2026 vai decidir quem chega de pé a 2028 para a corrida à Prefeitura. É o “gato de Schrödinger” da política

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Por Ton PauloJornal Opção

2026 vai decidir quem chega de pé a 2028 para a corrida à Prefeitura. É o “gato de Schrödinger” da política

A eleição de 2026 começou a ser construída em 2024, e o pleito de 2028 passou a ser desenhado ainda neste ano. Players políticos que hoje se movimentam para garantir uma vaga na eleição majoritária ou proporcional já são tidos como quase certos na corrida eleitoral daqui a dois anos. Mas como chegarão, e se realmente estarão lá, vai depender quase totalmente de como se sairão agora.

Em Goiânia, pelo menos quatro nomes já despontam como possíveis candidatos à Prefeitura em 2028. Romário Policarpo (Cidadania), atual presidente da Câmara Municipal e candidato a deputado estadual; Bruno Peixoto (UB), presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e candidato a deputado federal; Ana Paula Rezende (PL), candidata a vice-governadora; e o próprio Sandro Mabel (UB), hoje prefeito da capital.

São quatro figuras em posições diferentes no tabuleiro, apesar de algumas semelhanças de conjuntura e trajetória (como é o caso de Policarpo e Peixoto). Cada um, no entanto, vai jogar em 2028 com as armas que começa a “carregar” em 2026.

É preciso entender que a eleição deste ano pode significar conquista de mandato e musculatura para daqui a dois anos e, paralelamente, perda de espaço, isolamento e necessidade de juntar os cacos antes de pensar novamente em uma disputa eleitoral. Vai depender das jogadas de cada. Pense, o caro leitor, que trata-se de um gato de Schrödinger político: cada pré-candidato está vivo e morto politicamente ao mesmo tempo.

No caso de Mabel, 2026 é o primeiro ano em que, de fato, sua gestão poderá ser colocada sob crivo. Isso porque, como bem se sabe, 2025 serviu essencialmente para um “tratamento de choque” de reerguimento de uma cidade deixada pela gestão anterior, de Rogério Cruz, em cenário de terra arrasada.

Dívida bilionária do Município, caos na saúde, com falta até de insumos básicos em unidades municipais e maternidades, lixo amontoado pela cidade e denúncias de corrupção no Paço foram as “boas-vindas” a Mabel quando ele assumiu o Executivo em novembro de 2024, pela força da necessidade, e oficialmente em janeiro de 2025.

Agora, o argumento da herança recebida, claro, perde prazo de validade. Mas pesquisas internas encomendadas pelo próprio Paço revelaram que a população enxerga o esforço de Mabel para resolver os problemas da cidade, apesar dos trancos e barrancos.

A zeladoria, por exemplo, aparece como um dos grandes avanços de Mabel. A saúde, contudo, continua sendo o grande gargalo. O prefeito sabe disso e tem preparado investimentos pesados para a área, como a abertura de UBSs e UPAs em um pacote de meio bilhão de reais para a rede municipal de saúde. Ele sabe também que dependerá muito do resultado dessas ações se quiser chegar forte em 2028.

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Sandro Mabel é o atual prefeito. Se chegar bem a 2028, pode tentar a reeleição | Foto: Jornal Opção

Romário Policarpo percorre outro caminho. É muito provável que chegue à próxima eleição municipal como deputado estadual (e muito bem votado, por sinal). Sua eleição para a Alego é tida como certa por muitos de seus aliados, que o veem como um puxador de votos. Policarpo, aliás, foi figura importantíssima para a própria eleição de Mabel em 2024: foi ele quem articulou votos do funcionalismo público e trabalhou pelo apoio de vereadores e até suplentes no segundo turno contra Fred Rodrigues, do PL.

Figura carimbada na segurança pública e no esporte, Policarpo carrega duas marcas de fácil identificação com o eleitorado: é guarda civil metropolitano e diretor do Vila Nova. Mas seu sonho político vai além da Alego: é sabido em seu entorno que ele quer ser prefeito de Goiânia.

Nos bastidores, diz-se que há possibilidade de Policarpo chegar até mesmo à presidência da Assembleia, caso seja eleito deputado estadual. Se conseguir transformar expectativa em mandato e, depois, mandato em protagonismo dentro da Casa, o GCM vai ter dois anos para cimentar um caminho até o Paço Municipal.

Já Bruno Peixoto pode ser, quiçá, quem se encontra na situação mais confortável entre os quatro nomes para uma possível disputa pelo Executivo goianiense em 2028. O filho de Tião Peixoto é um animal político: em 2008, tornou-se o vereador reeleito mais votado da capital, com 12.850 votos. Dois anos depois, foi eleito deputado estadual com mais de 35 mil votos. Hoje, Bruno está no quarto mandato consecutivo na Alego, iniciado em 2022, quando se tornou o deputado estadual mais votado da história de Goiás, com 73.692 votos.

Por óbvio, chega a 2026 cercado de expectativa em torno de sua candidatura à Câmara dos Deputados. Ao longo de sua atuação na Alego, Bruno conseguiu fazer alianças e construir bases em praticamente todos os 246 municípios de Goiás. Não à toa, chegou a ser cotado como candidato da base à Prefeitura de Goiânia em 2024 e, depois, como possível vice de Daniel Vilela nas eleições deste ano. Cravou, porém, que queria disputar uma cadeira na Câmara Federal.

Em Brasília, Bruno Peixoto poderá buscar entregas de peso para Goiás e, principalmente, para Goiânia, além de ampliar alianças. Tudo isso rende voto.

Bruno Peixoto: presidente da Assembleia Legislativa de Goiás. Ele pode ser campeão de votos em 2026? | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Ana Paula Rezende, por outro lado, é o nome com o futuro mais nebuloso entre os cotados e, possivelmente, com mais pedras no caminho. A advogada e filha de Iris Rezende tomou uma decisão que, no início deste ano, foi considerada impensada por muitos analistas políticos: rompeu com o MDB, grupo político de seu pai, migrou para o grupo de Wilder Morais e abraçou o bolsonarismo de vez.

Se for eleita vice-governadora na chapa de Wilder, claro que a coisa muda de figura. A máquina lhe daria poder político, visibilidade e capacidade de articulação pra chegar forte à eleição municipal de 2028. Mas a questão é exatamente: Wilder aparece em terceiro lugar na maioria das pesquisas de intenção de voto. Uma virada é possível, mas difícil.

Pode ser eleita vice-governadora, pode não ser. E em caso de derrota, aí é que a coisa complica. Há cientistas políticos que duvidam que Ana Paula seja “assimilada” pelo bolsonarismo goiano depois das eleições. Ela abraçou o bolsonarismo, mas não se sabe se o bolsonarismo a abraçou de volta. Hoje, ela precisa do bolsonarismo e o bolsonarismo precisa dela, sobretudo pela força do nome de Iris Rezende, usado a rodo na campanha de Wilder. A pergunta é o que restará disso quando as urnas forem fechadas.

Talvez, a própria Ana Paula não queira permanecer. Afinal, o bolsonarista mais fiel costuma reconhecer como um dos seus aquele que carrega o 22 marcado em “brasa viva”, como Gustavo Gayer e Fred Rodrigues, e não é exatamente o caso de Ana Paula. E nem de Wilder – o que pode ajudar a explicar a dificuldade de sua candidatura em animar o eleitorado.

Também há quem duvide que Ana Paula seja readmitida pelo grupo emedebista depois do rompimento. E, de novo, talvez ela nem queira voltar. Sem uma vitória da chapa de Wilder, Ana Paula corre o risco de chegar a 2028 politicamente enfraquecida e sem um grupo político para chamar de seu.

Vislumbrar 2028 passa pelos “óculos” de 2026, isso é fato. A eleição municipal ainda está a dois anos de distância, mas as credenciais pra disputá-la já estão sendo entregues, ou retiradas, agora.

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Fonte: Jornal Opção

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