Quando a oportunidade chega à periferia, ela muda trajetórias

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Por Guanayra FirminoBrasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

Falar de oportunidades nas periferias é falar, antes de tudo, sobre acesso. Acesso à educação, à cultura, à formação, ao trabalho e à possibilidade de sonhar com um futuro diferente. Quem vive nas comunidades sabe que talento nunca faltou. O que muitas vezes faltou, e ainda falta, são as condições para que esse talento possa se desenvolver.

Na Mangueira, conhecemos essa realidade de perto. Há décadas, a Estação Primeira entende que uma escola de samba não se limita ao Carnaval. Somos uma instituição cultural, mas também território, comunidade, memória e espaço de formação. Ao longo de nossa história, projetos sociais, esportivos e educacionais já alcançaram milhares de pessoas.

Os números ajudam a dimensionar essa trajetória. O programa social da Mangueira chegou a atender quase 30 mil pessoas em um único ano, considerando os diferentes projetos desenvolvidos pela escola. Já o Centro de Referência Esportiva Mangueira registrou 3.786 participantes entre crianças, adolescentes, jovens adultos, pessoas com deficiência e idosos entre 2018 e 2020.

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Mas, por trás de cada número, existe uma história. Existe alguém que encontrou uma oportunidade que talvez não estivesse disponível em outro lugar. É por isso que acredito que a educação é uma das ferramentas mais poderosas de transformação social. Educação não é apenas adquirir conhecimento.

É ampliar possibilidades e aprender a enxergar caminhos onde antes parecia existir apenas uma porta fechada.

É com essa convicção que a Estação Primeira recebe a parceria com a Mask Empreenda Jovem. O programa parte da compreensão de que jovens das periferias precisam ter acesso a conhecimento, orientação e ferramentas para transformar ideias em projetos concretos.

Na primeira edição do Empreenda Jovem, 1.394 jovens foram certificados. Entre eles, 66,3% eram mulheres e 66,7% eram pessoas negras. São dados que mostram o potencial de iniciativas que democratizam o acesso à formação e ao empreendedorismo.

Quando uma oportunidade chega ao território, ela não transforma apenas quem participa. Um jovem que aprende a administrar seu negócio, organizar suas finanças e acreditar na própria capacidade conquista autonomia — e essa autonomia pode alcançar sua família e toda a comunidade.

A Mangueira sempre acreditou na potência de seu povo. Parcerias como essa reafirmam que investir nas periferias não é caridade: é investir em pessoas, conhecimento, autonomia e futuro.

Quando a educação chega à periferia, ela movimenta uma comunidade inteira. E quando encontra talento, desejo e determinação, pode mudar uma história para sempre.

*Guanayra Firmino é a atual presidenta da Estação Primeira de Mangueira. Cria do Morro da Mangueira, iniciou sua trajetória aos 17 anos como vice-presidente da associação de moradores. Atua nos bastidores e na diretoria da Escola durante vários mandatos, e conduz a Verde e Rosa valorizando os talentos da comunidade.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

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Fonte: Brasil de Fato

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