Fin apresenta estudo sobre avanço dos serviços financeiros no país
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19/10/2026 | Atualizado às 15:36
A Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin) divulgou nesta segunda-feira (19) o estudo Fin Regional 2026, que analisa a expansão dos serviços financeiros nas diferentes regiões brasileiras.
O levantamento aponta que o crescimento do crédito, do Pix e do acesso ao sistema bancário foi mais intenso nas localidades que apresentavam os menores níveis de acesso, contribuindo para reduzir as desigualdades regionais.
O relatório reúne indicadores de bancarização, atividade financeira, operações de crédito, pagamentos instantâneos e mercado de capitais. Os resultados mostram uma aproximação entre os estados nos últimos anos, embora diferenças significativas ainda persistam, principalmente na distribuição do crédito.
Entre 2024 e 2025, o volume de crédito por habitante, descontada a inflação, cresceu em média 7% nos estados que tinham menos de R$ 20 mil em operações por pessoa. Nas demais unidades da federação, o avanço médio foi de 4%.
Apesar do crescimento mais acelerado nas localidades com menor acesso, o volume de crédito por habitante permanece, em geral, mais elevado nos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Vinícius Botelho, gerente de Assuntos Econômicos da Fin e autor do relatório, destaca que a expansão dos serviços financeiros contribuiu para diminuir as diferenças entre as regiões brasileiras.
O levantamento também identificou avanços na bancarização da população. Entre 2020 e 2024, o número de pessoas com relacionamento ativo com instituições financeiras cresceu 20,8% no Norte e 13,3% no Nordeste, os maiores percentuais entre as cinco regiões brasileiras.
Em 2024, todas as regiões já registravam pelo menos 94% da população adulta bancarizada.
Crédito às pessoas físicas lidera expansão
O estudo da Fin mostra que o crédito destinado às pessoas físicas foi o principal responsável pelo crescimento das operações de crédito entre 2024 e 2025.
Na média simples das 27 unidades da federação, o volume real de crédito por habitante aumentou 5,6%. Desse crescimento, 4,3 pontos percentuais vieram das operações com pessoas físicas, enquanto o crédito destinado às empresas contribuiu com 1,3 ponto percentual.
Os financiamentos foram o principal componente da expansão do crédito às pessoas físicas em 21 estados. Dentro dessa categoria, o financiamento imobiliário teve a maior contribuição em 18 unidades da federação.
O crédito às pessoas físicas cresceu em todos os estados no período. Já as operações com empresas apresentaram resultados distintos entre as regiões, com variações de uma queda de 8% a uma alta de 19%.
Botelho explica que as diferenças no desempenho do crédito empresarial estão relacionadas, entre outros fatores, às características econômicas de cada estado.
O levantamento também analisou a participação do setor financeiro nas economias regionais. Entre 2022 e 2023, último período com dados disponíveis do Produto Interno Bruto (PIB) regional, a atividade financeira cresceu acima da economia local em 21 das 27 unidades da federação.
O principal destaque foi a região Norte, onde as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados registraram crescimento de 12,2%, diante de uma expansão de 2,9% da economia regional.
Pix registra crescimento em todos os estados
Outro destaque do estudo é a expansão do Pix, sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central em novembro de 2020.
Entre 2024 e 2025, o número de transações recebidas por pessoas físicas por habitante aumentou pelo menos 12% em todas as unidades da federação.
Segundo o relatório, desde a criação da ferramenta, o crescimento das operações foi maior nos estados que apresentavam menor volume de crédito em relação ao PIB em 2020.
Para a Fin, os resultados indicam que o Pix também está associado à redução das diferenças regionais no acesso aos serviços financeiros.
O estudo cita ainda pesquisas acadêmicas que relacionam a expansão dos pagamentos instantâneos à redução da desigualdade salarial, ao aumento dos depósitos bancários, à maior proteção financeira de famílias atingidas por desastres naturais e ao estímulo ao empreendedorismo.
Mercado de capitais avança em todas as regiões
A expansão dos serviços financeiros também foi observada no mercado de capitais. Entre 2023 e 2025, as emissões de debêntures e notas comerciais, títulos utilizados por empresas para captar recursos, cresceram em todas as regiões brasileiras, mesmo após o desconto da inflação.
Os maiores avanços foram registrados no Norte e no Sul, onde o volume emitido por empresas aumentou a taxas reais anualizadas de 52,3% e 50%, respectivamente.
No Sudeste, o crescimento anualizado foi de 38%, seguido pelo Centro-Oeste, com 22,4%, e pelo Nordeste, com 19,5%.
Para identificar a distribuição regional das emissões, a Fin considerou o estado em que está registrada a matriz de cada empresa emissora. Dessa forma, os dados não indicam necessariamente onde os recursos captados foram aplicados.
O relatório aponta que a expansão do mercado de capitais, assim como a do crédito e do Pix, ocorreu em todo o território nacional, com crescimento expressivo também em regiões que apresentavam menor acesso a esses serviços no início da década.
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Fonte: Congresso em Foco