Lula suspende agenda para se preparar para debate decisivo com Flávio Bolsonaro na Globo

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu interromper os compromissos públicos de campanha para concentrar esforços na preparação para o debate da TV Globo, marcado para esta sexta-feira (23). O confronto com Flávio Bolsonaro (PL), último antes do segundo turno das eleições presidenciais, é considerado pela equipe petista uma oportunidade de conquistar votos e reverter a pequena vantagem numérica do adversário nas pesquisas.

Segundo reportagem do Metrópoles, publicada nesta quinta-feira (22), Lula dedicará o dia e parte da sexta-feira a reuniões com aliados e integrantes da coordenação eleitoral. O objetivo é definir estratégias para melhorar seu desempenho em relação ao primeiro confronto, realizado no último domingo (18), na TV Band, e evitar situações que possam favorecer o candidato do PL.

Uma das principais preocupações da campanha é impedir que o debate seja utilizado para disseminar informações falsas. Por isso, aliados do presidente defendem que a Globo realize uma checagem em tempo real das declarações dos dois candidatos. O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, atualmente de férias do cargo para participar da campanha, está conduzindo as conversas com a emissora.

Na quarta-feira (21), o presidente nacional do PT e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, acusou Flávio Bolsonaro de “mentir muito” e defendeu mecanismos que permitam ao eleitor identificar informações falsas durante o confronto.

“O debate não pode ser um instrumento de desinformação. O debate tem que ser um instrumento de formação de opinião do eleitor. Então, o correto é que haja uma checagem de cada resposta dos dois candidatos para saber quem está falando a verdade e quem está mentindo para o eleitor em um momento tão decisivo”, afirmou Edinho.

Campanha quer evitar armadilhas de Flávio Bolsonaro

Além da preocupação com a veracidade das declarações, os auxiliares de Lula discutem mudanças na movimentação e no posicionamento do presidente durante o debate.

Uma das orientações é que o petista utilize mais o púlpito e circule menos pelo estúdio. A recomendação surgiu após o confronto da Band, quando Flávio Bolsonaro adotou a estratégia de se posicionar repetidamente atrás do presidente enquanto ele falava.

Integrantes da campanha avaliam que Lula precisa evitar situações semelhantes no próximo encontro. As regras estabelecidas pela Globo permitem que os candidatos se movimentem livremente pelo cenário durante suas intervenções, o que levou os estrategistas petistas a buscar alternativas para neutralizar possíveis manobras do adversário.

A preparação também ocorre em um momento considerado decisivo pela campanha presidencial. Com a votação marcada para domingo (25), o debate representa uma das últimas oportunidades de Lula apresentar suas propostas diretamente aos eleitores e tentar conquistar aqueles que ainda não definiram o voto.

Recuperação de Lula na Quaest anima aliados

O esforço para o debate acontece em meio a sinais de recuperação eleitoral do presidente. A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (21), contratada pelo jornal O Globo e pela TV Globo, mostrou Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula. Os dois candidatos estão tecnicamente empatados.

O levantamento também registrou 5% de votos brancos e nulos e 2% de indecisos.

Apesar da vantagem numérica de Flávio, integrantes da campanha petista receberam os resultados com otimismo, principalmente diante de três indicadores considerados favoráveis ao presidente.

O primeiro é a redução da rejeição a Lula, que passou de 53% para 47% em uma semana. No mesmo período, a rejeição a Flávio Bolsonaro caiu dois pontos percentuais, chegando a 52%. Com isso, o candidato do PL apresenta um índice de rejeição cinco pontos superior ao registrado pelo presidente.

Outro dado destacado pela equipe de Lula foi o crescimento do percentual de indecisos na pesquisa espontânea sobre o segundo turno. Em apenas uma semana, esse grupo passou de 7% para 14%, indicando que uma parcela maior do eleitorado ainda não declarou espontaneamente sua preferência entre os dois candidatos.

“Isso significa que o voto está em disputa”, afirmou um auxiliar presidencial ouvido pelo Metrópoles.

O terceiro indicador considerado positivo pelos aliados de Lula diz respeito ao temor dos eleitores em relação ao resultado da eleição. Segundo a Quaest, 44% dos entrevistados afirmam temer o retorno da família Bolsonaro ao poder, enquanto 42% dizem ter receio da reeleição do atual presidente.

Na avaliação da campanha, esses resultados reforçam a importância de conquistar eleitores indecisos e reduzir resistências ao presidente nos últimos dias antes da votação.

Lula pede cassação da chapa de Flávio por suposto favorecimento nas redes

Paralelamente à preparação para o debate, a campanha de Lula intensificou a disputa jurídica contra Flávio Bolsonaro. Na noite de quarta-feira (21), a equipe petista protocolou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), solicitando a cassação da chapa formada pelo senador e por seu candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar (PL).

A ação aponta suposto abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social, sob a alegação de que ferramentas tecnológicas da Meta teriam beneficiado a candidatura de Flávio Bolsonaro em detrimento da campanha de Lula.

O documento sustenta que recursos de inteligência artificial, sistemas de recomendação e mecanismos de revisão de anúncios das plataformas digitais teriam funcionado de maneira desigual durante a disputa eleitoral.

Entre os episódios apresentados pela campanha estão a possibilidade de gerar imagens favoráveis a Flávio Bolsonaro por meio de ferramentas de inteligência artificial e as restrições relatadas para a produção de conteúdos semelhantes envolvendo Lula.

A equipe petista também afirma ter enfrentado dificuldades para impulsionar publicações pagas nas redes sociais, o que, segundo a representação, teria provocado desequilíbrio nas condições de divulgação das candidaturas.

Além da cassação da chapa, a ação solicita que o TSE declare Flávio Bolsonaro, o influenciador Pablo Marçal e o empresário Tallis Gomes inelegíveis por oito anos. A campanha de Lula também pede a adoção de medidas urgentes durante a investigação.

A Meta, por sua vez, negou qualquer interferência no processo eleitoral ou favorecimento a candidatos. A empresa atribuiu os problemas relatados pela campanha petista a falhas técnicas.

Fonte: Brasil 247

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