Empresário ligado à Unigel ofereceu cargo em ONG ambiental a filho de Lula
Por João Paulo Alexandre — Jornal Opção

O empresário Léo Slezynger, ligado à petroquímica Unigel, convidou Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para integrar o conselho de uma organização não governamental (ONG) voltada à área ambiental. A proposta teria sido articulada pela lobista Roberta Luchsinger, que se apresentava como sócia de Lulinha. As informações foram divulgadas pela coluna de Andreza Matais, do Metrópoles.
Segundo a reportagem, a iniciativa tinha como objetivo captar recursos relacionados ao aporte de US$ 500 milhões anunciado pelo então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para o Fundo Amazônia, em 2023. Mensagens obtidas pelo veículo mostram que Luchsinger incentivou Slezynger a incluir o filho do presidente na estrutura da entidade, inclusive mediante remuneração.
Em uma das conversas, a lobista sugeriu que o empresário oferecesse a Lulinha uma posição remunerada no conselho da organização. Na avaliação apresentada por ela, a presença do filho do presidente poderia favorecer os interesses da entidade.
“Chama p o conselho. Paga um salário de conselheiro. Faz ele atuar para você. Você acha que o pai dele (o presidente Lula) vai querer beneficiar qual fundo? O que o filho é conselheiro e que recebe por isso. Funciona assim… toma lá, da cá”, escreveu Luchsinger, conforme as mensagens divulgadas pelo Metrópoles.
As negociações ocorreram em meio à atuação de Luchsinger e Lulinha em assuntos relacionados à Unigel, empresa que firmou um contrato de beneficiamento de gás natural com a Petrobras. O acordo foi posteriormente anulado por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que considerou a contratação prejudicial à estatal.
Conversas sobre o Fundo Amazônia
De acordo com o Metrópoles, em 20 de abril de 2023, Roberta Luchsinger encaminhou a Slezynger uma notícia sobre o anúncio do governo norte-americano de destinar recursos ao Fundo Amazônia. Na ocasião, ela cobrou rapidez na estruturação de uma entidade que pudesse receber doações.
O empresário respondeu que já possuía uma estrutura preparada para captar recursos. A lobista, então, recomendou que ele envolvesse Fábio Luís no projeto.
O anúncio de Biden previa a mobilização de US$ 500 milhões ao longo de cinco anos. Entretanto, segundo a reportagem, apenas US$ 100 milhões haviam recebido aprovação do Congresso norte-americano e sido efetivamente repassados.
Após as conversas com Luchsinger, Slezynger passou a tratar diretamente com Lulinha sobre a criação de um fórum de sustentabilidade e a possibilidade de sua participação na organização.
Em uma das mensagens, o empresário propôs um encontro para discutir a formação do conselho da entidade. Posteriormente, em 21 de maio de 2023, apresentou a Luchsinger um organograma com a composição prevista para a ONG Brasil Climate Change (BRACC).
O documento incluía Lulinha, a ex-ministra Marina Silva e a própria Luchsinger no conselho estratégico. Já o conselho empresarial teria a participação de Slezynger e Roberto Klabin, enquanto a deputada federal Sônia Guajajara aparecia entre os nomes previstos para o conselho técnico.
Ao receber a proposta, Lulinha demonstrou dúvidas sobre a possibilidade de integrantes do governo ocuparem funções em uma entidade privada. Slezynger respondeu que verificaria a questão e reforçou o interesse na participação do filho do presidente.
A inclusão dos nomes no planejamento da organização, entretanto, não comprova que todos tenham aceitado os cargos ou efetivamente integrado a entidade.
Relação com a Unigel é investigada
Ainda conforme o Metrópoles, em julho de 2023, Slezynger enviou uma mensagem a Lulinha agradecendo pela atuação dele junto ao presidente da República em assuntos relacionados à Unigel.
Em resposta, Fábio Luís afirmou que estava torcendo pelo resultado das tratativas e demonstrou satisfação por estar contribuindo com o empresário.
A ONG Brasil Climate Change chegou a criar um site em abril de 2025 e planejou realizar um evento em Paraty, no Rio de Janeiro, mas a atividade acabou adiada.
As suspeitas de possível tráfico de influência envolvendo a Unigel são investigadas em um inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Flávio Dino.
A existência da investigação não representa uma conclusão sobre a prática de irregularidades pelos envolvidos. A reportagem do Metrópoles também não demonstra, por si só, que a ONG tenha recebido recursos do Fundo Amazônia ou que Lulinha tenha efetivamente assumido uma função remunerada na entidade.
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Fonte: Jornal Opção