Formalização avança e Brasil soma 3 milhões de novos negócios com CNPJ em uma década

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Por Aquiles LinsBrasil 247

247 – O Brasil registrou um salto expressivo na formalização de empreendedores na última década, com 3 milhões de novos negócios com CNPJ entre 2015 e 2025. No período, o número de empreendimentos formais passou de 7,45 milhões para 10,5 milhões, uma alta de 41%.

Os dados são de uma pesquisa do Sebrae, divulgada pela Agência Sebrae de Notícias, sobre o empreendedorismo informal a partir da PNAD Contínua. Segundo o levantamento, o avanço dos negócios formalizados ocorreu em ritmo cerca de sete vezes superior ao do empreendedorismo informal, que cresceu 6% no mesmo intervalo, de 18,6 milhões para 19,7 milhões.

Com esse movimento, a proporção de empreendedores com CNPJ subiu de 28,5% para 34,7% do total. O estudo aponta que a formalização vem ganhando espaço em um cenário no qual abrir e manter um negócio passou a ser uma alternativa mais estruturada para parte crescente da população.

Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, o resultado está ligado à melhora do ambiente de negócios e aos instrumentos criados para simplificar a vida de quem empreende. “O Simples Nacional foi um marco no empreendedorismo no Brasil. A partir dele, e com os aprimoramentos que foram feitos ao longo dos últimos anos, abrir o próprio negócio tornou-se uma atividade mais atrativa e bem menos desafiadora. Com isso, cada vez mais empreendedores decidem abrir sua empresa por oportunidade, e não por necessidade”, afirmou.

Negócios mais estáveis

A pesquisa também indica que o empreendedorismo tem se consolidado como uma ocupação de longo prazo, e não apenas como uma saída emergencial diante da falta de emprego formal. No quarto trimestre de 2025, 76% dos empreendedores informais estavam à frente de seus negócios havia dois anos ou mais.

Entre os formalizados, a permanência é ainda maior: 88% tinham mais de dois anos de atividade. A presença de iniciantes é reduzida nos dois grupos. Apenas 3% dos informais e 0,5% dos formais tinham menos de um mês de atuação.

O dado reforça a leitura de que parte significativa dos empreendedores busca estabilidade na atividade. Mesmo no universo informal, a maior parte dos negócios já não aparece como experiência provisória, mas como fonte regular de renda.

Perfil da informalidade

O levantamento mostra diferenças importantes no perfil dos empreendedores formais e informais. Entre os donos de negócios sem CNPJ, 67% são homens e 60% são pessoas negras. Já no segmento formal, há predominância de pessoas brancas, que representam 60,5% do total.

A informalidade também acompanha o envelhecimento da população. A faixa etária de 60 anos ou mais foi a que mais cresceu entre os empreendedores informais, passando de 12% para 16% em dez anos, alta de 4 pontos percentuais.

Outro dado relevante é o peso do empreendedorismo informal na sustentação familiar. Segundo o estudo, 54% dos donos de negócios sem CNPJ são chefes de família, o que indica que essa atividade muitas vezes funciona como principal fonte de renda do domicílio.

Previdência e local de trabalho

A pesquisa também revela fragilidades associadas à informalidade. Entre os empreendedores sem CNPJ, 80% não fazem contribuição para a Previdência Social. O dado expõe uma situação de vulnerabilidade em relação à aposentadoria e à proteção social.

Além disso, 60% dos informais trabalham sem local fixo. A atuação ocorre principalmente no próprio domicílio ou em espaços definidos pelo cliente, como no caso de prestadores de serviços.

A carga horária média dos informais é de 36 horas semanais no negócio principal, sete horas a menos que a dos empreendedores formalizados. O levantamento atribui essa diferença ao predomínio do trabalho por conta própria entre os informais, que representam 96% desse grupo, em contraste com negócios formalizados com maior capacidade de gerar postos de trabalho.

Fonte: Brasil 247

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