Trump afirma que guerra terminará após eleição e ameaça instalação nuclear iraniana
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a guerra contra o Irã deverá terminar depois das eleições legislativas norte-americanas de novembro e voltou a ameaçar um ataque à Montanha da Picareta, instalação fortificada próxima ao complexo nuclear de Natanz. A declaração ocorre em meio ao aumento das ofensivas contra navios e à interrupção das principais rotas de petróleo do Oriente Médio.
Segundo a Reuters, Trump atribuiu a continuidade do conflito, iniciado há seis meses, a uma suposta tentativa de Teerã de interferir na disputa que definirá o controle do Congresso dos Estados Unidos. O republicano enfrenta queda de popularidade em um cenário de alta dos combustíveis e pressão política provocada pela guerra.
“Acho que a guerra vai terminar imediatamente após a eleição, porque eles não conseguem resistir por mais tempo. Eles estão desesperados para tentar influenciar a eleição”, disse Trump a jornalistas na quarta-feira (9).
Não é a primeira vez que o presidente norte-americano estabelece uma previsão para o encerramento das hostilidades. Até o momento, porém, a sucessão de ataques dos dois lados indica que não há perspectiva imediata de trégua.
O Wall Street Journal informou que integrantes do alto escalão do governo, entre eles o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, advertiram Trump reservadamente de que a guerra pode se prolongar até o fim de seu mandato, em janeiro de 2029. A Reuters afirmou que não conseguiu confirmar essa informação de forma independente.
Trump volta a ameaçar complexo subterrâneo
Durante um discurso na convenção republicana para as eleições de meio de mandato, Trump também afirmou que os Estados Unidos poderão atacar a Pickaxe Mountain — chamada de Montanha da Picareta —, onde estão dois complexos de túneis construídos em grande profundidade.
A instalação fica perto da unidade de enriquecimento de urânio de Natanz, danificada nos ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã em fevereiro. Washington e Tel Aviv justificaram o início da ofensiva com alegações relacionadas ao programa nuclear iraniano. Teerã sustenta que suas atividades atômicas têm objetivos exclusivamente pacíficos.
“Percebemos que há alguma atividade na Montanha da Picareta. Eu aconselharia o Irã a não tentar bancar o esperto, porque teremos de atacá-lo com muita força”, declarou Trump.
O presidente norte-americano ameaça bombardear o local desde pelo menos meados de julho. A nova advertência amplia a pressão sobre Teerã e indica a possibilidade de novos ataques contra a infraestrutura nuclear do país.
Confrontos atingem navios no Estreito de Ormuz
A escalada mais recente inclui a maior onda de ataques contra embarcações desde o início da guerra. O Irã declarou ter atingido dez navios nas proximidades do Estreito de Ormuz na quarta-feira, em retaliação ao afundamento de cinco petroleiros iranianos pelos Estados Unidos.
O estreito concentrava aproximadamente um quinto do petróleo transportado no mundo antes do conflito. Embora Washington tenha afirmado nas últimas semanas que conseguia escoltar um número crescente de petroleiros pela passagem, a retomada dos combates comprometeu a reabertura gradual da rota.
Dados preliminares de monitoramento marítimo indicaram que apenas sete embarcações cruzaram o Estreito de Ormuz na quarta-feira, volume equivalente à metade da média registrada nos dez dias anteriores.
As interrupções em Ormuz e no Mar Vermelho mantiveram o petróleo Brent acima de US$ 100 por barril. A elevação da cotação repercute nos preços internacionais dos combustíveis e aumenta o impacto econômico da guerra sobre os Estados Unidos e outros países importadores.
Houthis ampliam ataques contra a Arábia Saudita
A crise também se agravou no Iêmen, onde os houthis, grupo armado apoiado pelo Irã, intensificaram os ataques contra a Arábia Saudita. O avanço dos confrontos abriu uma segunda frente capaz de comprometer a produção e o transporte de energia na região.
Autoridades da Defesa Civil saudita emitiram quatro alertas de emergência em 24 horas na cidade de Khamis Mushait, no sudoeste do país. Ao menos 73 pessoas ficaram feridas em ataques recentes dos houthis contra quatro cidades do sul saudita, segundo a coalizão liderada por Riad.
O grupo afirmou ter atingido uma base aérea em Khamis Mushait e instalações petrolíferas em cidades próximas. A ofensiva foi considerada uma das maiores contra a Arábia Saudita desde que Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irã, em fevereiro.
As autoridades sauditas suspenderam o alerta mais recente em Khamis Mushait nesta quinta-feira (10), mas a combinação entre ataques a navios, ameaças contra instalações nucleares e confrontos no território saudita mantém elevada a possibilidade de uma ampliação da guerra no Oriente Médio.
Fonte: Brasil 247