PF encontra sala secreta e máquina de contar dinheiro em hangar de advogado ligado a Flávio Bolsonaro

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – A Polícia Federal identificou um compartimento secreto, equipado com uma porta metálica aparentemente blindada, em um hangar utilizado por empresas do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O espaço, localizado no Aeroporto Internacional de Brasília, continha uma máquina de contar cédulas, malas vazias e uma estrutura destinada à guarda de valores. Os investigadores suspeitam que aeronaves particulares possam ter sido utilizadas para transportar dinheiro em espécie.

As informações constam de um relatório da PF obtido pelo jornal O Estado de São Paulo. A descoberta ocorreu durante uma operação de busca e apreensão realizada em 7 de agosto, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de ocultação de patrimônio em benefício do senador Weverton Rocha (PDT-MA).

Segundo o documento, a existência do compartimento foi revelada por uma denúncia anônima recebida depois que os policiais haviam concluído a primeira inspeção nos hangares. A equipe retornou ao local e encontrou, atrás de uma estrutura de madeira, uma porta metálica reforçada que dava acesso a um ambiente reservado.

A PF descreveu o espaço como uma instalação preparada para armazenar valores com segurança. Embora não tenha encontrado dinheiro durante a vistoria, identificou equipamentos e objetos que, na avaliação dos investigadores, poderiam indicar a utilização anterior do compartimento para guardar e movimentar grandes quantias em espécie.

Em nota, Willer Tomaz rejeitou as suspeitas e afirmou que a estrutura é utilizada em atividades comerciais legítimas, relacionadas à prestação de serviços para empresas de transporte de valores.

“A sala cofre e os equipamentos mencionados estão localizados nos hangares das empresas de aviação e são essenciais para a prestação de serviços a empresas de transportes de valores que temos em nosso portfólio. É fantasiosa e ridícula a tese de que a sala seria usada para contar ou guardar recursos de origem não declarada”, declarou o advogado.

Denúncia levou policiais a descobrir compartimento oculto

A operação teve como um dos alvos os hangares 36 e 37 da área de aviação executiva do aeroporto de Brasília, ocupados por duas empresas ligadas a Willer Tomaz.

Durante a primeira etapa das buscas, os agentes apreenderam quatro aeronaves: um helicóptero Robinson R66, fabricado em 2012; um avião Cessna 550 Bravo, de 2001; um helicóptero Helibras AS 350 B2, de 2007; e uma aeronave Cessna Aircraft, fabricada em 2000.

Apesar da apreensão, os equipamentos permaneceram nos hangares, sob responsabilidade de uma funcionária de uma das empresas.

Os policiais também copiaram listas de passageiros e diários de bordo referentes aos últimos anos. A documentação passou a ser analisada para identificar quem utilizava as aeronaves, disponibilizadas comercialmente para serviços de táxi aéreo.

Depois da saída da equipe, os investigadores receberam uma informação anônima sobre a existência de uma sala escondida que poderia ser utilizada para armazenar dinheiro.

Diante da denúncia, os agentes decidiram retornar ao endereço. O relatório policial justificou a medida pela necessidade de verificar uma possível relação entre o compartimento e a hipótese investigativa de transporte de recursos financeiros em aeronaves privadas.

O retorno ocorreu por volta das 15h. Durante a nova inspeção, os policiais perceberam alterações estruturais em uma área do hangar. Para alcançar o espaço, precisaram remover um obstáculo de madeira que escondia uma porta metálica reforçada.

Após a abertura dessa segunda porta, os agentes encontraram uma sala reservada, com características de um ambiente destinado à custódia de valores.

PF encontrou máquina de contar dinheiro e malas vazias

O relatório registra que a equipe identificou uma segunda máquina de contar cédulas, além de outro equipamento semelhante apreendido anteriormente no escritório do advogado.

No compartimento também havia malas vazias consideradas adequadas ao transporte de grandes volumes de dinheiro, além de uma estrutura interna gradeada e dividida em setores.

A ausência de dinheiro no momento da vistoria não encerrou as suspeitas. Os investigadores consideraram necessário apurar se alguma quantia havia sido retirada do local no intervalo entre a primeira diligência e o retorno dos policiais.

Para esclarecer quem tinha acesso ao ambiente, a PF solicitou uma perícia papiloscópica, destinada à coleta e análise de impressões digitais.

Na avaliação dos investigadores, a combinação entre a estrutura encontrada, os equipamentos de contagem e as aeronaves particulares justifica o aprofundamento da hipótese de transporte de dinheiro em espécie.

A documentação recolhida, especialmente os registros de passageiros e os diários de bordo, poderá auxiliar na identificação de pessoas que utilizaram os aviões e helicópteros durante o período investigado.

Rancho luxuoso também foi alvo de buscas

A mesma operação alcançou uma propriedade de Willer Tomaz em Planaltina de Goiás, no Entorno do Distrito Federal.

O rancho já havia chamado atenção por uma fotografia em que o senador Weverton Rocha aparece ao lado de outros políticos ligados ao Centrão, reunidos em uma piscina da propriedade. O vazamento da imagem também se tornou objeto de investigação da Polícia Federal.

Durante as buscas, os agentes registraram características que, segundo o relatório, demonstrariam elevada capacidade patrimonial do advogado.

Entre as estruturas identificadas estavam uma praia artificial, um lago com píeres, construções próximas à água, motos aquáticas e um túnel subterrâneo que interliga partes da propriedade separadas por uma via pública.

A dimensão e o padrão das instalações foram considerados relevantes pelos investigadores no contexto da apuração patrimonial.

Além de examinar a propriedade, os policiais recolheram equipamentos de armazenamento vinculados ao sistema de câmeras de segurança.

Ao todo, quatro dispositivos foram apreendidos na sala de monitoramento do rancho. O objetivo é preservar registros que permitam reconstruir a movimentação de pessoas, veículos e bens durante o período de interesse da investigação.

As imagens poderão ajudar a identificar visitantes e verificar possíveis conexões entre a movimentação na propriedade e os fatos apurados pela PF.

Fonte: Brasil 247

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