Alckmin cita Milei e cobra de Flávio Bolsonaro explicação sobre corte de R$ 200 bilhões no Orçamento

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Por Vinícius Nunes — Carta Capital

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O vice-presidente afirma que proposta do senador pode afetar aposentadorias, direitos trabalhistas e programas sociais e cita medidas adotadas pelo governo argentino

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) cobrou explicações do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre a promessa de cortar 200 bilhões de reais do Orçamento. Em vídeo divulgado nas redes sociais do presidente Lula (PT), nesta terça-feira 20, Alckmin questiona de onde virá a economia prometida e quais setores poderão ser atingidos caso o plano seja implementado em vitória bolsonarista em 25 de outubro.

O vice-presidente relaciona a proposta a medidas adotadas pelo governo do presidente argentino Javier Milei , que servem de referência para a equipe econômica de Flávio. Alckmin cita mudanças nas regras de valorização do salário mínimo, no reajuste das aposentadorias, no seguro-desemprego e na distribuição gratuita de medicamentos.

“Apesar de prometer essa tesourada e dizer que a Argentina é um modelo a ser seguido, Flávio jura de pé junto que não pretende cortar benefícios sociais”, afirma o vice.

Alckmin lembrou que o governo argentino interrompeu aumentos do salário mínimo acima da inflação e desvinculou o reajuste das aposentadorias do aumento dos salários dos trabalhadores da ativa. Também menciona restrições ao seguro-desemprego, redução de indenizações trabalhistas e diminuição do número de beneficiários de programas de distribuição gratuita de remédios.

Após dois anos, a pobreza na Argentina voltou a crescer sob o governo de Milei e alcançou 32,3% da população no primeiro semestre de 2026, de acordo com dados oficiais divulgados em 24 de setembro pelo Indec. A taxa de indigência também subiu, atingindo 7,5%.

O avanço ocorre em meio à aceleração da inflação e do desemprego, que chegou a 7,9%, o nível mais alto desde 2021. Especialistas apontam que a precarização do trabalho e o fechamento de cerca de 30 mil empresas desde o início da gestão de Milei são fatores centrais para a retração. O impacto é mais severo entre as crianças: 44,5% dos menores de 14 anos vivem atualmente em situação de pobreza.

A cobrança de Alckmin ocorre em meio ao debate sobre o plano econômico do senador, que tem defendido uma redução de despesas públicas. A campanha de Flávio afirma que pretende cortar gastos administrativos , reduzir estruturas do governo e combater desperdícios, sem retirar direitos dos trabalhadores ou benefícios sociais.

O vice-presidente, porém, afirma que a promessa não está acompanhada de explicações suficientes sobre como alcançar a economia de 200 bilhões de reais. “Se ele diz que vai cortar 200 bilhões e diz que esse corte não virá dos programas sociais, ele precisa dizer com todas as letras de onde vai vir esse corte”, diz.


Vinícius Nunes

Repórter de CartaCapital baseado em Brasília. Cobre os Três Poderes. Já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News.

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Fonte: Carta Capital

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