13 deputados que votaram em impeachment de Collor seguem no Congresso

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MEMÓRIA POLÍTICA

Congresso em Foco

28/9/2026 7:00

Trinta e quatro anos depois da histórica sessão de 29 de setembro de 1992, que abriu caminho para o impeachment de Fernando Collor, 13 políticos que eram deputados federais à época ainda mantêm mandato no Congresso Nacional. Sete estão na Câmara, entre eles Roseana Sarney (MDB-MA), atualmente licenciada, e seis ocupam cadeiras no Senado. O grupo reúne parlamentares que defenderam a abertura do processo e um que votou contra o afastamento do presidente.

Na Câmara, permanecem Aécio Neves (PSDB-MG), Átila Lins (PSD-AM), Benedita da Silva (PT-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR), Renildo Calheiros (PCdoB-PE) e Roseana Sarney (MDB-MA).

Outros seis integrantes daquela legislatura chegaram ao Senado: Chico Rodrigues (PSB-RR), Eduardo Braga (MDB-AM), Flávio Arns (PSB-PR), Jaques Wagner (PT-BA), Paulo Paim (PT-RS) e Wellington Fagundes (PL-MT).

Roseana Sarney coordenou comitê na Câmara que monitorava posicionamento de deputados antes da votação. Deputada continua na Câmara 34 anos depois.

A votação terminou com 441 votos favoráveis à abertura do processo, 38 contrários, uma abstenção e 23 ausências. A decisão autorizou o Senado a julgar por crime de responsabilidade o primeiro presidente eleito pelo voto direto após a ditadura militar.

Só um deles ficou com Collor

Entre os 13 parlamentares identificados, Átila Lins foi o único a votar contra a abertura do processo. Na época filiado ao PFL do Amazonas, ele integra a Câmara desde 1991 e exerce seu nono mandato consecutivo. É o deputado com mais mandatos entre os atuais integrantes da Casa.

A divergência também apareceu entre representantes do mesmo Estado. Enquanto Átila se posicionou contra o impeachment, Eduardo Braga, então deputado pelo Amazonas e hoje senador, apoiou a abertura do processo.

A votação ocorreu em meio às manifestações dos caras-pintadas, às denúncias de corrupção envolvendo o ex-tesoureiro presidencial PC Farias e à perda de sustentação política de Collor. A chamada nominal, realizada em plenário, tornou pública a posição de cada deputado.

Roseana coordenou movimento na Câmara

Deputada federal de primeiro mandato pelo PFL do Maranhão, Roseana Sarney coordenava a comissão parlamentar pró-impeachment. Filha do ex-presidente José Sarney, antecessor de Collor, participou das articulações para reunir os votos necessários à abertura do processo.

Na reta final da crise, a comissão trabalhou em conjunto com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) para confrontar projeções de votos e identificar deputados que ainda não haviam definido sua posição.

Roseana seguiria uma trajetória por diferentes cargos políticos. Foi governadora do Maranhão, senadora e retornou à Câmara, onde exerce seu quinto mandato como deputada federal. Agora, é candidata novamente ao Senado.

As vozes que permanecem no Congresso

Além de votar, alguns dos atuais congressistas ocuparam a tribuna naquele 29 de setembro. Seus pronunciamentos, registrados no Diário do Congresso Nacional, ajudam a recuperar o ambiente político da sessão.

Jandira Feghali, então deputada pelo PCdoB do Rio de Janeiro, abriu sua intervenção destacando a responsabilidade histórica do Parlamento: “A história nos reservou uma grande responsabilidade política.” A parlamentar defendeu a abertura do processo e relacionou as denúncias de corrupção à mobilização popular.

Luiz Carlos Hauly encaminhou a votação em nome do PST, legenda que havia fechado questão a favor do impeachment. Aécio Neves também discursou, assim como Jaques Wagner, que levou à tribuna uma versão irônica das tentativas de aliados do presidente de reunir apoio na véspera da votação.

Chico Rodrigues, então conhecido como Francisco Rodrigues, anunciou seu apoio ao processo, embora tenha afirmado que o fazia a contragosto. O deputado representava Roraima e, mais de três décadas depois, ocupa uma cadeira no Senado.

Os pronunciamentos revelam diferentes formas de participação naquele momento: da defesa da abertura do processo às articulações partidárias que antecederam a votação.

Um senador completa o grupo

Além dos 13 parlamentares que eram deputados em 1992, outro congressista em exercício já ocupava uma cadeira no Legislativo federal quando a Câmara autorizou o impeachment: Esperidião Amin (PP-SC).

Na época senador pelo PDS, Amin participou do julgamento de Collor no Senado, em dezembro daquele ano. O presidente renunciou durante o processo, mas os senadores prosseguiram com o julgamento e o condenaram à inabilitação para o exercício de função pública por oito anos.

Com Amin, chega a 14 o número de atuais congressistas identificados que já exerciam mandato no Legislativo federal quando a Câmara abriu caminho para o impeachment de Collor.

Mais de três décadas depois, os integrantes daquele Congresso que permanecem em atividade representam diferentes partidos e Estados. Suas trajetórias atravessam governos, mudanças partidárias e sucessivas legislaturas, ligando a composição atual do Parlamento a um dos episódios decisivos da história política brasileira.

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