Justiça condena dez por lavagem de dinheiro ligada ao Comando Vermelho em Goiás

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Por Cilas Gontijo — Jornal Opção

Justiça condena dez por lavagem de dinheiro ligada ao Comando Vermelho em Goiás

A Justiça condenou dez pessoas investigadas na primeira fase da Operação Cifra Vermelha, que apurou um esquema de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas em Goiânia e em municípios da região metropolitana. As penas somadas ultrapassam 90 anos de reclusão. A ação foi conduzida pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e a sentença foi proferida pela 1ª Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e de Lavagem ou Ocultação de Bens, Direitos e Valores de Goiânia. Os réus foram condenados por organização criminosa armada, lavagem de capitais de forma reiterada e falsidade ideológica.

Empresas de fachada e dinheiro do tráfico

Segundo as investigações, o esquema era ligado à facção Comando Vermelho (CV) e utilizava empresas de fachada para receber e ocultar recursos do tráfico. Entre os apontados como integrantes do núcleo principal estão Jeiziel de Oliveira Rosa, conhecido como “Perninha”, Ana Paula da Silva Barreto, Alex Vieira dos Santos e o contador Renato Thomé da Silva. As empresas identificadas foram AVS Consultoria e Entretenimento Ltda., Barreto Marketing Ltda., Ativo Consultoria Ltda. e EJ Consultoria Ltda. A primeira fase da operação foi deflagrada em 18 de novembro de 2025, com 16 mandados de busca e apreensão e sete de prisão. Na ocasião, a Justiça determinou o sequestro de R$ 28.108.517,70 em contas de pessoas físicas e jurídicas.

Penas ultrapassam 90 anos

As condenações foram aplicadas individualmente. Alex Vieira dos Santos recebeu a maior pena, de 15 anos, dois meses e 12 dias de reclusão, além de 332 dias-multa. Ana Paula da Silva Barreto foi condenada a 14 anos, dez meses e 22 dias, e 122 dias-multa. Jeiziel de Oliveira Rosa e Widamax Vinícius da Silva receberam, cada um, 13 anos, nove meses e oito dias de reclusão, além de 351 dias-multa. Renato Thomé da Silva foi condenado a oito anos, dois meses e 22 dias, e 101 dias-multa.

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O esquema utilizava empresas de fachada para receber e ocultar recursos do tráfico | Foto: Divulgação

Ícaro Douglas de Castro Lemos e Jordan Roberto de Lima receberam, cada um, seis anos e dez dias de reclusão, além de 81 dias-multa. Iury Alves Santos foi condenado a quatro anos e oito meses de prisão e 15 dias-multa. Já Marcelo Vieira de Lima e Amanda Ferreira Sousa receberam penas de quatro anos de reclusão, além de 13 dias-multa cada. A sentença também determinou que os dez condenados paguem, solidariamente, R$ 100 mil por danos morais coletivos, destinados ao Fundo Especial de Apoio ao Combate à Lavagem de Capitais e às Organizações Criminosas do Estado de Goiás (Fesacoc). A decisão estabeleceu ainda a perda de bens apreendidos, incluindo automóveis e dispositivos eletrônicos.

Segunda fase teve prisões e buscas

A sentença reconheceu a causa de aumento de pena pelo emprego de arma de fogo, considerando a vinculação do grupo ao Comando Vermelho e as armas apreendidas nas residências de Ana Paula e Alex Vieira. Conforme a decisão, as condutas atingiram interesses coletivos relacionados à ordem econômica, à segurança pública e à administração da Justiça. As investigações tiveram novos desdobramentos em 10 de setembro de 2026, quando o Gaeco deflagrou a segunda fase da Operação Cifra Vermelha, com dez mandados de prisão e 14 de busca e apreensão. Segundo o Ministério Público, novas denúncias deverão ser apresentadas nos próximos dias.

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Fonte: Jornal Opção

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