Colonos israelenses atacam jornalista dos EUA na Cisjordânia ocupada

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Por AFP — Carta Capital

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Heidi Levine, que trabalha para o Washington Post, estava perto das localidades de Turmus Ayya e Khirbet Abu Falah quando foi atacada

Uma fotojornalista americana ficou ferida, nesta sexta-feira 16, após ser brutalmente agredida por colonos israelenses na Cisjordânia ocupada, onde cobria os ataques sofridos por agricultores palestinos durante a colheita de azeitonas.

Heidi Levine, que trabalha para o Washington Post, estava perto das localidades de Turmus Ayya e Khirbet Abu Falah quando foi atacada.

“De repente vi mais de 50 homens mascarados (…) Eles carregavam bastões de madeira (…) e acho que também barras de ferro. Então, de repente, me atacaram”, relatou Levine a vários jornalistas, entre eles um da AFP, de um leito de hospital em Ramallah, para onde foi levada. Sua mão esquerda estava enfaixada.

“Eu carregava uma bolsa com o meu telefone e eles arrancaram tudo de mim. Depois tentaram me colocar de pé apenas para me jogar de volta no chão e continuar me chutando”, descreveu.

Levine, que trabalha no Oriente Médio há décadas e cobriu várias guerras, explicou que se identificou como jornalista, mas também como “mãe”, na tentativa de acalmar os agressores. “Por sorte, estava usando capacete e colete à prova de balas”, acrescentou.

O Washington Post ressaltou que ela estava claramente identificada como membro da “Imprensa” tanto na parte da frente quanto na de trás do colete.

Heidi Levine foi transferida para um hospital israelense perto de Tel Aviv, constatou um fotógrafo da AFP.

O jornal americano se declarou “indignado com este ataque injustificado contra uma jornalista que fazia seu trabalho” e pediu uma “investigação séria” por parte das autoridades.

A ONG Repórteres Sem Fronteiras denunciou uma “violência sem pudor” que “mostra a impunidade com que agem os colonos judeus extremistas, muitas vezes com a proteção das Forças Armadas israelenses”.

O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, assegurou que “os responsáveis terão que prestar contas”, mas que a investigação deverá “determinar os fatos, incluindo quem iniciou as hostilidades”.

Segundo sua versão, “cerca de 40 jovens israelenses” teriam sido confrontados por “cerca de 200 árabes e militantes de extrema esquerda”, e os dois grupos atiraram pedras uns contra os outros.

Em um comunicado, o Exército israelense afirmou que interveio após receber um alerta sobre um “confronto violento” e confirmou que uma “jornalista ficou ferida durante o incidente”.

A embaixada dos Estados Unidos em Israel afirmou estar ciente das informações veiculadas pela imprensa sobre o ataque.

A agressão ocorre em um contexto de aumento de ataques semelhantes durante a estação de colheita de azeitonas na Cisjordânia, ocupada desde 1967.

No início de outubro, colonos espancaram brutalmente um fotógrafo da AFP que fazia uma reportagem sobre a colheita. Jornalistas palestinos e estrangeiros também foram agredidos na região.

Em julho, colonos atacaram uma equipe da rede americana CNN perto de Ramallah.

Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), o número de ataques de colonos aumentou a cada ano desde o ataque sem precedentes do Hamas em 8 de outubro de 2023, chegando a 1.835 no ano passado.


AFP

Agência de notícias francesa, uma das maiores do mundo. Fundada em 1835, como Agência Havas.

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Fonte: Carta Capital

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