73% rejeitam afastamento do diretor-geral da PF por Mendonça, mostra pesquisa
Por Hora do Povo — Hora do Povo
Pesquisa da Palver mostra rejeição à ação do ministro do STF para acobertar crimes de Flávio Bolsonaro
O afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça, provocou forte reação negativa nas redes digitais. Levantamento da Palver mostra que 73% das manifestações no Instagram, X e Facebook discordaram da medida, contra 27% favoráveis.
Nos aplicativos de mensagens, o resultado foi semelhante: 70% das mensagens analisadas foram contrárias ao afastamento, ante 30% favoráveis.
A empresa classificou o volume de conversas sobre o episódio como muito alto: foram cerca de 4,3 mil menções a cada 100 mil mensagens nas redes e 1,1 mil a cada 100 mil nas plataformas de mensagens.
O resultado indica que a reação não ficou circunscrita a uma única bolha política do ambiente digital.
CRISE EM ESCALADA
Mendonça afastou Rodrigues e o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, na terça-feira (8), atendendo a pedido do partido Novo no âmbito do caso Banco Master. O ministro alegou suspeitas de monitoramento ilegal e produção irregular de relatórios de inteligência.
No dia seguinte, Flávio Dino determinou a reintegração de ambos à direção da PF. Entre os argumentos, apontou a falta de legitimidade do Novo para requerer, em investigação criminal, o afastamento de autoridades públicas e alertou para o risco de paralisação das atividades da Polícia Federal.
A decisão de Dino, porém, também foi suspensa. O presidente do STF, Edson Fachin, anulou provisoriamente os efeitos de ambas as decisões monocráticas, assumiu a condução institucional do impasse e convocou sessão extraordinária do plenário para a próxima terça-feira (15).
Esclarecimento relevante, a bem da verdade: a decisão de Dino buscou recompor a normalidade institucional e abriu caminho para que Fachin, na condição de presidente da Corte, assumisse a condução do caso, restabelecesse a ordem processual e convocasse o plenário para dirimir questão que, pela sua gravidade, requer decisão colegiada.
NARRATIVAS EM DISPUTA
Segundo a Palver, a principal narrativa crítica a Mendonça, responsável por 14% da amostra, acusou o ministro de abuso de poder e de agir seletivamente nas investigações do caso Master.
Outra narrativa, favorável ao magistrado, respondeu com a acusação de que a PF estaria sendo utilizada politicamente para perseguir adversários do governo Lula; essa linha representou cerca de 9%.
Uma terceira narrativa, com 11% da amostra, concentrou-se na própria crise entre Mendonça e Alexandre de Moraes, tratando o episódio como expressão de disputa inédita e cada vez mais aberta dentro do STF.
CRISE NÃO CABE EM BOLHA
A pesquisa da Palver não determina quem está certo ou errado juridicamente. Revela, porém, algo politicamente relevante: o afastamento do chefe da PF produziu rejeição majoritária em ambientes digitais distintos.
A reação ajuda a dimensionar o desgaste provocado por disputa que deixou de ser apenas interna ao STF.
Quando decisões sobre a principal polícia judiciária do País passam a ser objeto de confrontação pública entre ministros, o problema deixa de ser apenas jurídico. Torna-se institucional.
E, em plena preparação para as eleições de 2026, isso exige do Supremo, da PF, do Ministério Público, do Congresso e das forças políticas democráticas algo elementar: responsabilidade, transparência e respeito aos limites institucionais e constitucionais.
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Fonte: Hora do Povo