Instituto Sul Global visita Fundação Vivekananda na Índia e propõe diálogo entre civilizações

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 — O Instituto Sul Global deu mais um passo em sua estratégia de aproximação com instituições de pensamento e pesquisa da Índia ao visitar, nesta quinta-feira (10), em Nova Déli, a Vivekananda International Foundation (VIF), um dos importantes centros indianos dedicados ao debate sobre relações internacionais, segurança, desenvolvimento e questões estratégicas.

A delegação brasileira foi recebida pelo diretor da fundação, Dr. Arvind Gupta, pela senior fellow (pesquisadora sênior) Ruchita Beri e pela research associate (pesquisadora associada) Aakriti Sethi, especialista em Américas. Durante o encontro, Leonardo Attuch, presidente do Instituto Sul Global e fundador do Brasil 247, apresentou os objetivos da instituição brasileira e propôs a construção de canais permanentes de cooperação intelectual entre os dois centros. As conversas também evidenciaram importantes convergências entre as posições defendidas pelo Instituto Sul Global e as visões expressadas pelo Dr. Gupta sobre a necessidade de fortalecer a autonomia estratégica, a multipolaridade e a cooperação civilizacional entre os países do Sul Global.

Um dos principais pontos da conversa foi a necessidade de ampliar o diálogo entre Brasil e Índia para além das relações comerciais, diplomáticas e tecnológicas. O Instituto Sul Global defendeu uma aproximação também no campo das ideias, baseada no diálogo entre civilizações e na busca de respostas comuns para os grandes desafios contemporâneos.

A visita possui também forte dimensão simbólica por ter ocorrido em uma instituição inspirada no legado de Swami Vivekananda, uma das figuras mais importantes do pensamento indiano moderno. Vivekananda tornou-se mundialmente conhecido depois de seu histórico discurso no Parlamento Mundial das Religiões, em Chicago, em 11 de setembro de 1893.

Na ocasião, diante de representantes de diferentes tradições religiosas, Vivekananda apresentou ao Ocidente uma mensagem de tolerância, pluralismo e unidade espiritual. Em vez de defender a superioridade de uma religião sobre as demais, sustentou que diferentes caminhos poderiam conduzir à mesma verdade. Sua intervenção tornou-se um marco do encontro entre o pensamento indiano e o mundo ocidental.

Mais de 130 anos depois, a mensagem de Vivekananda adquire nova atualidade diante de um sistema internacional marcado por guerras, disputas geopolíticas, tensões comerciais e uma crescente fragmentação entre blocos de poder. Nesse contexto, o conceito de diálogo entre civilizações ganha importância como alternativa à ideia de que diferenças culturais, religiosas e políticas necessariamente conduzem ao conflito.

Brasil e Índia como pontes

Durante o encontro, o Instituto Sul Global apresentou sua visão de que Brasil e Índia possuem características particularmente favoráveis para exercer esse papel de construção de pontes. São duas grandes democracias do Sul Global, sociedades profundamente plurais e países que buscam ampliar sua autonomia internacional sem romper suas relações com diferentes polos de poder.

Essa característica torna a autonomia estratégica um terreno natural para uma cooperação mais profunda entre os dois países. Brasil e Índia participam dos BRICS, mantêm relações importantes com a China e, ao mesmo tempo, preservam canais sólidos com Estados Unidos, Europa e outras potências ocidentais.

Mais do que escolher lados em uma ordem internacional cada vez mais polarizada, os dois países podem contribuir para a construção de uma arquitetura mundial multipolar baseada em cooperação, soberania e respeito às diferenças.

A aproximação entre instituições de pensamento também pode ajudar a dar densidade intelectual a essa relação. Think tanks, universidades, centros de pesquisa e meios de comunicação têm condições de construir pontes que sobrevivem às mudanças conjunturais dos governos e ajudam a formar uma compreensão mais profunda entre as sociedades.

O legado de Vivekananda

A própria trajetória de Vivekananda oferece uma referência para esse esforço. Discípulo do mestre espiritual Ramakrishna, ele procurou estabelecer pontes entre Oriente e Ocidente e apresentar a tradição filosófica indiana como uma contribuição universal, e não apenas como patrimônio de um único povo.

Sua mensagem combinava espiritualidade, serviço à humanidade e reconhecimento da diversidade. Para Vivekananda, diferenças não precisavam ser eliminadas para que houvesse unidade. A convivência entre diferentes caminhos poderia, ao contrário, enriquecer a experiência humana.

Essa concepção dialoga com um dos princípios que o Instituto Sul Global pretende desenvolver em suas relações internacionais: a ideia de que a emergência de um mundo multipolar não deve significar simplesmente a substituição de uma hegemonia por outra, mas a construção de uma ordem em que diferentes civilizações possam cooperar sem abrir mão de suas identidades.

A visita à Vivekananda International Foundation ocorre durante a passagem do Instituto Sul Global por Nova Déli, em uma agenda de encontros destinada a aprofundar as relações do Brasil com instituições indianas e ampliar a presença brasileira nos debates sobre o futuro do Sul Global.

Ao apresentar sua proposta à direção da fundação, Attuch destacou justamente essa dimensão: aproximar instituições, intelectuais e sociedades para que Brasil e Índia possam contribuir não apenas para uma nova configuração do poder mundial, mas também para uma nova cultura de cooperação internacional.

Em uma época marcada pela retomada de conflitos e pela lógica da confrontação, a mensagem que atravessou o encontro em Nova Déli remete diretamente ao legado de Vivekananda: o reconhecimento das diferenças não precisa separar os povos. Pode ser justamente o ponto de partida para aproximá-los.

Fonte: Brasil 247

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