centrão, que, por sua vez, forma o ramo dos interesses que os ligam entre si, das prefeituras aos governos estaduais, chegando ao governo central.
Afinal, como mostram os fatos claramente expostos, até membros do partido governista, o PT, estão relacionados com o Caso Master, como comprova a participação de membros partidários petistas da Bahia envolvidos no grande escândalo, o maior da história brasileira, que, agora, desemboca na fantástica crise do STF.
Causa central do racha institucional
A Suprema Corte está, irremediavelmente, dividida diante dos movimentos que a direita bolsonarista fascista promoveu quando indicou, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, ministros para cuidar dos seus interesses, explícitos, neste momento, em plena campanha eleitoral.
Trata-se, no fundamental, do financiamento bilionário de um filme, que não passa de cortina de fumaça para esconder recursos direcionados ao financiamento de campanha, mobilizando partidos de direita e ultradireita, redes sociais, big techs, relações internacionais etc.
Todos, como mostra a crise do STF, encontram-se engajados na tarefa de golpear a democracia e dar curso ao que se desenrola no Brasil como parte de um movimento internacional de ampliação da rede nazifascista global, hoje comandada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, galopando a Doutrina Monroe, de caráter eminentemente imperialista.
Despertar de Fachin
Finalmente, o freio de arrumação na crise do STF, dado pelo presidente Fachin, expõe claramente os fatos: o ministro fascista André Mendonça, bolsonarista de carteirinha, estava fazendo de tudo para esconder uma realidade explosiva, para impedir o avanço da Polícia Federal nas investigações sobre a questão central: o financiamento, pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro, do filme Dark Horse, orçado em 24 milhões de dólares, realizado nos Estados Unidos.
Produção hollywoodiana sem disfarce!
Como a unanimidade das opiniões é a de que se trata de uma quantia absurdamente desproporcional para a realização de uma obra que, no mercado, estaria superdimensionada financeiramente, a conclusão óbvia, como não poderia deixar de ser, é: o dinheiro serviria a outro objetivo, qual seja, gastar na campanha eleitoral, comprando Deus e todo mundo, para levar o candidato Flávio Bolsonaro, do PL, à vitória sobre o presidente Lula.
Nesta quinta-feira, a PF, que o ministro Mendonça tentou calar a fim de atender aos interesses do bolsonarismo fascista, parte para a colocação dos pingos nos is: desencadear operação policial para investigar o escândalo financeiro da campanha bolsonarista, escondida por trás do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, visando levar seu filho à Presidência da República, em 2026.
O bolsonarismo treme de alto a baixo diante do tsunami político à vista.
Candidatura de Flávio pode implodir
O desfecho é imprevisível, sabendo que, se ficarem comprovadas as suspeitas generalizadas de corrupção financeira, bancadas pelo banqueiro do ex-banco Master, a candidatura de Flávio Bolsonaro, de viés fascista, pode ser, literalmente, implodida.
É nesta altura do campeonato eleitoral que fica exposta a evidência segundo a qual a realidade política, jurídica e econômica nacional encontra-se sob o tacão do poder maior que domina a nação: a financeirização, desta vez fantasiada de obra de arte cinematográfica no cenário da campanha eleitoral.
Fica comprovado, como já previu Marx em O Capital, que a superestrutura jurídica sucumbe à infraestrutura econômica dominada pela especulação financeira, empenhada, no exemplo do cenário brasileiro do século 21, em controlar todo o poder republicano na condução dos assuntos públicos.
Está com a razão, portanto, o presidente Lula ao defender, no calor dos acontecimentos, a suspensão do sigilo sobre todos os processos que o bolsonarismo, por intermédio do seu pupilo no STF, ministro André Mendonça, esconde, quais sejam, o do Banco Master — e, também, o do INSS — para não expor a cara do fascismo, que anseia chegar à Presidência da República por meio de Flávio Bolsonaro.
Para os bolsonaristas em desespero, chegou a hora de a onça beber água.
Sai de baixo.
Fonte: Brasil 247