Presidência da Colômbia inaugura sede em ‘Casa Branca’ do Caribe

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Por AFP — Carta Capital

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O prédio em Barranquilla foi construído a mando do presidente de extrema-direita Abelardo de la Espriella, que afirma que o governo deve estar mais próximo das forças de segurança e da população

Uma mansão de colunas brancas, com ares de Casa Branca em pequena escala, se destaca dentro de um quartel militar em Barranquilla.

É a nova sede presidencial da Colômbia, um símbolo do direitista Abelardo de la Espriella, que seus críticos questionam como uma encenação cara.

O mandatário transformou o lugar em símbolo de duas de suas promessas: a proximidade com as forças de segurança e um governo mais próximo das pessoas, em meio a uma onda de violência na Colômbia.

No entanto, das ruas que cercam o Batalhão Paraíso, não se consegue ver a mansão neoclássica remodelada, que seus críticos chamam de “Casa Branca da Temu”, em referência à plataforma chinesa conhecida por vender produtos baratos.

Jardins tropicais e palmeiras rodeiam o edifício de 1938 no espaço militar de mais de 50.000 m², fechado ao público.

Na Colômbia, os poderes e as principais instituições se concentram na capital, enquanto De la Espriella afirma apostar na descentralização ao governar a partir de diferentes pontos do país, incluindo Barranquilla, onde fica sua mansão familiar.

Admirador de Donald Trump, o presidente negou, irritado, que a nova sede fosse uma “cópia” da americana.

O casarão em Barranquilla já recebeu visitas como a do chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, e da presidente da Costa Rica, Laura Fernández.

O novo protagonismo do Caribe aparece em conversas de família e em lojinhas de bairro no centro de Barranquilla, a poucos quilômetros do reduto.

“Há muito tempo a costa e as regiões distantes de Bogotá foram esquecidas”, diz Libardo Charris, comerciante de móveis de 54 anos.

Gabriel Sánchez, de 47 anos e dono de uma loja, comemora que o Caribe esteja agora “mais visível” com De la Espriella. O advogado milionário é popular por sua política de linha dura contra o crime, pela defesa de valores tradicionais e promessas de austeridade.

Mas a oposição afirma que o projeto é uma encenação desnecessária e cara, que envolve centenas de deslocamentos aéreos, em meio a uma profunda crise fiscal.

Eles consideram que descentralizar o Estado consiste em criar políticas para as regiões, mais do que viajar.

Há dois governos: o “que se mostra às câmeras e outro por trás” que vemos nos territórios, diz Edwin Capaz Lectamo, do movimento indígena do Cauca (sudoeste), que mantém tensões com o governo. Vemos “abandono, com estigmatização, acusações e perseguição”, assegura.

A AFP pediu detalhes à Presidência sobre o funcionamento da sede, mas não obteve resposta.


AFP

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Fonte: Carta Capital

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