Brasileiros no exterior protestam contra interferência da Meta em favor de Flávio Bolsonaro
Por otero — Fundação Perseu Abramo
Brasileiros e irlandeses ocuparam a calçada em frente à sede da Meta para a Europa, o Oriente Médio e a África, em Dublin, na tarde de sexta-feira (16). Com cartazes como “Hands off Brazilian elections” (“Tirem as mãos das eleições brasileiras”), o grupo denunciou restrições à circulação de conteúdos da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e alertou europeus sobre o risco de o mesmo ocorrer em outras eleições.
A convocação dos organizadores afirmava que “a democracia brasileira está sob ameaça” e que a Meta “está reprimindo ativamente a campanha de Lula e a esquerda brasileira em suas plataformas, ao mesmo tempo em que impulsiona ativamente o candidato de extrema-direita Flávio Bolsonaro”. Os manifestantes cobraram transparência nos critérios de moderação e distribuição de conteúdos políticos.
Dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, a empresa reconheceu que sua ferramenta de inteligência artificial bloqueou pedidos de criação de material eleitoral para Lula enquanto atendeu a solicitações semelhantes para Flávio Bolsonaro (PL). A Meta atribuiu o episódio a uma falha técnica, afirmou ter corrigido o problema e negou favorecimento político.
Nesta segunda-feira (19), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu 24 horas para a empresa comprovar tratamento igualitário às duas candidaturas. Segundo o magistrado, a Meta não demonstrou ter cumprido satisfatoriamente a decisão do tribunal, que proíbe a redução artificial do alcance de conteúdos político-eleitorais. O descumprimento do novo prazo poderá elevar a multa diária de R$ 500 mil para R$ 1 milhão.
Alerta às instituições europeias
Em Paris, o protesto ocorreu também na sexta-feira (16), diante da sede da Meta. O coletivo Brasileiros na França pela Integridade Eleitoral divulgou uma carta aberta ao presidente francês, a instituições locais e à Comissão Europeia.
O documento alerta que “o que se denuncia no Brasil durante a eleição presidencial de outubro de 2026 pode se repetir na França em 2027” e pede auditoria independente dos critérios de distribuição de conteúdo político. Também cobra cooperação entre as autoridades europeias e brasileiras para investigar o impacto das plataformas sobre os processos eleitorais.
Mobilização se espalhou no fim de semana
Os protestos contra a Meta se somaram às mobilizações pela democracia e pela reeleição de Lula no exterior. Nos dias 17 e 18, brasileiros participaram de atos em Barcelona, Berlim, Lisboa, Londres, Porto, Colônia, Milão, Amsterdã, Genebra, Madri, Toronto, Nova York, San Francisco e Sydney. Paris também voltou a receber manifestantes no domingo.
Em Berlim, de 300 a 500 pessoas se reuniram no Portão de Brandemburgo, segundo estimativa informal de policiais citada pela Mídia NINJA. Em Lisboa, a Caminhada da Virada contou com a participação de Alceu Valença. Em Londres, o deputado britânico Jeremy Corbyn discursou na Parliament Square, diante do Parlamento.
O formato variou conforme a cidade: concentrações diante dos escritórios da empresa, caminhadas com música e atos de rua com cartazes em português e no idioma local. A defesa da democracia brasileira e as críticas à extrema direita marcaram as manifestações.
Os atos ocorreram a uma semana do segundo turno, marcado para 25 de outubro. No exterior, 918.876 brasileiros estão aptos a votar, alta de 31,82% em relação a 2022, segundo o TSE.
No primeiro turno, Lula recebeu 157.387 votos no exterior, contra 143.900 de Flávio Bolsonaro. A abstenção chegou a 62,69%, o que reforça a importância da mobilização para levar os eleitores às urnas na votação decisiva.
Fonte: Fundação Perseu Abramo