Por Miguel Manso — Brasil 247

Por Miguel Manso – “Hoje estais com o governo,
amanhã sereis o governo.”
Presidente Getúlio Vargas, aos trabalhadores, no 1º de Maio de 1954.

Depois desta eleição, o Brasil não será mais o mesmo.

A semana que se seguiu ao primeiro turno das eleições de 2026 não foi apenas uma reação eleitoral. Foi o começo de uma revolução de libertação nacional com o povo como protagonista. Centenas de cidades, milhões de pessoas nas ruas, um exército popular organizado, nas redes sociais e nas ruas, e a certeza de que o Brasil não será o mesmo a partir desta eleição, muito menos o quintal de ninguém. O povo não quer apenas votar: o povo quer decidir seus destinos, quer o poder.

A faísca da juventude acendeu a chama da libertação e da virada
No domingo, 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (PT). A diferença de pouco mais de dois milhões de votos poderia ter sido um golpe de desânimo. Foi o contrário. Na segunda-feira (5), estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) saíram às ruas em Niterói com um cartaz que resumia tudo: “O abalo e o espanto com o resultado de domingo precisam se transformar em movimento”. A chama se espalhou no dia seguinte por universidades de pelo menos dez estados. As redes sociais funcionaram como sistema nervoso de um exército popular que transformou indignação em organização e mobilização geral.

Centenas de cidades, milhões de vozes

No domingo seguinte, 11 de outubro, a Avenida Paulista foi tomada por uma multidão que ocupou 12 quarteirões. A Marcha pela Democracia reuniu estudantes, trabalhadores, artistas, torcidas organizadas, comunidades de fãs e a Parada do Orgulho LGBT+. Mais de 1 milhão de pessoas. O número exato importa menos do que o significado: foi a maior manifestação popular na Avenida Paulista.

Mas a Paulista foi apenas o epicentro. As manifestações atingiram centenas de cidades só no domingo. Ao longo da semana, o número ultrapassou facilmente milhões de brasileiros, que ocuparam o centro da luta. No Rio, Copacabana recebeu a maior manifestação de todos os tempos no feriado de Nossa Senhora Aparecida. Em Salvador, Recife, Belo Horizonte, Natal, Belém, Porto Alegre, Florianópolis e Brasília as ruas voltaram a ser o espaço da política feita pelo povo.

“Soberano é o povo”

Lula não foi espectador. Foi intérprete do movimento e mobilizador. Na Paulista, traduziu o que ouvia: “A gente quer democracia, vocês estão me dizendo: ‘Lula, eu quero participar das decisões do governo’. A juventude tem que ser ouvida, não basta fazer as coisas de cima para baixo”.

E completou: “Hoje vocês estão me dizendo, o povo está me dizendo e nessa campanha foi a voz que eu mais ouvi: ‘Ô Lula, a gente não quer só comida, a gente quer cultura, a gente quer cinema, a gente quer estudar, a gente quer emprego de qualidade, a gente quer liberdade, a gente quer democracia’”.

O presidente repetiu o mantra que se tornou a marca da semana: “Soberano é o povo”. Na ONU, já havia dito: “A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém, ninguém nos apartará desse caminho”. E no Pará foi categórico: “O dono desse país se chama povo brasileiro”.

A juventude assume a responsabilidade

Um dos traços mais notáveis foi o protagonismo jovem. Lula cobrou responsabilidade: “Fico muito feliz que essa manifestação tem uma maioria de juventude. Ou vocês participam da vida política ou ela não tem conserto”. E chamou: “Vocês têm que assumir a responsabilidade enquanto são jovens, enquanto têm energia, enquanto têm disponibilidade de ir à luta”.

UNE, UBES e milhares de líderes da juventude estiveram à frente das convocações. Em Brasília, o ato na Esplanada foi organizado pelo DCE da UnB. Em São Paulo, o “Ato da Virada” levou milhares ao Largo da Batata debaixo de chuva. A mensagem: o segundo turno não está perdido, e a juventude não aceitará passivamente o retrocesso.

A pressão que mudou o Congresso

As ruas produziram resultado concreto. A pressão popular obrigou Flávio Bolsonaro e o PL a recuar e anunciar voto a favor do fim da escala 6×1, pauta que antes chamavam de “oportunista”. Todos sabem que é oportunismo do Flávio para evitar derrota maior na eleição. A PEC que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, com duas folgas, foi aprovada no Senado com os votos da oposição.

Lula atribuiu a mudança à mobilização: “Parece que, depois da pressão da sociedade, o PL resolveu votar o fim da escala 6×1”. E ironizou: “Se todo mal que eu causar a este país for fazer a direita atender os interesses do povo, vou continuar a fazer isso”. Flávio tentou justificar: “A maioria dos trabalhadores quer o fim da escala 6×1. Então, vou votar a favor”. Até parece! Nos bastidores, sinalizou que pretende mudar essa PEC se for eleito.

A contradição expôs o óbvio: sem as ruas, o PL jamais teria cedido.

Lula avança nas medidas que respondem ao povo

O governo anunciou um pacote que dialoga com as demandas das ruas. Para os microempreendedores, o Prospera MEI: com o perdão de dívidas da União e o repasse de até R$ 12,6 bilhões, e de até R$ 5 mil sem devolução para cada MEI, aumento do teto de faturamento de R$ 140 mil e fim da exigência de nota fiscal para empreendedores pessoas físicas.

Para os estudantes, a versão universitária do Pé-de-Meia: R$ 700 mensais por dez meses e mais R$ 2,5 mil ao fim de cada ano, totalizando R$ 10 mil ao final da graduação.

E o programa Pé no Futuro, com formação em empreendedorismo e capital inicial de até R$ 10 mil ao final da graduação. E capital inicial de até R$ 20 mil para jovens que não ingressarem no ensino superior. O povo decidiu, e o governo respondeu.

Soberania também no agro

Enquanto as ruas gritavam que o Brasil não será quintal de ninguém, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciava o que pode ser o maior salto econômico em décadas: o Brasil está prestes a superar os Estados Unidos como maior exportador de alimentos do mundo. Em evento no Ministério da Agricultura, ele foi enfático: “O Brasil é o 5º país do mundo em extensão territorial, mas 60 anos atrás era importador de alimentos. E nós devemos chegar ao fim do ano sendo o maior exportador do mundo de alimentos, e ao mesmo tempo a ONU acaba de anunciar o Brasil com o menor índice de fome”.

No Congresso Brasileiro do Agronegócio, já havia dito: “Há 50 anos, nós tínhamos de importar alimentos. E este ano nós vamos passar os Estados Unidos e ser o maior exportador de alimentos do mundo. É um salto extraordinário”. Em 2025, os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas, contra US 169 bilhões do Brasil. Para 2026, a projeção brasileira é de US$ 180 bilhões contra US$ 177,5 bilhões dos americanos. O Brasil já lidera em soja, café, açúcar e carne bovina.

Alckmin também celebrou recordes: US$ 345 bilhões em exportações totais, US$ 629 bilhões de corrente de comércio, R$ 80 bilhões em crédito para inovação no agro e 28,5 milhões de empregos no campo em 2025. Desde 2023, foram abertos 700 mercados internacionais para produtos brasileiros. A soberania não é só bandeira política: é realidade econômica em construção.

O povo quer o poder

O que vimos nesta semana pós-primeiro turno não é conjuntural. É a emergência de uma cidadania que aprendeu que democracia não se resume ao voto. Ela se faz nas ruas, nos campi, nas praças, nas redes, nas torcidas que deixam a rivalidade de lado.

Lula, aos 81 anos, disse: “Eu quero provar que a idade não faz a gente ficar velho. O que faz a gente ficar velho é a falta de motivação, de compromisso”.

O povo brasileiro se levanta porque entendeu que o destino do Brasil não pode ser decidido por meia dúzia de operadores, banqueiros, senadores ou por algoritmos das big techs. A soberania popular não é abstração jurídica: é prática cotidiana de resistência e construção coletiva. O Brasil não será o quintal de ninguém. O povo decidiu.

A MARCHA DA LIBERTAÇÃO NACIONAL está nas ruas e nas redes e anuncia, mais do que a virada da eleição no segundo turno em 25 de outubro – O POVO QUER O PODER.

A Revolução de Libertação do povo está em marcha. E ela não será obra de um líder, de um partido ou de uma coalizão. Será obra do povo brasileiro, que decidiu se levantar e assumir o destino do Brasil. Porque, como o próprio presidente Lula sabe e repete em cada discurso: Soberano é o Povo!

Fonte: Brasil 247

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