‘Extrema direita é sinônimo de ódio, vingança e subserviência’, afirma Celso Amorim
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – Assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim defendeu o presidente Lula (PT) e criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL), dois candidatos que disputarão o segundo turno rumo ao Planalto no próximo dia 25. De acordo com o embaixador, a eleição presidencial brasileira é importante para todo o continente latino-americano. “Nós vemos a proliferação de governos de extrema-direita na América Latina, que é diferente da direita tradicional. É uma direita vingativa, odienta, militarista. Um militarismo que não é voltado para a soberania nacional, mas para opressão e para subordinação a potências estrangeiras”, disse o diplomata nesta segunda-feira (19) em vídeo no Instagram.
A gravação foi direcionada principalmente para brasileiros que vivem no exterior. “É uma eleição em que, de um lado, você tem o humanismo, a defesa dos valores civilizatórios. Do outro lado, você tem a negação total desses valores, o obscurantismo, a descrença na ciência e a total ausência de empatia social”, continuou.
“De um lado, aqueles que acreditam que o progresso só é real quando é para todos, pra brancos, negros, homens, mulheres, LGBTs e todos. De outro lado, aqueles que creem que o progresso é o progresso de uns poucos que podem acumular fortunas às custas da pobreza dos demais”, acrescentou.
Segundo Amorim, o segundo turno da eleição presidencial brasileira, marcado para o dia 25 deste mês, “não é uma eleição qualquer”. “Não é uma disputa entre partidos com ideologias ligeiramente diferentes, como tantas vezes acontece, nem entre personalidades que, com características também diversas”, destacou Amorim.
Posição do presidente Lula
Em entrevista à Globo na última quinta-feira (15), o presidente Lula defendeu as negociações feitas com o governo estadunidense para uma relação comercial que atenda aos interesses das duas partes (Brasil e EUA). Durante a conversa, o candidato à reeleição também ressaltou que o seu governo ampliou a parceria com outros mercados, mesmo em um contexto de guerra comercial lançada pelos EUA.
A Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em 11 de abril de 2025, teve entre suas motivações as medidas comerciais adotadas pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Naquele período, o governo norte-americano intensificou a disputa comercial com diversos países, incluindo o Brasil, ao anunciar novas tarifas sobre produtos importados.
A Lei nº 15.122 estabelece mecanismos que permitem ao Brasil suspender concessões comerciais em resposta a medidas, políticas ou práticas unilaterais de outros países que prejudiquem a competitividade da economia brasileira.
Família Bolsonaro e as agressões ao Brasil
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) fizeram articulações nos Estados Unidos para incentivar sanções contra o Brasil após a condenação de Jair Bolsonaro (PL) por ministros do Supremo Tribunal Federal no inquérito da trama golpista. Magistrados condenaram o ex-mandatário a 27 anos de prisão, em setembro do ano passado.
Em 2026, os EUA anunciaram dois tarifaços contra o Brasil (um de 25% e outro de 12,5%). O governo Trump também classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. As tarifas e a classificação das facções incentivam sanções direcionadas ao país sul-americano.
Em junho deste ano, Flávio Bolsonaro atacou o sistema eleitoral brasileiro, durante uma reunião com embaixadores, em Brasília (DF), onde o senador tentou transmitir a mensagem de que as urnas eletrônicas não têm seguranças contra possíveis fraudes. A estratégia de atacar o Judiciário faz parte de uma tática golpista da extrema direita nos EUA e no Brasil caso seus representantes sejam derrotados em disputas eleitorais.
Brasileiros no exterior
Mais de 918 mil brasileiros estão habilitados a votar fora do país, o equivalente a 0,5% do eleitorado nacional. De acordo com números divulgados pela Agência Brasil no dia 4 deste mês, quando ocorreu o primeiro turno, esses cidadãos podem participar exclusivamente das eleições para presidente e vice-presidente da República. Desse contingente, mais de 175 mil eleitores já apresentaram justificativa de ausência.
A quantidade de brasileiros com direito ao voto no exterior supera o eleitorado de estados como Roraima, Amapá e Acre. Em relação às eleições de 2022, quando pouco mais de 697 mil pessoas estavam cadastradas para votar em outros países, o total cresceu aproximadamente 221 mil eleitores, uma expansão de 31,82%.
A Justiça Eleitoral distribuiu urnas eletrônicas por seções instaladas em 186 cidades de 134 países. Os EUA lideram a concentração de eleitores brasileiros fora do território nacional, com cerca de 265 mil pessoas habilitadas. Portugal aparece na segunda posição, com mais de 134 mil, seguido pelo Japão, com aproximadamente 88 mil.
Eleições
O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputarão o segundo turno da eleição presidencial no próximo dia 25. Nos últimos dias, quatro pesquisas registraram empate técnico – Futura/100% Cidades, com números divulgados nesta segunda-feira (19), Ipespe/Abrapel, publicada neste sábado (17), CNT/MDA, divulgada na última sexta (16), e Datafolha, publicada na última quinta (15). A pesquisa Vox Brasil, divulgada neste domingo (18), mostrou o presidente Lula à frente do senador.
Fonte: Brasil 247