Escalabilidade vira aposta de gigantes do e-commerce antes da Black Friday

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Por Allan RavagnaniCarta Capital

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Bibliotecas de componentes reutilizáveis ajudam marcas a lançar telas mais rápido, cortar custos e manter a mesma cara em vários países

A poucas semanas da Black Friday, empresas que vendem para vários países apostam na escalabilidade de suas plataformas digitais para não perder faturamento em pleno pico de tráfego. O caminho passa por bibliotecas de componentes reutilizáveis, batizadas de Design Systems, que padronizam botões, telas e formulários em todas as operações internacionais.

Sem esse tipo de padronização, cada mercado aberto obriga os times de tecnologia a recriar funcionalidades que já existem em outro país. O resultado costuma ser código duplicado, telas com aparência diferente entre regiões e um custo de manutenção que sobe a cada praça nova.

Segundo levantamento da consultoria Forrester Research, companhias que adotam esse tipo de arquitetura cortam pela metade o tempo usado para criar e testar novas telas. A folga na agenda dos times de desenvolvimento libera engenheiros para tarefas com mais impacto no negócio, em vez de repetir o mesmo botão em cada país.

Outro levantamento, o State of Design Systems, produzido pela Figma, mostra que equipes com componentes padronizados lançam produtos até 34% mais rápido. A padronização reduz falhas na implementação, encurta etapas de homologação e corta ajustes de última hora antes da estreia de um produto.

Além dos ganhos internos, a maturidade em design de interface aparece também no bolso das empresas. Mapeamento da consultoria McKinsey & Company mostra que companhias com alta consistência em suas experiências digitais crescem em receita duas vezes mais rápido que a média dos concorrentes. A semelhança visual e funcional entre canais aumenta a confiança do consumidor e pesa na taxa de conversão do e-commerce.

Paula Fernandes, engenheira de software sênior e responsável por projetos de e-commerce multirregional que atendem dezenas de países, afirma que montar um Design System exige tratá-lo como um produto vivo dentro da empresa.

“Quando uma marca atua em mais de 15 países, a complexidade sobe rápido. Se cada país criar seu próprio botão, formulário de checkout ou menu, a operação vira um problema em pouco tempo”, diz Paula Fernandes. “O Design System funciona como uma linguagem comum entre produto, design e engenharia. Um componente muda em um lugar só, e a atualização se replica para todas as regiões, sem reescrever código do zero”, completa.

A engenheira destaca que o diferencial de um Design System em escala global está na relação entre a liderança de front-end e os times de UX/UI. Essa proximidade garante que acessibilidade, adaptação de idioma e navegação em celular já cheguem prontas em cada componente da biblioteca.

Além de acelerar novas funcionalidades, a padronização facilita também a rotina de suporte. Em operações espalhadas por vários fusos horários, um código organizado ajuda a encontrar e corrigir falhas antes que o consumidor final perceba qualquer problema.

Fernandes resume que, em e-commerce, tempo equivale a dinheiro: um erro na tela de pagamento durante um pico de vendas pode custar faturamento na hora. Segundo ela, quando a arquitetura do Design System está bem montada, a correção de falhas fica mais rápida, e a escalabilidade do negócio se mantém em qualquer país.


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Fonte: Carta Capital

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