Acelen assume naming rights da Arena Fonte Nova
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A empresa de energia Acelen, responsável pela Refinaria de Mataripe e controlada pelo fundo Mubadala Capital, de Abu Dhabi, anunciou nesta segunda-feira (19) um acordo para assumir os direitos de nome da Arena Fonte Nova, em Salvador. Com a parceria, um dos principais estádios de futebol do Brasil passa a se chamar Arena Acelen Fonte Nova, ampliando a presença da companhia no esporte e sua associação com a Bahia.
Segundo informações do Brazil Stock Guide, o anúncio ocorre menos de um mês após a suspensão do contrato de patrocínio com a Casa de Apostas, empresa de apostas esportivas que detinha os direitos comerciais sobre o nome do estádio. Os valores envolvidos e o prazo de duração do novo acordo não foram divulgados pelas partes.
A iniciativa representa uma nova etapa da estratégia da Acelen para ampliar sua visibilidade fora do setor de petróleo e combustíveis. Desde que assumiu a Refinaria de Mataripe, anteriormente pertencente à Petrobras, em 2021, a empresa vem expandindo seus investimentos industriais na Bahia e buscando fortalecer sua identificação com o estado.
A parceria também marca o retorno da companhia ao futebol baiano. A Acelen já havia patrocinado o Esporte Clube Bahia durante as temporadas de 2022 e 2023. Agora, sua marca estará associada diretamente ao estádio que recebe regularmente partidas do clube, além de shows e outros eventos de grande público.
Nova identidade visual preserva elementos históricos da Fonte Nova
A apresentação da Arena Acelen Fonte Nova foi acompanhada de uma nova identidade visual, desenvolvida para incorporar a marca da empresa sem abandonar características tradicionais do estádio.
Entre os elementos preservados estão os arcos que remetem à arquitetura da arena e a tipografia original de sua identidade. A campanha de lançamento utiliza o slogan “Toda energia tem uma fonte. A nossa é a Bahia”, estabelecendo uma relação entre o nome histórico do estádio e a atuação da companhia no setor energético.
Marcelo Lyra, vice-presidente de Relações Institucionais, Comunicação, ESG e Desenvolvimento Territorial da Acelen, destacou a preocupação em manter a ligação do espaço com sua história.
“Escolhemos trazer de volta os arcos e preservar a tipografia original por respeito a essa história”, afirmou o executivo.
Segundo Lyra, o acordo também pretende aprofundar o relacionamento da empresa com as comunidades locais e reafirmar seu compromisso de longo prazo com a Bahia.
A mudança não altera a administração da arena. O estádio continuará sob responsabilidade da concessionária Fonte Nova Negócios e Participações, que opera o equipamento por meio de uma parceria público-privada com o governo baiano.
De acordo com o cadastro oficial de parcerias público-privadas da Secretaria da Fazenda da Bahia, a concessão está prevista para vigorar até 31 de março de 2028.
Acordo substitui patrocínio da Casa de Apostas
A chegada da Acelen representa uma mudança no perfil dos patrocinadores que tiveram seus nomes associados à Fonte Nova desde sua inauguração, em 2013.
Durante uma década, a marca de cerveja Itaipava deteve os direitos de nome do estádio. Posteriormente, em 2023, a Casa de Apostas assumiu o espaço comercial, por meio de um contrato inicialmente previsto para durar quatro anos.
O acordo com a empresa de apostas foi suspenso no final de setembro, após a publicação da Medida Provisória 1.394/2026, que, segundo o Brazil Stock Guide, proibiu a operação e a publicidade de apostas esportivas no país.
A medida também determinou a retirada de materiais publicitários e marcas de patrocinadores ligados ao setor de apostas dos equipamentos esportivos.
Com a substituição, a arena passa a ter como parceira comercial uma companhia do setor energético, com operações industriais relevantes na própria Bahia.
Refinaria de Mataripe concentra investimentos bilionários
A presença da Acelen na Bahia está diretamente relacionada à operação da Refinaria de Mataripe, localizada em São Francisco do Conde, na Região Metropolitana de Salvador.
Adquirida da Petrobras em 2021, a unidade tem capacidade para processar mais de 300 mil barris de petróleo por dia e é considerada a segunda maior refinaria do Brasil.
Desde que assumiu o empreendimento, a companhia afirma ter investido aproximadamente R$ 4 bilhões em modernização, automação, segurança operacional e melhorias ambientais.
Além das atividades tradicionais de refino, a Acelen busca diversificar seus negócios por meio de projetos relacionados à transição energética.
Entre as principais iniciativas está o desenvolvimento de uma biorrefinaria voltada à produção de combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF, e diesel renovável, também chamado de HVO.
O projeto prevê a utilização de matérias-primas vegetais, incluindo a macaúba, e contempla a formação de uma cadeia produtiva agrícola e industrial na Bahia.
Nesse contexto, a associação com a Arena Fonte Nova oferece à companhia uma plataforma de divulgação de suas atividades e de seus projetos de expansão, alcançando públicos que não acompanham diretamente o mercado de energia.
Mubadala também tem ligação com o grupo controlador do Bahia
O novo contrato chama atenção ainda pelas conexões empresariais entre o fundo de Abu Dhabi que controla a Acelen e o grupo internacional responsável pela gestão do futebol do Bahia.
Khaldoon Al Mubarak, diretor-presidente da Mubadala Investment Company, também ocupa a presidência do City Football Group, organização que adquiriu 90% da sociedade anônima do futebol (SAF) do Esporte Clube Bahia em 2023.
Embora a Acelen e o City Football Group sejam empresas distintas, ambas possuem vínculos com a liderança do grupo de investimentos de Abu Dhabi.
A associação comercial entre a Acelen e a Fonte Nova acrescenta, assim, uma nova dimensão à presença de investimentos ligados aos Emirados Árabes Unidos na economia e no futebol baianos.
Arena será sede da Copa do Mundo Feminina de 2027
Inaugurada em 2013, a Arena Fonte Nova se consolidou como um dos principais espaços esportivos e de entretenimento do Nordeste. Segundo dados divulgados pela administração do estádio, aproximadamente 14 milhões de pessoas já passaram pelo local desde sua abertura.
Além de receber regularmente os jogos do Bahia, o equipamento é utilizado para apresentações musicais internacionais, grandes eventos culturais e outras atividades de entretenimento.
A arena também está entre os estádios escolhidos para sediar partidas da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil.
A realização do torneio amplia a projeção internacional do estádio e reforça seu potencial como plataforma de exposição comercial.
Para a Acelen, o contrato de naming rights combina a promoção de sua marca com a estratégia de consolidação de sua presença na Bahia, onde concentra investimentos em refino de petróleo e desenvolve novos projetos de combustíveis renováveis.
Fonte: Brasil 247