Desaparecimento em praia: PF vai incluir menino Edson Davi em alerta internacional da Interpol
Por Laís Gouveia — Brasil 247
247 – A Polícia Federal informou que vai solicitar à Interpol a inclusão do nome de Edson Davi Silva Almeida na Difusão Amarela, mecanismo internacional usado para localizar pessoas desaparecidas. O menino tinha 6 anos quando desapareceu em 4 de janeiro de 2024, na altura do Posto 4 da Praia da Barra da Tijuca, na zona sudoeste do Rio de Janeiro.
Segundo a CNN Brasil, o Núcleo de Cooperação Policial Internacional da Polícia Federal no Rio de Janeiro já iniciou os procedimentos necessários para formalizar o pedido. A mãe da criança, Marize Araújo, também foi procurada pela corporação para fornecer a documentação exigida para a inclusão no sistema da Interpol.
A Difusão Amarela é utilizada pela organização internacional para divulgar informações sobre pessoas desaparecidas e ampliar a cooperação entre autoridades de diferentes países. No caso de Edson Davi, a medida ocorre mais de dois anos e meio após o desaparecimento.
A iniciativa da PF foi adotada em meio à tentativa da família de verificar se Edson Davi poderia estar entre as 163 crianças localizadas recentemente durante uma operação contra exploração infantil e tráfico de pessoas na Flórida, nos Estados Unidos.
Em publicação nas redes sociais, Marize afirmou que o advogado da família havia acionado as autoridades para tentar realizar essa checagem. O advogado Cristiano Medina explicou que encaminhou uma representação à Polícia Federal para que a corporação solicitasse à Interpol e às autoridades norte-americanas uma comparação reservada entre os dados do menino e os registros das crianças encontradas.
Como a identidade das pessoas localizadas na operação não foi divulgada publicamente, a família argumentou que somente as autoridades poderiam realizar a conferência individual dos dados.
“A defesa espera que a Interpol possa auxiliar nessa busca porque nós temos certeza de que o Edson Davi foi vítima de tráfico de criança no país”, afirmou Cristiano Medina.
A Polícia Federal, no entanto, informou à CNN Brasil que “nenhuma criança brasileira está entre as localizadas na citada operação realizada pelas autoridades americanas na Flórida”.
A inclusão de Edson Davi na Difusão Amarela, portanto, não decorre da identificação de uma possível correspondência com as crianças encontradas nos Estados Unidos, mas amplia o alcance internacional das buscas.
Edson Davi desapareceu enquanto estava na Praia da Barra da Tijuca, onde o pai trabalhava em uma barraca. Desde o início da investigação, a principal hipótese considerada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro é a de afogamento.
Segundo a corporação, imagens de 13 câmeras de segurança instaladas na orla foram analisadas. Os registros mostram a criança nas proximidades da barraca do pai, mas, de acordo com a polícia, não apresentam evidências de que o menino tenha deixado a praia.
Uma testemunha relatou aos investigadores que teria visto Edson Davi entrar no mar três vezes enquanto brincava de futebol com outra criança. Outra pessoa afirmou que o menino pediu uma prancha emprestada antes de entrar na água, mas teria recebido uma negativa devido às condições do mar.
Um homem que trabalhava com o pai da criança também declarou à polícia ter pedido que Edson Davi saísse da água porque o mar estava revolto.
Apesar desses depoimentos, o corpo da criança nunca foi encontrado, mesmo após buscas realizadas pelo Corpo de Bombeiros.
A família passou a questionar a hipótese de afogamento e contratou uma investigação particular. Segundo a defesa, 17 testemunhas foram ouvidas, e pessoas que estavam no local no dia do desaparecimento afirmaram não ter visto Edson Davi entrar no mar.
“Todas as pessoas com quem conversamos afirmam que Davi tinha medo de entrar no mar e que, mesmo quando acompanhado de um adulto, não se permitia mergulhar”, afirmou à época à CNN o investigador Raúl Ábacus, responsável pela apuração particular.
A Polícia Civil sustenta que diferentes linhas de investigação foram consideradas ao longo do caso e que as denúncias recebidas foram verificadas, inclusive informações relacionadas a outros estados.
Com o pedido de inclusão na Difusão Amarela, o desaparecimento de Edson Davi passará a integrar formalmente o sistema internacional de cooperação da Interpol, permitindo que autoridades de outros países tenham acesso aos dados da criança caso surjam novas informações sobre seu paradeiro.
Fonte: Brasil 247