O que a nova pesquisa Quaest revela sobre os indecisos que podem decidir a eleição entre Lula e Flávio Bolsonaro
Por Ton Paulo — Jornal Opção

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 21, a poucos dias do 2º turno eleitoral, trouxe um dado que, mais uma vez, mostra que esta é uma das disputas presidenciais mais abertas e acirradas da história do país.
Flávio Bolsonaro aparece com 45% das intenções de voto, enquanto Lula figura com 44% (tecnicamente empatados). Além disso, o levantamento da Quaest também revela que o número de eleitores indecisos na simulação espontânea dobrou, passando de 7% para 14%.
Entre as mulheres, especificamente, o percentual de indecisas quanto à escolha do candidato saltou de 8% para 18%. Já o percentual de eleitores independentes indecisos, que antes era de 13%, agora é de 31%.
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), esse perfil de eleitor, o independente, é considerado “pragmático e não ideológico” e será justamente o que poderá decidir a eleição. O aumento da indecisão nesse grupo, ainda conforme Nunes, é um sinal claro de “descontentamento com as opções e com a campanha negativa que vem sendo apresentada”.
Ao Jornal Opção, o cientista político Guilherme Carvalho explica que a alta da volatilidade, detectada na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, pode estar, em grande parte, relacionada à intensificação da campanha eleitoral de Lula e à crescente desconfiança em relação a algumas posições de Flávio Bolsonaro.
O Janones tem feito um trabalho intenso, e também temos o efeito do pacote de bondades, como o perdão dos devedores do MEI, fim da escala seis por um. E também há as falas cambaleantes do Flávio. A posição dele quanto à escala seis por um, por exemplo, passa a impressão de que não é autêntica
Mesmo assim, ainda conforme Carvalho, Flávio leva vantagem entre os eleitores dos outros candidatos, de direita e centro-direita. Já Lula, de acordo com o especialista, cresce entre os eleitores que se abstiveram no primeiro turno.
A análise é semelhante à de Felipe Nunes. Conforme o diretor da Quaest, em análise feita ao g1, os cerca de 9 milhões de eleitores que votaram nos outros candidatos estão se inclinando mais para Flávio (43%) do que para Lula (37%).
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Contudo, os eleitores que dizem não ter ido votar ou que votaram em branco ou nulo podem estar migrando majoritariamente para Lula: 40% afirmam que agora votam no petista, enquanto 36% declaram apoio a Flávio.
Há, ainda, outra notícia positiva para Lula nesta pesquisa Quaest: a queda da rejeição. O percentual de eleitores que afirmam não votar em Lula caiu de 53% para 47%. Já a rejeição a Flávio passou de 54% para 52%. Ou seja, o filho de Bolsonaro é, agora, o candidato mais rejeitado.
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Fonte: Jornal Opção