9 provas de que os Bolsonaros não são patriotas e querem entregar o país ao imperialismo
Por Leandro Lanfredi — Esquerda Diário

Todo trabalhador conhece algum parente ou algum colega de trabalho, especialmente homens, que se dizem patriotas, e que por isso votariam em Flávio Bolsonaro. Não existe nada mais errado que associar essa família a patriotismo, aos interesses do povo brasileiro. Queremos com esse artigo fornecer argumentos para esses debates acontecendo em cada local de trabalho, nos grupos de amigos e famílias. Queremos assim contribuir com algumas reflexões para derrotar Flávio Bolsonaro, para que não aconteça nenhum voto na extrema direita e fortalecemos à luta para expulsão do imperialismo do Brasil e América Latina. Ao final do artigo também pontuamos algumas reflexões para efetivamente organizarmos um programa de luta que supere a entrega do nosso país não somente em sua agressividade bolsonarista mas como vem acontecendo também sob o governo da Frente Ampla de Lula-Alckmin.
É público e notório como Eduardo Bolsonaro atuou para que o país sofresse sanções e tarifas dos EUA. Ele comemorou as sanções, essa interferência. Depois das sanções Trump fez carta de exigência a Lula para retirar as sanções, que permanecem. Flávio Bolsonaro é o candidato apoiado pelo asqueroso presidente americano, e provavelmente já aceitou tudo. Essa carta além de exigir a libertação de Bolsonaro, ataca o PIX – colocando o sistema financeiro brasileiro à mercê dos EUA. Nela também exige-se nossos recursos como terras raras, petróleo e outros. Em suma, aceitar isso significa um atentado à nossa soberania. Tentamos aqui oferecer ainda mais evidências dessa subordinação, evidências a partir de coisas que Jair Bolsonaro fez no governo ou ainda outraa promessas entreguistas feitas pelo filho.
1- Os múltiplos crimes da privatização da BR Distribuidora e o anúncio de Flávio privatizar 95% de todas estatais
A Privatização da BR Distribuidora envolve uma camada de crimes e absurdos como poucos na história nacional. Essa empresa, de propriedade da Petrobrás e portanto com controle acionário em mãos do Estado brasileiro, era a segunda maior empresa do país até o governo Bolsonaro. Presente de norte a sul, leste a oeste do país era um instrumento para que gasolina, diesel, gás de cozinha pudesse chegar ao povo. Foi vendida por alguns bilhões de reais, preço de banana. Mas não só isso, no acordo de venda foi proibido que a Petrobrás voltasse a distribuição até 2029 e foi entregue ao comprador o direito de uso da marca Petrobrás até o mesmo ano. É absurdo, uma empresa privada aparece como se fosse a estatal e a estatal não pode nem fazer nada para concorrer, para que seu nome não seja sujo pelos outros. Para completar a desonra do acordo, milhares de trabalhadores foram demitidos, gerando até mesmo casos de suícidio.
Flávio Bolsonaro promete continuar esse tipo de ataque dizendo que privatizará 95% de todas estatais.
2- A privatização de refinarias e campos da Petrobrás coloca o Brasil refém do imperialismo e faz cada brasileiro pagar combustível mais caros, Flávio quer aumentar isso
Em nome de “livre concorrência” Guedes e Bolsonaro fizeram o preço dos combustíveis continuar variando conforme o preço internacional, que nem tinha feito Temer. Ou seja não importa se produzimos petróleo, gás, se refinamos aqui, a Petrobrás e demais empresas deveriam usar o mesmo preço do que se alguém importar. O resultado disso é gerar menos empregos aqui e aumentar os lucros dos donos das empresas porque podem produzir mais barato mas vender mais caro. E quem paga o pato são todos trabalhadores.
Todos mesmo, não só os que tem carros porque todas mercadorias no nosso país, em maior ou menor grau, dependem de transporte rodoviário e de diesel. Para terminar de piorar o problema Bolsonaro colocou várias refinarias, terminais, oleodutos, gasodutos e campos de petróleo da Petrobrás à venda. O que queriam era meramente entrega, a preço de banana (e de algumas joias árabes), não era aumentar a concorrência em prol do consumidor. O que criaram foram monopólios regionais privados, e agora o povo bahiano ou amazonense paga combustíveis ainda mais caros que o resto dos brasileiros.
Vemos no mundo como Trump fala literalmente que ataca países para roubar petróleo, ele faz esse roubo pensando em dinheiro dos bilionários norte-americanos mas também por uma visão estratégica que trata as Américas como quintal desse imperialismo e ponto de apoio para sua disputa de hegemonia mundial com a China. Bolsonaro quer ajudar nessa entrega e um dos preços que o país pagará,será maior inflação.
Flávio Bolsonaro já prometeu antes que queria privatizar a Petrobrás, ou seja entregar tudo para Shell, Chevron, etc. Agora tem gente em sua campanha que tenta desmentir, mas ele não desmentiu. Além disso ele já afirmou que ele quer o fim do regime da partilha no pré-sal, ou seja ele quer menos impostos na produção de petróleo. Ele quer que menos dinheiro entre para o Estado Brasileiro, é uma medida para ajudar o imperialismo a lucrar ainda mais com o saque do país.
3. Entrega do Centro Espacial de Alcântara para os EUA
Em 2019 o governo de Jair Bolsonaro aprovou no Congresso o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas com os Estados Unidos. O instrumento estabeleceu que quem controla essa base no Maranhão são os EUA. Eles ainda podem estabelecer que equipamento, quais tecnologias podem ser usadas lá. É tão absurdo que se uma empresa brasileira, ou mesmo se a Força Área Brasileira quiser usar as instalações para algo serão os EUA que dirão se podemos ou não. Eles têm poder de veto.
4. Aumento da cooperação militar e subordinação aos EUA e seus planos de guerra
Durante o governo do pai o Brasil passou a colocar um general brasileiro sob comando ianque no Comando Sul (Southcomm) americano. O Brasil também passou a ser “aliado prioritário extra-Otan”, firmou acordo de testes e avaliação em defesa e começou a permitir que os EUA façam operações de treinamento em nosso território, ou seja que treinem como seria nos invadir. Já ocorreram testes deste tipo na região amazônica e no agreste nordestino. Flávio Bolsonaro promete não somente continuar essa entreguismo do pai, promete que o Brasil será parte do Escudo das Américas de Trump.
5. Flávio promete fazer o país um entreposto do sionismo e seu colonialismo e genocídio do povo palestino
O Estado de Israel é um projeto colonialista e racista que só se sustenta com armas porque é construído por um povo que invade, expropria, mata e rouba terra de outro povo. Esse projeto assassino está à vista de todos no mundo, mas Flávio, tal como o pai, quer que o Brasil contribua nessa hecatombe humana. O que isso significa é que além de nos comprometer diplomática, comercial, militarmente com esse assassinato sistemático colocorá maior poder a empresas e ã inteligência sionista em nosso território. Querem que seus softwares nos espionagem. Querem agregar mais uma camada de perda de soberania para nosso país.
6. Destruição da Embraer e outras empresas em benefício de Boeing e empresas imperialistas
O governo Bolsonaro fez a Embraer firmar um acordo com a Boeing (posteriormente desfeito pela segunda) que transferia controle e tecnologia a duras penas aqui construídas. Tal como vimos com a energia elétrica, com os combustíveis, se trata de enfraquecer qualquer geração de tecnologia nacional em prol de favorecer empresas imperialistas, fazer do país um comprador dependente do que Washington quiser.
7. Destruição da ciência nacional e evasão de cérebros
O governo Bolsonaro significou um agressivo corte aos orçamentos das universidades, locais de balbúrdia segudo eles. Junto do corte ao orçamento habitual também houve corte em programas como Ciências sem Fronteiras, cortes nas bolsas de fomento da CAPES, desestruturação de agências como INPE entre outras. O resultado foi uma emigração de pesquisadores para outros países. O objetivo, tal como vimos no caso da Embraer, era fazer do país mero consumidor de tecnologia alheia. Aumentar a subordinação e liberar maior parcela do orçamento público para os rentistas donos da dívida pública. Flávio Bolsonaro já anunciou que irá fazer forte corte de orçamento e sabemos que onde costumam cortar é da ciência, da educação, da saúde pública.
8. Destruição ambiental e ataque a povos indígenas e populações tradicionais
Flávio Bolsonaro anuncia que quer desregulamentar legislação ambiental. Com a legislação existente vimos desastres como Brumadinho, Mariana, o avanço do garimpo e contaminação por metais pesados em rios amazônicos e a contaminação brutal com agrotóxicos em todo país. Mas eles querem mais. Querem uma distopia. Querem voltar a avançar a ter mineração em terras indígenas, quilombolas e de outras populações tradicionais. Querem retomar a discussão do “marco temporal” que é para eliminar o direito a terra de muitos povos indígenas e populações tradicionais.
Esse atropelo aos povos, à natureza, está conectado à perda de soberania. Quem irá explorar? Hoje todos projetos de exploração das terras raras, por exemplo, são dos EUA ou de países aliados-subordinados como Canadá 3 Austrália.
9. Batem continência à bandeira americana e a bandeira de Israel
Os Bolsonaro literalmente usam bonezinho do movimento Make America Great Again, MAGA, do Trump. Esse programa é em benefício dos EUA em detrimento dos povos da América Latina. Eles literalmente discursam que querem honrar os EUA, Israel. Não é a toa que seguindo seus líderes muitos manifestantes que apoiam Bolsonaro são patriotas de Miami e de Tel Aviv e não de nossa terra e nosso povo.
Precisamos confiar em nossa forças, na nossa mobilização, pra derrotar a extrema direita e enfrentar o imperialismo
Ao passo que estamos lado a lado de cada trabalhador e jovem para derrotar Bolsonaro, para que não ocorra nenhum voto na extrema-direita, não damos apoio político ao PT. O cenário dificil que nos encontramos está relacionado com apostas sistemáticas em não mobilizar, em conciliar. Inclusive com o imperialismo. Todo clima debate em defesa da soberania que vimos em 2025, foi logo suplantado e calado com ficar contente que segundo Lula, ele tinha “uma petroquímica com Trump”.
Passados diversos mandatos não avançamos contra o imperialismo, pelo contrário, nenhuma privatização de Bolsonaro e Temer foi desfeita, seus ataques às aposentadorias e aos direitos trabalhistas seguem intactos, a subordinação de nosso orçamento público às demandas do capital financeiro (nacional e estrangeiro) seguem intocadas com o Arcabouço Fiscal, que não é nada mais que uma atualização do Teto de Gastos de Temer. Em meio ao segundo turno, o governo Lula realizou mais um leilão de petróleo e gás, e a cada leilão o petróleo é cada dia menos nosso. Vemos isso com a participação da Petrobrás caindo a menos de 60% na produção nacional, uma queda de quase 10% só neste mandato de Lula.
A Frente Ampla e sua conciliação com o imperialismo e com a burguesia brasileira vão deixando todos ataques intactos, deixando o país pronto para o eventual retorno da extrema-direita. Isso também fico muito claro com a Petrobrás que continuou sendo uma máquina de dólares para acionistas estrangeiros. Fortaleceram aqueles que querem a entrega total fazendo entregas parciais. Precisamos acabar com essa subordinação ao imperialismo. Precisamos expulsar o imperialismo da América Latina, desenvolver a solidariedade com os povos vizinhos, o que passar por muitas coisas, entre elas a entrega de petróleo ao povo cubano.
Combatemos incansavelmente aqueles que querem a entrega total do país, ao passo que é preciso ir construindo um programa efetivamente anti-imperialista, o que só será possível erguendo uma esquerda revolucionária que supere o PT pela esquerda. Esse programa começa com uma luta, por exemplo, que “O petróleo e as terras raras têm que ser nossos”. Esse programa também passa pela luta para reestatizar tudo que foi privatizado, para que todos bens naturais, petróleo, terras raras, minérios, solos, sejam estatais, em empresas como uma Petrobrás 100% estatal, administrada pelos trabalhadores junto a ambientalistas e outros especialistas eleitos em universidades públicas. É preciso expropriar o agronegócio, não pagar a dívida pública, estabelecer o controle estatal sobre o comércio exterior para que os recursos de nossas exportações de commodities sejam revertidos a favor dos interesses dos trabalhadores, de nosso povo, e escolhamos o que e quando exportar, para que possamos ter uma outra relação, não predatória, com a natureza.
Medidas como essas são cada dia mais necessárias em um mundo marcado por maior agressividade imperialista, é só olhar o que EUA e Israel fazem no Irã, sua ofensiva em nossa vizinha Venezuela.
A conciliação, a moderação precisam ser superadas para enfrentar o imperialismo.
Derrotar Flávio Bolsonaro!
Nenhum voto na extrema direita
Expulsar o imperialismo do Brasil e da América Latina
Fonte: Esquerda Diário