Polícia identifica bolsonarista que cometeu racismo no metrô de São Paulo

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – Uma mulher foi identificada pela Polícia Civil de São Paulo após proferir ofensas raciais e homofóbicas contra um estudante na estação Vila Sônia, da Linha 4-Amarela do metrô. O episódio de violência verbal ocorreu na noite do último domingo (18), logo após um ato público em apoio a Flávio Bolsonaro (PL) realizado na Avenida Paulista. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou que a investigada será intimada a prestar depoimento na delegacia, informa o G1.

As apurações policiais já estão em andamento com o depoimento da vítima, e os agentes que atenderam o chamado no local também serão ouvidos. Além disso, os investigadores vão analisar o circuito interno de segurança da estação para reconstituir o trajeto dos envolvidos e instruir o inquérito policial, instaurado a pedido do Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi), do Ministério Público.

A altercação teve início quando a agressora passou a proferir ataques homofóbicos contra um grupo de três pessoas. O estudante Marcio Ferreira decidiu intervir na tentativa de pacificar a situação e evitar agressões físicas.

“Falei que não precisava brigar, mesmo ela sendo bolsonarista e eu o contrário. Após eu dizer isso, ela disse: ‘então você está com eles? Você é viado igual a eles…’. E começou a proferir as ofensas raciais”, relatou Marcio.

Após o grupo inicial se retirar, o estudante permaneceu no local orientando a mulher a se acalmar e seguir para a saída. “A partir do momento que eu falei ‘bolsonarista’, ela começou a me xingar. Ela já tinha me xingado antes. Então, comecei a filmar e me afastar”.

A mulher seguiu o jovem pela escada rolante até a parte superior do terminal, acusando-o falsamente de agressão enquanto solicitava a presença da segurança. Durante a gravação feita pela vítima, a agressora admitiu explicitamente o ataque e reiterou os insultos: “Eu falei para ele que ele é um preto de bosta”. Ao ser alertada de que a conduta configurava crime, tentou se justificar: “deixa eu te mostrar a foto da minha família. Meu filho é preto. Eu sou mulher de preto também”. Nas imagens, ela repete xingamentos como “seu bosta” e “seu merda”, além de ter sido registrada proferindo ofensas como “preto do ca…”.

Mesmo ciente de que é a vítima, Marcio desabafou sobre o impacto emocional do ataque do qual foi alvo. “Na hora, você se sente culpado… Culpado de ter saído de casa, de não saber como reagir. Só que eu sei que eu não tenho culpa. Mas é difícil tirar esse sentimento de culpa que a gente carrega agora. Se eu não tivesse saído de casa, se eu não tivesse nascido… Talvez isso não teria acontecido”.

O estudante registrou o boletim de ocorrência e reforçou que pretende levar a denúncia até o fim para combater a impunidade. “Eu sei que eu não tenho culpa de novo. A culpa não é minha. A culpa é dela. Ela é racista. Ela é criminosa. Apesar de que, na hora ela falou: ‘o meu marido é negro, o meu filho é negro’. Mesmo sabendo que não tenho culpa. Mas esse sentimento não sai. Eu pego metrô para trabalhar, eu pego metrô para estudar… Passo todos os dias ali”, declarou.

A concessionária Motiva, responsável pela administração da Linha 4-Amarela, confirmou que os Agentes de Atendimento e Segurança prestaram auxílio inicial ao estudante na estação Vila Sônia Professora Elisabeth Tenreiro. A empresa informou que ofereceu acompanhamento imediato à delegacia — recusado no momento pelo jovem —, reiterou o repúdio a qualquer ato de discriminação e colocou suas imagens e estruturas à disposição das autoridades.

Fonte: Brasil 247

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