10 perguntas para Roberto Campos Neto responder à PF sobre o escândalo do Master
Por Aquiles Lins — Brasil 247
Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central indicado por Jair Bolsonaro, será intimado pela Polícia Federal para prestar depoimento no inquérito que apura suspeitas relacionadas à fiscalização do Banco Master. A decisão foi tomada após o ex-chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do BC Paulo Sérgio Souza afirmar à PF que Campos Neto participou, em dezembro de 2024, de uma reunião na qual o BTG Pactual teria apresentado informações sobre uma suposta fraude de R$ 32 bilhões no banco de Daniel Vorcaro. Campos Neto deverá ser ouvido inicialmente na condição de testemunha.
Obviamente, o ex-presidente da autoridade monetária tem muito mais a explicar à Polícia Federal, não como testemunha, mas como investigado. Campos Neto está no centro do maior roubo financeiro da história do Brasil, pois foi durante sua presidência no Banco Central que Daniel Vorcaro comprou o banco Máxima, foi autorizado a opera-lo como Banco Master, cresceu exponencialmente e manteve relações nada republicanas com a nata do Poder em Brasília.
Queremos saber:
1 – O senhor participou, em 3 de dezembro de 2024, de uma apresentação do BTG Pactual sobre o Banco Master na qual, segundo Paulo Sérgio Neves de Souza, foi relatada uma suposta fraude de R$ 32 bilhões? O que exatamente lhe foi apresentado, quem estava presente e quais providências o senhor determinou imediatamente depois da reunião?
2 – Se o BTG não entregou documentos na reunião de 3 de dezembro, o senhor ou algum diretor do Banco Central solicitou formalmente ao BTG a apresentação das evidências que embasavam a cifra de R$ 32 bilhões? Há ofícios, e-mails, mensagens, atas ou registros dessa solicitação? Se não houve pedido, por quê?
3 – Reportagens apontam que o senhor conhecia os graves problemas de liquidez do Master e teria evitado uma intervenção ou liquidação em março e novembro de 2024, optando por uma solução de mercado. Quem participou dessas decisões, quais alternativas estavam sobre a mesa e por que o senhor considerou seguro manter o banco funcionando apesar do agravamento da crise?
4 – Por que foi estabelecido para o Master um prazo que alcançava março ou maio de 2025 para solucionar seus problemas de liquidez, quando o seu mandato terminaria em dezembro de 2024? Que garantias concretas o banco apresentou para justificar o adiamento de uma medida mais severa?
5 – Quantos dos 38 comunicados enviados pelo Fundo Garantidor de Créditos sobre o Master chegaram ao seu conhecimento pessoalmente? Que providência foi tomada após cada série de alertas e por que as preocupações do FGC e de agentes do mercado não resultaram anteriormente em restrições mais severas à captação do banco?
6 – Em fevereiro de 2019, o Banco Central rejeitou a transferência do controle do Banco Máxima a Daniel Vorcaro por insuficiência na comprovação da origem dos recursos e da capacidade econômico-financeira dos compradores. Em outubro, já durante sua presidência, a operação foi aprovada. O que mudou objetivamente nesses oito meses e quais documentos permitiram ao colegiado concluir que os problemas que haviam provocado a rejeição estavam sanados?
7 – O Banco Central sabia, quando autorizou a aquisição do Máxima em outubro de 2019, das operações com o Brazil Realty e de movimentações que posteriormente foram consideradas fraudulentas pela CVM? Diante da informação hoje disponível de que recursos recebidos por empresas de Vorcaro naquele intervalo teriam servido para comprovar sua capacidade financeira, o senhor considera que a documentação apresentada ao BC era suficiente e autêntica?
8 – O senhor encarregou Paulo Sérgio Neves de Souza de examinar carteiras e operações ligadas ao Banco Master em 2022 e 2023. Como recebeu a conclusão de que não havia motivo para preocupação e que mecanismos independentes foram usados para conferir esse diagnóstico, considerando que hoje Paulo Sérgio é investigado sob suspeita de atuar em benefício de Daniel Vorcaro e de fornecer informações internas ao banqueiro?
9 – Na Resolução BCB 346, de outubro de 2023, por que foi escolhido 30 de junho de 2023 como marco para o tratamento prudencial mais rigoroso dos precatórios? O Banco Central calculou previamente o impacto da regra especificamente sobre o Master? Quanto capital adicional o banco teria de aportar se todo seu estoque de precatórios estivesse sujeito aos novos fatores de ponderação de risco?
10 – Paulo Sérgio afirmou a Daniel Vorcaro que o mercado relacionava a chamada “emenda Master”, que elevaria a garantia do FGC para R$ 1 milhão, também ao seu nome. O senhor conversou com Daniel Vorcaro, Ciro Nogueira, Paulo Sérgio ou qualquer representante do Master sobre a ampliação da cobertura do FGC? Quando tomou conhecimento da proposta, quais ordens deu para combatê-la e pode apresentar os documentos produzidos pela força-tarefa que sua assessoria afirma ter sido determinada pelo senhor?
Fonte: Brasil 247