Quem é Karina Gama, alvo de operação da PF sobre Dark Horse

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Por Otávio RossoBrasil 247

247 – Antes de assumir a produção de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro (PL), Karina Ferreira da Gama, de 47 anos, não tinha experiência conhecida na produção cinematográfica. Ligada ao terceiro setor e próxima do deputado federal Mario Frias (PL-SP), ela está entre os alvos da operação deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (10) para investigar o financiamento da obra.

A investigação apura o suposto desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares para bancar a produção do filme. Frias, que também é alvo da operação, foi o responsável por indicar a Go Up Entertainment para a produção de “Dark Horse”.

Moradora da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, Karina construiu sua trajetória principalmente por meio do Instituto Conhecer Brasil, organização que, nos últimos anos, passou a obter contratos e convênios públicos de valores elevados. Paralelamente, ela ampliou sua atuação empresarial e abriu negócios em outros estados.

A aproximação entre Karina e Mario Frias começou em 2020, período em que o então ator ocupava a Secretaria Especial da Cultura no governo Bolsonaro. Dois anos depois, ela trabalhou na campanha eleitoral de Frias prestando serviços de assessoria de imprensa, pelos quais recebeu R$ 54 mil.

A relação também ficou registrada publicamente. Durante a diplomação de Frias no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), em dezembro de 2022, Karina esteve ao lado do parlamentar e de familiares dele e apareceu em fotografias do evento.

Emendas de Frias chegaram a instituto de Karina

A proximidade entre os dois também alcançou a destinação de recursos públicos. De acordo com O Globo, Mario Frias encaminhou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, comandado por Karina.

Parte dos recursos foi destinada a um projeto de capacitação de adultos e adolescentes em “letramento digital”, voltado ao apoio do ensino digital para estudantes do 4º e 5º anos de escolas públicas municipais.

Outra parcela financiou o projeto de artes marciais “Lutando pela Vida”, desenvolvido em São Paulo.

As conexões entre o parlamentar, Karina e a produtora responsável por “Dark Horse” passaram a integrar o foco da apuração da Polícia Federal sobre a origem dos recursos usados no filme sobre Bolsonaro.

ONG firmou contrato de R$ 108 milhões com prefeitura

Além das emendas, o Instituto Conhecer Brasil obteve contratos públicos de valores significativamente maiores.

Em 2024, a organização firmou contrato de R$ 108 milhões com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia de São Paulo para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi em áreas públicas da capital.

O contrato já havia colocado Karina no radar de outra investigação policial, diante de suspeitas de irregularidades na contratação da entidade. A Prefeitura de São Paulo negou irregularidades e afirmou que colaborava com as investigações.

No mesmo ano, o instituto também fechou convênio de R$ 300 mil com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos para desenvolver projetos de formação profissional em maquiagem destinados a mulheres de baixa renda da Zona Leste de São Paulo.

Expansão dos negócios

Enquanto aumentava sua participação em contratos públicos, Karina também diversificou sua atuação empresarial.

Em fevereiro de 2026, ela abriu em Aracaju, Sergipe, a Gama Participações Ltda., holding com capital social declarado de R$ 100 mil e da qual é a única sócia.

Ela também se tornou sócia da Upcon Serviços Especializados Ltda., empresa do setor de construção com sede em Salvador, na Bahia.

A expansão dos negócios ocorreu no mesmo período em que Karina ampliou suas relações com Mario Frias e passou de uma trajetória concentrada no terceiro setor à participação na produção cinematográfica.

A Polícia Federal busca agora esclarecer se recursos de emendas parlamentares foram desviados para financiar “Dark Horse” e qual foi o papel dos investigados no caminho percorrido pelo dinheiro. A operação desta quinta-feira inclui, além de Karina e Frias, outros alvos ligados à apuração.

Fonte: Brasil 247

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