Protestos agravam crise de Macron e ampliam pressão por saída antecipada

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – O presidente da França, Emmanuel Macron, enfrenta cobranças por uma saída antecipada do poder após uma onda de violência, saques e incêndios agravar a crise política nos meses finais de seu mandato.

Segundo a Reuters, antigos aliados passaram a questionar publicamente sua capacidade de recuperar o controle do país, enquanto a dirigente de extrema direita Marine Le Pen busca transformar a insatisfação em apoio para a eleição presidencial de 2027.

Os tumultos de sábado (17), descritos pela agência como a pior onda de distúrbios civis na França em anos, atingiram lojas, edifícios e instituições públicas. A resposta do governo recebeu críticas de adversários e de integrantes do antigo campo político do presidente, em um momento de restrições orçamentárias e fragmentação parlamentar.

Macron enfrenta dificuldades para apresentar medidas que atendam às demandas sociais e, ao mesmo tempo, preservem as contas públicas. Durante os protestos dos Coletes Amarelos, em 2018 e 2019, o presidente recorreu a concessões de bilhões de euros para tentar reduzir a mobilização. Agora, o endividamento e a dificuldade de negociar com o Parlamento diminuem sua margem de ação.

A insatisfação também expôs o desgaste acumulado desde a decisão de convocar eleições legislativas antecipadas em 2024. Para antigos aliados, a iniciativa enfraqueceu a autoridade presidencial e contribuiu para o impasse político.

“O fim deste mandato é uma agonia lenta”, afirmou Loïc Kervran, ex-parlamentar do grupo de Macron, em declaração reproduzida pela Reuters. “O presidente paralisou o país com sua decisão absurda de dissolver o parlamento em 2024. Possivelmente a pior decisão da história da Quinta República.”

Em pronunciamento no domingo (18), Macron não anunciou estado de emergência e apresentou poucas medidas concretas, segundo a agência. Enquanto ele falava, os saques prosseguiam pela segunda noite consecutiva, inclusive em bairros de alto poder aquisitivo de Paris.

Na segunda-feira (19), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou toques de recolher locais. O Palácio do Eliseu também informou que Macron recusou o pedido de demissão do ministro do Interior e determinou uma revisão das aparentes falhas na coleta de informações de inteligência e na preparação policial.

As decisões não dissiparam as críticas à condução da crise. O ex-primeiro-ministro Édouard Philippe, que prepara sua candidatura presidencial, cobrou uma atuação mais firme.

“Senhor presidente, ouvi o senhor ontem à noite”, escreveu Philippe na rede X. “Eu teria preferido, assim como milhões de franceses, decisões e iniciativas para restabelecer a ordem.”

“Nosso país precisa ser comandado”, acrescentou.

O desgaste do governo abre espaço para Le Pen, dirigente do partido Reunião Nacional. De acordo com a Reuters, ela pode se beneficiar tanto da insatisfação com a perda do padrão de vida quanto da preocupação com a segurança após os episódios de violência.

Em vídeo divulgado no domingo, Le Pen apresentou o governo Macron como um poder em desagregação e procurou se colocar como a liderança capaz de restabelecer a ordem.

Jean-Baptiste Moreau, outro ex-deputado ligado ao presidente, avaliou que o cenário facilita a campanha da dirigente de extrema direita.

“Le Pen já não precisa gastar dinheiro para fazer campanha”, disse à Reuters. “Não é apenas um caminho livre à sua frente — é uma autoestrada de seis faixas.”

A disputa entre os demais possíveis candidatos também pesa nesse quadro. Segundo pesquisas mencionadas pela agência, o líder de esquerda Jean-Luc Mélenchon aparece ligeiramente à frente de Philippe na corrida por uma vaga no segundo turno. Esses levantamentos apontam amplo favoritismo de Le Pen em um eventual confronto com Mélenchon.

A crise nas ruas acrescenta pressão à situação financeira francesa. Analistas de mercado ouvidos pela Reuters avaliam que a violência amplia o risco político de um país já observado pelos investidores por causa do crescimento da dívida e das dificuldades para reduzir um dos maiores déficits orçamentários da zona do euro.

Macron fica, assim, entre a exigência de contenção de despesas pelos mercados de títulos públicos e as reivindicações de manifestantes por respostas econômicas que podem demandar mais recursos do Estado.

Apesar dos pedidos de opositores para que permanecesse na França, o presidente chegou ao Kuwait na segunda-feira, como parte de uma viagem pelo Golfo. Ele afirma que a agenda busca garantir o abastecimento de combustíveis e aliviar pressões econômicas que também alimentam os protestos.

A viagem ocorre em meio a críticas sobre seu distanciamento da população. Imagens de Macron e da primeira-dama, Brigitte Macron, em um show de Céline Dion na sexta-feira (16), horas antes do início dos distúrbios, circularam nas redes sociais e foram usadas por adversários para questionar sua postura diante da crise.

Moreau afirmou ter conversado com o presidente no domingo e defendido uma saída antecipada e organizada para romper o impasse político, em vez de prolongá-lo pelos seis meses restantes mencionados na reportagem.

“Ele não quer desistir, isso não faz parte de sua personalidade. Mas é o que deveria fazer pelo país”, declarou.

Fonte: Brasil 247

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