França impõe toque de recolher após protestos com 2.400 detidos

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Por Leonardo Lucena — Brasil 247

247 – Autoridades francesas determinaram nesta segunda-feira (19) toques de recolher em Paris e em outras cidades para tentar conter os confrontos registrados durante uma onda de protestos que já dura um mês. Segundo o Ministério do Interior, mais de 500 mil pessoas participaram das manifestações do último fim de semana, que deixaram um morto, mais de 500 policiais feridos e cerca de 2.400 detidos. As restrições à circulação começam nesta segunda-feira e seguem pela madrugada de terça (20), com horários específicos em cada município.

A decisão ocorre após o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, recomendar que prefeitos de cidades afetadas pelos confrontos adotassem restrições temporárias. O movimento, que começou com reivindicações de estudantes em setembro, incorporou manifestações contra o aumento do custo de vida, os preços dos combustíveis, a desigualdade social e as condições dos serviços públicos.

Na capital francesa, as autoridades proibiram a circulação na Place de la République e nas ruas próximas ao bairro de Les Halles entre 22h desta segunda-feira e 6h de terça-feira, pelo horário local. No Brasil, a medida corresponde ao intervalo entre 17h de segunda e 1h de terça-feira, pelo horário de Brasília.

As administrações municipais de Lille, Douai, Wattignies e Denais, no noroeste da França, também estabeleceram toques de recolher. Nessas localidades, as restrições começam às 20h e terminam às 6h, pelo horário francês, durante duas noites consecutivas. O período equivale ao intervalo entre 15h e 1h, no horário de Brasília.

Protestos começaram nas escolas e ganharam dimensão nacional

A mobilização teve início em setembro, quando estudantes de escolas de ensino médio situadas nos subúrbios de menor renda ao norte de Paris começaram a protestar contra a falta de professores e as condições das instalações escolares.

As manifestações, inicialmente concentradas na educação, passaram a incorporar reivindicações sobre investimentos públicos, desigualdade econômica e deterioração dos serviços oferecidos à população. Com a adesão de sindicatos e de outros grupos, os atos alcançaram diferentes regiões francesas e incluíram críticas ao aumento dos preços dos combustíveis e das despesas das famílias.

A participação de trabalhadores e organizações sindicais ampliou o alcance das mobilizações, que passaram a reunir demandas educacionais, econômicas e sociais. O movimento ocorre durante a reta final do mandato do presidente Emmanuel Macron, em um cenário de divisão política e fragmentação das forças partidárias francesas.

Manifestantes bloqueiam acesso ao Museu do Louvre

Em Paris, participantes do movimento estudantil também realizaram uma manifestação nas proximidades do Museu do Louvre nesta segunda-feira.

Os manifestantes bloquearam o acesso ao local, impedindo sua abertura ao público. O protesto buscou demonstrar apoio às mobilizações estudantis e denunciar o que seus participantes classificaram como “a repressão policial”.

O episódio ampliou os efeitos das manifestações sobre o funcionamento de espaços da capital francesa, enquanto as autoridades organizavam medidas para controlar os confrontos.

Crise reúne reivindicações sociais e tensão nas ruas

A onda de manifestações começou com denúncias sobre a situação das escolas, mas passou a reunir setores da população insatisfeitos com o custo de vida e com a qualidade dos serviços públicos.

A alta dos combustíveis tornou-se uma das reivindicações dos participantes, ao lado das demandas por investimentos em educação e redução das desigualdades. Os confrontos do último fim de semana levaram o governo a adotar restrições à circulação em áreas de Paris e de municípios do norte do país.

Na capital, o toque de recolher permanecerá em vigor até as 6h de terça-feira (20), no horário local. Em Lille, Douai, Wattignies e Denais, as prefeituras estabeleceram restrições noturnas durante duas noites.

Vendo esses videos do povo francês fazendo revolução e vendo alguns takes de gente falando que eles deveriam liberar o exército e toque de recolher para controlar isso mas o pessoal n sabe a ideia do que é uma guerra civil, não leram sobre a revolução+ pic.twitter.com/yGU4topeBE

— Isa Q (@1s4qu3C) October 18, 2026

🇫🇷 « Última advertencia, de la Policía Francesa, haremos uso de la fuerza, abandonen inmediatamente el lugar »

El ministro de interior del gobierno de la republica apuntó de ordenar el Toke de queda y que salga el ejército con la policía nacional Francesca instaurar la Ley y el… pic.twitter.com/4eSpXhrMkN

— Antena 5 Radio (@a5radio) October 17, 2026

⚠🔴 À REGARDER JUSQU’À LA FIN

JE NE PEUX PAS DÉCRIRE CE QUE JE VIENS DE VIVRE À MARSEILLE.#17octobre pic.twitter.com/F8bLimtd7y

— confrontation française (@confrontfr) October 17, 2026

🚨MUNDO: Na França, manifestantes fazem pausa para hidratação e oferecem água aos policiais antes de retomarem os protestos. pic.twitter.com/Lg3hD35TiE

— CHOQUEI (@choquei) October 19, 2026

Destruição da prefeitura de Limoges. No Brasil, com frequência olhamos com romantismo e idealização os grandes protestos na França. As atuais manifestações têm causa justa (melhorias na educação), mas saíram de controle e o caos certamente beneficiará grupos autoritários. pic.twitter.com/jM9C32B8aM

— Maurício Santoro (@msantoro1978) October 17, 2026

🔴 Chaos près de la place de la République à Paris.

Plusieurs véhicules incendiés rue Yves Toudic.#17octobre #Paris pic.twitter.com/WVFVIK7OoI

— Luc Auffret (@LucAuffret) October 17, 2026

Fonte: Brasil 247

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