Produção industrial avança em oito de 15 locais em julho, com salto de 14,6% no Amazonas
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A produção industrial brasileira apresentou uma leve variação positiva de 0,2% em julho de 2026 na comparação com o mês imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, com crescimento registrado em oito dos 15 locais analisados pela Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional, informa o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O desempenho positivo no mês foi liderado por uma expressiva expansão de dois dígitos no Amazonas, onde a produção saltou 14,6%. O resultado no estado foi impulsionado pelo retorno de unidades fabris que haviam paralisado suas atividades em junho devido à concessão de férias coletivas. O avanço em solo amazonense foi o mais intenso registrado para o mês de julho desde 2020 (quando atingiu 15,1%) e eliminou a retração de 12,5% contabilizada no mês anterior.
Além do Amazonas, registraram taxas positivas no confronto de julho ante junho: Espírito Santo (2,0%), Rio Grande do Sul (1,2%), Goiás (0,8%), Santa Catarina (0,7%), São Paulo (0,5%), Bahia (0,4%) e Minas Gerais (0,3%). O estado do Rio de Janeiro teve variação nula (0,0%), mantendo exatamente o mesmo patamar do mês anterior.
Em contrapartida, sete locais apontaram retrações. As perdas mais acentuadas foram observadas no Mato Grosso (-9,0%), que zerou o ganho de 1,1% do mês anterior, e no Pará (-4,5%), que completou quatro meses consecutivos de queda acumulando um recuo de 12,8% no período. Completam a lista com resultados negativos em julho: Ceará (-1,8%), Pernambuco (-1,8%), Paraná (-1,7%) e a Região Nordeste (-0,7%).
Média móvel trimestral e retração interanual
O índice de média móvel trimestral para o conjunto da indústria nacional caiu 0,8% no trimestre encerrado em julho de 2026 frente ao nível do mês anterior, aprofundando o recuo de 0,5% que havia interrompido, em junho, a trajetória ascendente iniciada no começo do ano. No recorte regional, 12 dos 15 locais pesquisados tiveram taxas negativas na média móvel, com as maiores quedas em Mato Grosso (-3,6%), Pará (-2,4%), Bahia (-2,0%) e São Paulo (-1,0%). Já Rio Grande do Sul (1,1%) e Amazonas (0,8%) registraram os únicos avanços.
Na comparação com julho de 2025 (série sem ajuste sazonal), a produção industrial recuou 0,5% em julho de 2026, com saldo negativo registrado em 11 dos 18 locais pesquisados — mesmo diante de um calendário com igual número de dias úteis (23 dias). As maiores pressões negativas vieram do Pará (-8,9%), puxado pela menor produção das indústrias extrativas de minério de ferro e manganês em bruto ou beneficiados, e do Maranhão (-6,3%), afetado pela queda nos setores alimentício e extrativo de gás natural e pellets de minério de ferro.
Também registraram retração na comparação interanual: Rio Grande do Norte (-4,5%), Ceará (-4,4%), Bahia (-4,3%), Região Nordeste (-4,1%), Mato Grosso do Sul (-3,5%), Mato Grosso (-3,0%), São Paulo (-2,7%), Paraná (-2,3%) e Santa Catarina (-0,7%). Minas Gerais registrou estabilidade (0,0%).
Por outro lado, o Espírito Santo teve o maior avanço no confronto com julho de 2025 (12,8%), alavancado pelas indústrias extrativas de petróleo, gás natural e pelotização de minério. O Rio Grande do Sul cresceu 7,0%, impulsionado pelo desempenho dos setores de derivados de petróleo e biocombustíveis, produtos do fumo, máquinas e equipamentos, produtos alimentícios e metalurgia. Completaram os resultados positivos do mês: Rio de Janeiro (3,3%), Amazonas (2,8%), Goiás (2,7%) e Pernambuco (1,2%).
Perda de dinamismo quadrimestral e acumulado em 12 meses
Na análise da evolução do primeiro quadrimestre do ano em relação ao período entre maio e julho de 2026, ambos comparados aos mesmos períodos do ano anterior, 11 dos 18 locais pesquisados perderam ritmo, acompanhando o movimento do indicador nacional, que desacelerou de 1,7% para 0,4%. As desacelerações mais fortes ocorreram em Pernambuco (de 26,5% para 6,0%), Espírito Santo (de 25,5% para 12,4%), Mato Grosso do Sul (de 7,4% para 0,0%), Pará (de 0,4% para -6,2%), Região Nordeste (de 2,1% para -2,8%), Maranhão (de -4,3% para -8,6%), Rio de Janeiro (de 8,0% para 5,3%), Minas Gerais (de 2,0% para -0,7%) e Mato Grosso (de 4,1% para 1,6%). Em sentido oposto, demonstraram ganhos de ritmo o Rio Grande do Norte (de -17,9% para -5,1%), Rio Grande do Sul (de 2,5% para 5,1%), Ceará (de -4,4% para -1,8%) e Santa Catarina (de -2,5% para 0,0%).
Por fim, no indicador acumulado nos últimos 12 meses, a indústria nacional avançou 0,6% em julho de 2026, mantendo o terreno positivo, embora tenha desacelerado discretamente frente ao resultado de junho (0,7%). Das 18 áreas analisadas, sete apresentaram taxas acumuladas positivas, contudo 11 demonstraram menor dinamismo no confronto entre junho e julho, com as maiores perdas no Rio de Janeiro (de 7,2% para 6,6%), Região Nordeste (de 0,6% para 0,1%), Ceará (de -1,7% para -2,1%), Pará (de -2,9% para -3,3%), Pernambuco (de 10,4% para 10,0%), Bahia (de -2,5% para -2,9%), Maranhão (de -5,6% para -6,0%) e Santa Catarina (de -0,4% para -0,7%). Já Rio Grande do Norte (de -9,8% para -8,1%), Mato Grosso (de -2,9% para -1,8%), Rio Grande do Sul (de 2,8% para 3,6%) e Mato Grosso do Sul (de -5,7% para -5,0%) exibiram melhora nos índices acumulados.
Fonte: Brasil 247