Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro identificam erros e preparam mudanças para último debate
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – As equipes de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) decidiram rever as estratégias dos candidatos para o último debate presidencial do segundo turno, marcado para sexta-feira (23), na TV Globo. A medida ocorre após avaliações internas apontarem falhas no desempenho dos dois adversários durante o confronto realizado no domingo (18), pela TV Bandeirantes.
Segundo informações do jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil, integrantes das duas campanhas consideram que Lula e Flávio desperdiçaram oportunidades de conquistar eleitores indecisos e moderados. O diagnóstico foi elaborado a partir de consultas informais realizadas nas redes sociais e com grupos de eleitores, que indicaram dificuldades de ambos os candidatos para estabelecer uma comunicação eficaz com esse segmento do eleitorado.
Na campanha de Lula, a principal orientação é que o presidente aproveite melhor o tempo disponível para apresentar propostas de maior interesse da população e evite se deixar conduzir pelas provocações de Flávio Bolsonaro. A avaliação de aliados é que o petista dedicou parte de suas intervenções a assuntos considerados de menor apelo eleitoral, como a exploração de terras raras e a criação de uma universidade voltada aos povos originários.
Embora esses temas façam parte das discussões sobre políticas públicas, integrantes da campanha entendem que o presidente poderia ter priorizado questões com maior capacidade de mobilização dos eleitores na reta final da disputa.
Outro problema identificado pela equipe petista foi a dificuldade de Lula em estabelecer o ritmo do confronto, especialmente nos momentos iniciais. Na avaliação de seus auxiliares, o presidente acabou reagindo às provocações do adversário e consumindo parte do tempo destinado à apresentação de suas próprias propostas.
A estratégia para o próximo encontro deverá, portanto, concentrar esforços em uma postura mais propositiva, com maior controle das intervenções e melhor aproveitamento das oportunidades de apresentar as prioridades de um eventual novo mandato.
Flávio é aconselhado a ser menos evasivo e evitar gestos considerados arrogantes
Do lado de Flávio Bolsonaro, a principal preocupação é com a clareza das respostas e a imagem transmitida pelo senador durante o debate. A campanha bolsonarista identificou a necessidade de reduzir respostas evasivas e adotar uma comunicação mais objetiva diante dos questionamentos.
Um dos comportamentos que provocaram divergências entre aliados foi a decisão de Flávio de gesticular enquanto permanecia atrás de Lula em determinados momentos do confronto.
A atitude não foi bem recebida por todos os integrantes do campo bolsonarista. Observadores identificados com a direita consideraram que os gestos poderiam transmitir uma imagem de arrogância e desrespeito ao adversário.
A preocupação é especialmente relevante em relação ao eleitorado feminino, apontado nas avaliações da campanha como um dos segmentos decisivos para o resultado do segundo turno. A interpretação é que comportamentos considerados excessivamente agressivos podem dificultar a aproximação com eleitoras que ainda não definiram seu voto.
Nesse contexto, a orientação para o senador é combinar maior firmeza nas respostas com uma postura menos suscetível a interpretações negativas, evitando atitudes que possam afastar eleitores moderados.
Debate foi considerado agressivo e com poucas propostas
Apesar das diferenças entre os problemas identificados, as duas campanhas chegaram a uma conclusão semelhante sobre o confronto da Band: o debate foi marcado por ataques e enfrentamentos, mas apresentou pouco conteúdo programático.
O diagnóstico é que nenhum dos candidatos conseguiu transformar a exposição televisiva em uma oportunidade efetiva de ampliar seu apoio entre os indecisos.
A avaliação ganha importância diante da proximidade da votação do segundo turno, quando as campanhas buscam conquistar os eleitores que ainda não escolheram um candidato ou que demonstram menor identificação com os dois concorrentes.
Para tentar corrigir as falhas, Lula e Flávio deverão passar por novas sessões de preparação antes do encontro na Globo. Os treinamentos terão como objetivo ajustar a comunicação, aperfeiçoar as respostas e evitar a repetição dos erros observados no primeiro debate.
O formato do confronto da TV Globo também é considerado um elemento importante para a definição das estratégias. Tradicionalmente, a emissora adota uma dinâmica que favorece perguntas sobre temas específicos e reduz o espaço para embates diretos prolongados.
A expectativa das equipes é que essas características permitam aos candidatos apresentar suas propostas de maneira mais organizada e diminuir o peso das provocações pessoais.
Fonte: Brasil 247